Candidatos com nomes esdrúxulos tentam atrair eleitores em PE

Entretanto, eleitores afirmam que essa ousadia só atrapalha na hora da escolha e que não confiariam na seriedade do político

Thaisa Lisboa, iG Pernambuco |

Pica-pau, Choraninguém, Pelé do Povo de Deus, Mister Brother, Botafogo Meu Filho e Mário do Resgate. O que estes esdrúxulos apelidos têm em comum? Eles são alguns dos mais de 200 candidatos a Assembleia Legislativa e a Câmara de Deputados pelo Estado de Pernambuco.

Alguns até já têm história na política. Como é o caso do policial militar e candidato estadual, Walinson Ramos (PRP), popularmente conhecido como “Choraninguém”. Em 2008, Ramos candidatou-se para vereador de Paulista, município da Região Metropolitana do Recife. Ele não obteve êxito, mas não desistiu. “Lula tentou três vezes (sic) e conseguiu, por que eu não vou conseguir?”, questionou. “É mais bonito quando a gente começa por baixo. É mais elegante e gratificante”, completou.

Choraninguém, como prefere ser chamado, não quis revelar o motivo do apelido. “Estou escrevendo um livro sobre a minha história, no qual, consequentemente, eu revelarei a história do apelido”, disse. Caso eleito, o candidato pretende investir na carreira da Polícia Militar pernambucana, combater as drogas e dar assistência às mulheres trabalhadoras.

O pedreiro e deputado estadual, Ednilson dos Santos (PRP), ou melhor, “Pelé do Povo de Deus”, tentou ingressar em 2002 na Assembleia Legislativa, mas não conseguiu votação. Perguntado sobre o porquê de investir na carreira política, ele foi incisivo: “Quero tirar os corruptos do poder. Quero fazer uma limpeza geral no gabinete”, sentenciou. Em relação às suas propostas, Pelé afirmou que pretende investir em seu bairro, San Martin, localizado na zona oeste do Recife, e explicou que vai lutar por uma maior realização de concursos para o Estado. O candidato tem esse apelido porque, além de gostar de jogar futebol, apresenta semelhanças físicas com o Rei do Futebol.

O novato Almir de Macedo (PHS), conhecido pela alcunha de Pica-Pau, afirmou que ainda não começou a sua campanha política para deputado estadual, mas fará em breve. “Ainda não caí em campo, mas irei fazer isso na hora e no momento certo”, explicou. Pica-Pau discordou quando foi questionado sobre a possibilidade do codinome ser prejudicial à sua candidatura. “Esse apelido só me ajuda”, contou o candidato, que tem é chamado assim desde a vez que foi consertar o seu caminhão e saiu de lá com os cabelos avermelhados.

Assim como Pica-pau, Choraninguém e Pelé do Povo de Deus afirmaram que seus respectivos apelidos só trariam benefícios para as suas candidaturas. Porém, apesar de eles serem mais conhecidos como tais, não é dessa forma que enxergam os eleitores. Para o funcionário público Eryvaldo Santos, o candidato com esse nome não dá credibilidade às suas propostas e à função que pretende exercer. “Política é coisa séria. Estou interessado nas propostas deles, sim, mas um candidato com esse nome não passa sobriedade ao cargo”, avaliou.

E é desta maneira que também pensa a especialista em linguística Wandirsa Figueiredo. Ela acredita que a imagem vale muito hoje e que o nome faz parte dela. “Se um candidato opta por um nome engraçado, talvez ele não perceba o quanto é importante o cargo que ele quer atuar. Ele tem que apresentar-se confiante já a partir do seu nome”, relembrou.

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