Campos confirma favoritismo e vence em primeiro turno

Governador reeleito sai das urnas como a principal liderança política do Nordeste e passa a ser visto como futuro presidenciável

Pierre Lucena, iG Permanbuco |

Com mais de 99,8% das urnas apuradas em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB) foi reeleito em primeiro turno neste domingo com 82,8% dos votos. Para o Senado foram eleitos Armando Monteiro (PTB) e Humberto Costa (PT). Marco Maciel (DEM) ficou de fora.

Após liderar todas as pesquisas, a reeleição de Campos era mais do que esperada. No início do ano, entretanto, não se imaginava que o governador de Pernambuco teria uma vitória tão tranquila, principalmente se o seu adversário fosse a maior liderança da oposição, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Acostumado a vitórias expressivas nos últimos 20 anos, Jarbas viu seu palanque se desmontar e sua campanha derreter na reta final, em um Estado onde o presidente Lula praticamente é unanimidade.

Com apenas 45 anos, Campos sai das urnas como a maior liderança política do Nordeste, ao lado dos irmãos Cid e Ciro Gomes (PSB-CE), com quem mantém respeitosa convivência. A aposta de seus correligionários é por um salto muito maior em 2014. Há quem sonhe com a Presidência da República, ou na pior das hipóteses, a vice em uma chapa com Aecio Neves ou com o PT.

Integrantes do próprio PT pernambucano já falam disso abertamente. Em entrevista ao iG , o deputado federal Maurício Rands falou sobre essa possibilidade: “Eduardo Campos pode vir a ser presidente da República. Tem uma grande capacidade de agregar, e pode inclusive ajudar a atrair uma parte do PSDB, dentro da ideia de Lula de criação de uma ampla frente política”.

Em entrevista à Rádio Olinda durante a campanha, questionado sobre o fato, Eduardo desconversou: “Penso no meu mandato, e em fazer o máximo por Pernambuco. Não gosto de trabalhar pensando na próxima eleição.”

Um longo caminho de adversidades pela frente Com uma aliança que vai do PT aos grupos mais conservadores, composto pelo deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) e o ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), Eduardo Campos terá que enfrentar diversos desafios políticos até a eleição de 2014, neste seu segundo mandato.

O primeiro deles é a falta de um possível sucessor dentro de seu partido. Não há nome natural com viabilidade eleitoral para uma disputa majoritária. Os nomes mais fortes para sua sucessão são os petistas Humberto Costa e João Paulo, eleito para o Senado e Câmara Federal, respectivamente, e do petebista Armando Monteiro Neto, também eleito para o Senado na chapa de Eduardo.

O segundo problema é a baixa popularidade e aprovação do prefeito do Recife, João da Costa. Com reeleição ameaçada em 2012, nem mesmo sua possível candidatura é garantida. Rompido com uma das maiores lideranças da cidade, o ex-prefeito João Paulo, sofre ameaça deste dentro de seu próprio partido. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no final de julho, apenas 30% da população aprovam a gestão do prefeito e 31% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima.

Com a oposição esfacelada depois da derrota de Jarbas, a oposição deve se dividir em três palanques: PPS e PSDB devem lançar o deputado federal Raul Jungmann (PPS), candidato derrotado ao Senado, o PMDB deve lançar o deputado federal Raul Henry e o DEM deve lançar o ex-governador Mendonça Filho. A estratégia é a união no segundo turno da eleição.

Durante a eleição para o governo do Estado em 2006, Eduardo Campos era considerado como a terceira força. Tendo o então governador Mendonça Filho (DEM) e o ex-ministro Humberto Costa (PT) como oponentes, viu a campanha do petista perder forças após denúncias no escândalo da Máfia dos Vampiros. Atacado duramente pela campanha de Mendonça, Costa acabou ficando em terceiro lugar, com pouco mais de 1 milhão de votos. Costa acabou inocentado no ano passado, e hoje conseguiu se eleger para o Senado.

Com a polarização entre Mendonça Filho e Humberto Costa, Eduardo Campos chegou ao segundo turno com baixíssima rejeição, conseguindo uma vitória consagradora. Pessoas próximas a Eduardo diziam que o atual Governador estava saindo candidato apenas visando à Prefeitura do Recife em 2008, mas acabou dando sorte em estar no meio de uma disputa radicalizada.

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