Candidatos centram críticas em Alckmin no debate da Band em SP

O candidato tucano, ex-governador do Estado, ouviu queixas na saúde, educação e segurança, mas afirmou que SP vive ótimo momento

iG São Paulo |

Como já era esperado, os principais candidatos ao governo de São Paulo elegeram Geraldo Alckmin (PSDB) como alvo principal de críticas durante todo o debate transmitido pela Band nesta quinta-feira. Líder nas pesquisas de intenção de voto e representante da aliança DEM-PSDB, que governa São Paulo há quase 16 anos, Alckmin ouviu críticas na área da educação, saúde e segurança.

Após um primeiro bloco burocrático, o primeiro debate de candidatos a governador de SP só começou a esquentar após as perguntas diretas entre os candidatos. Paulo Skaf (PSB) entrou no assunto mais polêmico da campanha estadual até aqui, abordando o tema dos pedágios e apontando as estradas de São Paulo como as mais caras do Brasil. “As concessionárias de pedágio ganham três vezes mais que os bancos em São Paulo”, acusou o socialista e presidente afastado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que prometeu abatimento do preço do pedágio no IPVA.

Agência Estado
Os candidatos ao governo de São Paulo, Celso Russomanno (PP), Paulo Skaf (PSB), Paulo Bufalo (PSOL), Mercadante (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fábio Feldman (PV)
Alckmin, por sua vez, afirmou que o Estado tem as melhores estradas do País e que as novas concessões vão diminuir o preço dos pedágios. “O Skaf quer reduzir o dinheiro da Educação e da Saúde, que é para onde vai o imposto pago através do IPVA. Ele também quer estimular as viagens a noite, aumentando o índice de acidentes”, atacou o candidato tucano, ex-governador de São Paulo.

No embate com Aloízio Mercadante (PT), Alckmin disse que o senador não fez nada por São Paulo até hoje. “Ele só sabe criticar”, disse o tucano ao ser questionado sobre a qualidade das escolas do Estado. Em sua réplica, o candidato do PT apontou a deficiência na estrutura das escolas, além da falta de funcionários nas unidades de ensino. “40% dos professores não são concursados. Faltam funcionários, professores, policiamento e estrutura nas escolas de São Paulo”, destacou o petista.

O candidato Celso Russomano (PP) também centrou suas críticas no ex-governador de São Paulo, apontando falhas na segurança e na saúde: “Nossa polícia é mal paga e mal aparelhada. Os médicos ganham salário de 400 reais e as gratificações acabam maquiando a situação precária da saúde”, afirmou o candidato.

Paulo Rúfalo, do PSOL, ainda teve tempo de criticar as obras do metrô paulistano. "Chegaremos até 2070 para ter 200 km de metrô. Os tucanos são mais lentos que o "tatuzão" (máquina usada para abrir túneis). Eles não fazem obras, mas quando fazem são superfauradas e com ajuda de propina, investigadas inclusive pelo Ministério Público", acusou. A afirmação do candidato socialista rendeu um pedido de direito de resposta de Geraldo Alckmin, que foi negado pelo mediador do programa.

Agência Estado
Responsáveis pelos principais momentos de tensão do debate da Band, Alckmin (PSDB) e Mercadante (PT) se cumprimentam antes do debate
Alianças e gravatas

Respondendo às acusações dos adversários, Alckmin disse no terceiro bloco que Mercadante e Russomano estavam mancomunados para atacá-lo: “Vocês estão vendo aqui uma aliança entre o PT e o malufismo. Até a gravata deles é igual”, ironizou o tucano.

Os adversários não deixaram por menos e atacaram a postura do ex-governador de São Paulo: “Não é no ataque que vamos resolver os problemas de São Paulo. Eu exijo o respeito do sr.”, disse Russomano. “Como ex-governador, o sr. devia saber quanto ganha um delegado de polícia e um médico no Estado”, completou.

Mercadante aproveitou a deixa do adversário para também criticar o sentimento de solidão do PSDB, que, segundo o candidato, ninguém aguenta mais. "Ele não tem humildade para assumir os seus erros. Todo mundo quer mudar", disse o petista.

Reduzidos a meros coadjuvantes diante do tiroteio entre PT, PSDB e PP, os candidatos Fábio Feldman (PV) e Paulo Rúfalo (PSOL) resolveram recorrer aos seus respectivos cabeças de chapa na eleição presidencial para se diferenciarem dos demais. “Eles fazem apenas o debate raso, que não contribui em nada para o País”, disse Feldman. “Eu e a minha candidata, Marina Silva, temos uma proposta alternativa e sustentável para melhor a qualidade de vida de São Paulo e do Brasil”, completou.

Governo federal na berlinda

Além dos ataques uns contra os outros, os candidatos apostaram nas críticas ao governo federal durante o debate. Geraldo Alckmin criticou a falta de repasses da administração federal para Estados cuidarem do Sistema Única da Saúde (SUS), além de não aplicar dinheiro nas obras do metrô.

Paulo Rúfalo atacou a postura do governo federal na administração da Petrobras, enquanto Russomano atacou o projeto do trem-bala. “No meu governo o trem-bala só será incentivado se prever pelo menos quatro paradas na região do Vale do Paraíba”, argumentou o candidato do PP.

A corrida presidencial foi várias lembrada no debate da Band através de Mercadante, que repetiu diversas vezes o nome de Dilma Rousseff, candidata do PT ao Palácio do Planalto, além de lembrar dos avanços do governo do presidente Lula. Alckmin foi mais direto, porém, fazendo referência objetiva a José Serra e chamando ele de "meu candidato" nos comentários finais.

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