Candidatos divergem sobre presença de UPP na Rocinha

Episódio de tiroteio em agosto fez governo falar em antecipar política contra o tráfico na favela da zona sul

iG Rio de Janeiro |

A violenta troca de tiros em São Conrado entre dezenas de traficantes da Rocinha fortemente armados e policiais militares, em 21 de agosto, chamou novamente a atenção da população e das autoridades para a força do tráfico na favela. O governo reafirmou os planos de implantação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no local e mais recentemente anunciou que deve ser instalada no ano que vem, com 2.000 PMs. Os dois principais candidatos a deputado estadual na Rocinha discordam quando tratam de UPPs.

O assunto é muito sensível na comunidade, tendo em vista o poder de opressão do tráfico e o temor de moradores em comentá-lo. Nenhum eleitor entrevistado quis falar sobre o tema.
O candidato a deputado estadual André Larazoni (PMDB), vice-líder do governo na Assembleia Legislativa, afirmou ser a favor da UPP no local. “É uma política do nosso governo e sou completamente a favor. A população quer e vai se beneficiar”, disse.

Questionado, William da Rocinha inicialmente afirmou não querer comentar o assunto. “Prefiro não opinar.” Em seguida, afirmou que a “UPP é inevitável”.

“Não adianta o líder querer ou não. Mas acho que deveria abrir espaço de discussão para a sociedade civil participar. A PM não pode ser a única presença do Estado na Rocinha. O problema é que, com as UPPs, tudo o que é informal passa a ser excluído. É preciso diferenciar crime de informalidade. Eu já tive Gato Net, mas hoje temos TV Roc (TV a cabo da Rocinha, legal). Gostaria de ter Sky.”

Uma preocupação dele é com um provável confronto de grandes proporções, com mortes, no momento da ocupação. “A Rocinha hoje é uma cidade. No momento de ocupação haverá um grande conflito. A gente sabe e espera que não haja mortes, que pessoas não venham a sofrer.”

William também pretende defender, caso seja eleito, uma medida polêmica de ressocialização de traficantes. “Defendo um programa de anistia penal para os traficantes. Ele entrega a arma e participa de um programa social para se inserir no mercado”, propôs.

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