Candidato governista, Casagrande diz que Luiz Paulo é aliado

Senador do PSB reconhece que adversário tucano também integra a base de Paulo Hartung, mas que o apoio majoritário é seu

Samia Mazzucco, enviada a Vitória |

Agência Brasil
Casagrande: "Luiz Paulo é aliado, mas o candidato do governo sou eu"
Até março deste ano, tudo indicava que Ricardo Ferraço (PMDB), vice do atual governador Paulo Hartung (PMDB), seria o candidato natural à sucessão ao governo do Espírito Santo. Porém, um acordo com o senador Renato Casagrande (PSB) -- que, apesar da boa relação com o governo, sairia candidato -- fez com que o governador o apoiasse, retirando Ferraço da disputa, para concorrer ao Senado.

Hoje, além do apoio do governo, Casagrande tem em sua coligação outros 15 partidos e chance de vencer o pleito de 3 de outubro no primeiro turno, de acordo com as mais recentes pesquisas .

Nesta entrevista, o socialista evitou criticar seu principal adversário, o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Aliás, segundo o senador, o tucano também é aliado de Hartung. Porém, diz: "a candidatura que tem apoio majoritário é a minha".

Casagrande também falou sobre suas propostas para a segurança pública, mas evitou apresentar qual será sua primeira ação no governo, caso seja eleito. E disse que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vete a emenda que distribui de forma igualitária os royalties do petróleo entre todos os Estados pretende levar o caso até o Supremo Tribunal Federal (STF), se sair vitorioso nas urnas em outubro.

iG - O quadro político sofreu uma reviravolta articulada pelo PMDB no Estado. O sucessor natural de Hartung seria seu vice, Ricardo Ferraço. Como o senhor explica todas as mudanças e o apoio do governador?

Casagrande - Interpreto como um ato de responsabilidade por parte do governador. Teriam três aliados dele disputando a eleição, hoje tem dois. O Luiz Paulo ( Vellozo Lucas, candidato do PSDB ) é aliado dele também. A candidatura que tem o apoio majoritário do governo é a minha. Já tem fala pública dele apoiando a minha candidatura.

iG – O Luiz Paulo diz o contrário, que o governador falou em público que é neutro.

Casagrande - Paulo Hartung que anunciou o entendimento entre mim e Ricardo. Mas não quero ficar discutindo isso, não. A linha da minha campanha é de defesa desse projeto que está aí. Essa unidade incentivada pelo governador foi um ato de responsabilidade, porque o projeto que hoje estou coordenando vai nos garantir e estabelecer para a sociedade capixaba uma segurança política e administrativa.

iG - Como o senhor pretende mostrar para os eleitores que é mais preparado do que seu principal concorrente, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas?

Casagrande - Não vou tratar de diferença entre mim e o Luiz Paulo. O eleitor que vai ter que identificar. O que tenho é uma história de experiência no Legislativo, no Executivo. Sou um militante político há muito tempo neste Estado, então o povo vai saber fazer essa diferença, já está até fazendo.

iG - Houve uma disputa entre PT e PDT para concorrer como vice em sua chapa. Por que a escolha pelo deputado estadual Givaldo Vieira, do PT?

Casagrande - A escolha do Givaldo é porque ele é uma boa liderança no PT, é o presidente ( estadual ) do PT. Mas especialmente porque ele seria vice do Ricardo Ferraço. Quando fiz o entendimento com o Ricardo ficou mais ou menos pactuado um pedido que ele gostaria que o vice fosse o Givaldo. Foi um compromisso assumido na hora do entendimento também.

iG – O senhor já arrecadou mais de R$ 1 milhão para a campanha, quase oito vezes o que seus adversários arrecadaram juntos. Acredita que sem o apoio do atual governo teria arrecadado o mesmo?

Casagrande - Não sei. Acho que o que caracteriza uma capacidade de arrecadação também é a expectativa de vitória. Apoio do governo e uma chance grande, acabam nos possibilitando uma arrecadação. Mas está dentro da nossa previsão, porque fizemos uma estimativa e uma campanha que poderá custar até R$ 10 milhões e no primeiro mês foi R$ 1,1 milhão ( R$ 1.115.637,14, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral ).

iG - O senhor já foi vice-governador e esta é sua segunda eleição como candidato a governador. O que a difere da primeira?

Casagrande - É outro momento, o Estado está mais organizado, consegui fazer uma aliança ampla. Tenho muito mais experiência, muito mais caminho percorrido no Estado. Exerci um mandato que a população considera exitoso. Tudo isso ajuda.

iG – O senhor fala em continuidade do atual governo. Quais políticas o senhor dará continuidade e quais não, caso eleito?

Casagrande - Vamos dar continuidade a todos os projetos e obras que estão sendo feitos. Não teremos ruptura em nenhum dos projetos nem obras. Mas agora vamos poder pisar um pouco mais no acelerador, porque a casa está organizada. Há recursos. Posso começar o governo com mais velocidade.

iG - Quais suas críticas ao atual governo?

Casagrande - Não tem governo sem erro. Mas os acertos desse governo são tão grandes que os erros não merecem, não precisam ser destacados. Temos problemas sérios ainda em algumas áreas, como na segurança pública e atendimento na saúde, que precisamos enfrentá-los. Muitos investimentos estão sendo feitos na área de segurança pública, nesses últimos anos foram mais de R$ 400 milhões no sistema carcerário, que era um caos. O saldo, quando o Paulo Hartung assumiu o governo, era de 3.500 presos, hoje são 10.500 ( eram 2.885 em 2002 e hoje são 10.387, segundo dados da Secretaria de Estado da Justiça ). Tem que continuar fazendo investimento.

iG - O senhor considera o investimento em segurança pública da atual gestão, que o apoia, deficitário?

Casagrande - Não, foi muito grande o investimento. Vamos continuar investindo no sistema carcerário, no sistema regionalizado, na qualificação da polícia, na aplicação de novas tecnologias na área de segurança pública. ( Se eu for eleito ) O Estado será dividido em áreas, com responsabilidade de um oficial e delegado da Polícia Civil que prestarão contas dos indicadores de violência. Vamos investir na prevenção às drogas e em uma rede de proteção às pessoas dependentes. Crack é um problema e no Espírito Santo tem uma situação até mais grave, porque é um Estado portuário.

iG - Como é sua relação com Ricardo Ferraço e Magno Malta, candidatos ao Senado pela sua aliança?

Casagrande - São boas. O Magno Malta nunca foi um aliado direto do governador, mas reconhece os avanços que tivemos nesses últimos anos, estamos na campanha juntos. Minha relação com o Paulo é excelente, tenho dialogado com ele frequentemente. Com Ferraço a relação é ótima, tivemos um entendimento, a relação é tranquila. Sabe da possibilidade de ele ganhar a eleição para o Senado. Vai me ajudar muito, não tenho dúvida.

iG - O que o senhor pensa sobre os boatos de que aliados do governador Hartung estariam fazendo campanha ao Senado para Rita Camata, da coligação rival, e não para Magno Malta?

Casagrande - Nenhum sinal disso. Tem gente fazendo campanha só para Ricardo, mas não está fazendo campanha para Ricardo e para Rita, não.

iG – Por que há quem faça campanha só para o Ferraço?

Casagrande - Porque tem gente do governo que não tem identidade com o Magno. Tem um trabalho de algumas pessoas do governo que estão fazendo campanha só para o Ricardo.

iG – Qual a primeira decisão de governo que pretende tomar, caso seja eleito?

Casagrande - Antes disso tem que ganhar a eleição, depois que ganhar vou verificar isso, porque tenho diversas propostas. Nós detalharemos prazo e cronograma assim que a gente tiver um resultado eleitoral, mas primeiro tem que ganhar a eleição.

iG – Algo relacionado à segurança pública, talvez?

Casagrande - Ainda não posso adiantar isso.

iG - Como senador, o senhor apresentou propostas para as áreas de saneamento básico, reciclagem e distribuição de água. O que pretende aplicar desses projetos no Estado, caso eleito?

Casagrande - Na área de saneamento teremos já no ano que vem 60% da grande Vitória com saneamento básico. O plano diretor de saneamento diz que até 2025 vamos estar com o saneamento básico 100% tratado na grande Vitória. Quero adiantar um pouco mais, captar recursos com projetos no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) e em outras instituições financeiras. O Estado tem capacidade de endividamento, para que nós antecipemos essa meta de 2025. Lógico que não farei isso até 2014, mas quero dar um passo adiante.

iG – O senhor já conta, então, com recursos do PAC 2?

Casagrande - Vamos contar com recursos do PAC e com outros tipos de financiamento.

iG – Como por exemplo?

Casagrande - Banco Mundial, que tem recurso para financiar saneamento básico. E vamos fazer parceria com a iniciativa privada também, para fazer esses investimentos. Vou continuar um projeto que está sendo implantado por esse governo, que é o projeto dos corredores exclusivos para ônibus, ter uma integração total, todas as empresas no mesmo sistema.

iG - Como senador, o senhor defendeu que os royalties do petróleo não sejam divididos de forma igualitária entre os Estados. Qual sua estratégia, se eleito, para garantir que o Estado não perca recursos?

Casagrande - A emenda é inconstitucional, é inaplicável e confusa. O presidente Lula já disse que vai vetar. Ela não tem lógica para ser aplicada. Então a confiança é de 100% de que, se aprovada na Câmara, que eu acho que será, o presidente Lula vai vetar.

iG – E caso ele não vete?

Casagrande - O Estado vai entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade da emenda. Mas ele vai vetar.

iG - Que proposta de seu programa de governo o senhor considera impossível concluir em quatro anos de mandato?

Casagrande - De 2003 para cá, com um programa do governo do Estado, do governo federal, com o desenvolvimento econômico, conseguimos reduzir a pobreza do Espírito Santo de 30% para 15%. Quero nos próximos quatro anos avançar na redução da pobreza. Não vou conseguir eliminar a miséria, mas quero ir nessa direção.

iG - Em 2000, como responsável pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do ES, o senhor foi condenado pelo TCE a ressarcir os cofres públicos por despesas irregulares. Como explica esse fato?

Casagrande - Não sei detalhamento dos fatos, teria que pegar o processo para ver. Eu ressarci. Foi erro administrativo. Tanto é que não tive problema nenhum, não teve má fé. Foi erro administrativo que foi sanado.

iG - O senhor chegou a recorrer?

Casagrande - Não tenho detalhes, mas o processo foi sanado, porque se não tivesse sido eu teria tido problema no registro de candidatura em 2006 e em 2010. Foi algum erro administrativo cometido pela diretoria que foi sanado por mim.

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