Candidatos discutem demissão de Erenice em debate no Rio

Adversários de Cabral usam escândalo envolvendo ex-chefe da Casa Civil para constranger governador

Flávia Salme e Paula Daibert, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Candidatos ao governo se enfrentam na TV
As acusações de tráfico de influência que levaram à demissão a ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, foram a novidade no debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro promovido pela 'RedeTV! em parceria com o jornal 'Folha de S. Paulo' nesta quinta-feira (16). Os três adversários do governador Sérgio Cabral (PMDB) que participaram do encontro usaram o escândalo federal para constranger o candidato à reeleição.

Aliado da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, de quem Erenice era braço direito, Cabral não mencionou a crise no governo federal, mas saiu em defesa do presidente Lula e da candidata do PT. Perguntado pelo jornalista Plínio Fraga, da 'Folha de S. Paulo', se estava "confortável por ser aliado de um governo acusado de tantos desvios", o governador do Rio respondeu:

"Tenho muito orgulho ( dessa aliança ). O Rio de Janeiro passou a liderar a recepção de recursos federais" afirmou. "O presidente Lula tem feito um governo extraordinário, o Brasil se desenvolveu. Nossa candidata Dilma tem grande responsabilidade por esses avanços, tenho orgulho de apoiar a Dilma".

O assunto também marcou as considerações finais do debate. O candidato do PV, Fernando Gabeira, que aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, aproveitou o tema para pedir aos eleitores que levem a disputa para o segundo turno, a exemplo da candidata à Presidência de seu partido, Marina Silva. "É preciso segundo turno para esclarecer a questão da Dilma, porque caiu o braço direito da Dilma", falou.

O candidato do PR, Fernando Peregrino, apoiado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pegou carona no assunto para voltar a questionar a sociedade da primeira-dama Adriana Ancelmo no escritório de advocacia que representa empresas concessionárias de serviços públicos no Rio, como o Metrô e a SuperVia. "Se lá (em Brasília) é tráfico de influência, aqui é o quê?", provocou.

Candidatos evitam ataques entre si e concentram as críticas em Cabral

No restante dos cinco blocos do encontro, os políticos repetiram assuntos que vêm explorando no horário eleitoral e em confrontos anteriores. O tema segurança foi amplamente debatido, uma vez que foi a pergunta comum feita pelo jornalista Kennedy Alencar, que mediou o encontro, a todos os concorrentes. O jornalista pediu aos candidatos que emitissem suas opiniões sobre as Unidades de Política Pacificadora (UPPs), implementadas no governo Cabral, e que respondessem se acreditam que elas têm limite.

Gabeira respondeu que acredita que a UPP tem limite, sim, porque não pode ser implantada em todo o Estado, e defendeu a elaboração de um plano estadual de segurança para o Rio. Peregrino também fez críticas ao programa: " Precisaríamos de dez vezes mais do efetivo da PM para botar UPP em todo estado. Além de quê, é impossível as UPPs reduzirem a criminalidade porque elas não foram precedidas da prisão dos bandidos. Elas não têm sido eficientes, no outro lado do Estado, onde não há UPP, é a política do SQP, do salve-se quem puder".

Jefferson Moura (PSOL) pegou a deixa e disse que foi punido no horário eleitoral por exibir um vídeo em que Cabral aparece pedindo votos para o ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, que  teve seu mandado na Assembleia Legislativa cassado por quebra de decoro ( Lins foi condenado pela Justiça Federal a 28 anos de prisão por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de bens ). "Governador, o senhor se arrepende de ter apoiado o Álvaro Lins?", perguntou.

Cabral não respondeu a pergunta. Disse apenas que seu governo foi o que mais prendeu pessoas acusadas de envolvimento com grupos paramilitares e afirmou que entre os presos estava Álvaro Lins. Na tréplica, Moura continuou as críticas contra o governador: "O senhor faz propaganda enganosa, como seu governo. Quem indiciou Álvaro Lins foi a Polícia Federal".

Os dois voltaram a discutir depois que o governador afirmou que o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que relatou a CPI das Milícias na Alerj, não o mencionou no relatório final e que, segundo Cabral, o  parlamentar foi até o seu gabiente no Palácio Guanabara para "parabenizá-lo" pelo combate a este crime no Rio. Freixo, que participava do debate, encaminhou um bilhete para Jefferson Moura afirmando que o encontro mencionado por Cabral não aconteceu. O governador disse que a afirmação era mentira.

Na ofensiva contra Cabral, os candidatos voltaram a criticar os gastos de R$ 430 milhões do governo do Estado em propaganda, e a gestão do governador na saúde e na educação. Em sua defesa, Cabral apresentou avanços que considera ter havido nessas áreas e concluiu dizendo que, se reeleito, junto com Dilma, trará mais benefícios para o Rio por meio de parcerias com o governo federal.

O debate durou cerca de uma hora e meia e foi realizado no autditório do Iate Clube do Rio de Janeiro, na Urca, zona sul da capital.

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