Campanha de Marina admite mudanças, mas diz que 'está no jogo'

Para combater estagnação nas pesquisas, coordenador do PV diz que campanha passará por "ajustes de comunicação" ainda nesta semana

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Preocupados com a repercussão negativa da notícia que membros da campanha já admitem a vitória de Dilma Rousseff (PT) nas eleições de outubro, o coordenador da campanha de Marina se apressou em explicar o ocorrido nesta segunda-feira.

Segundo João Paulo Capobianco, a campanha de Marina não trabalha com a hipótese da candidata estar fora da disputa de segundo turno e intensificará as atividades nessa reta final de campanha.

A informação de que membros da campanha de Marina já haviam reconhecido em privado a vitória de Dilma foi adiantada pelo iG neste domingo , depois de um café da manhã que ocorreu em São Paulo entre colaboradores da campanha e a própria Marina Silva.

Após o encontro, alguns participantes afirmaram ao iG que o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas era “irreversível” e o partido já pensava em formar um palanque futuro para a candidata, que ficará sem o mandato no Senado a partir de janeiro.

Divulgação
A presidenciável Marina Silva (PV) durante café da manhã ao lado do coordenador de campanha, João Paulo Capobianco (direita) e de colaboradores do programa de governo

Apesar de não negar que o assunto fora discutido no encontro, Capobianco afirmou que se trata da opinião de pessoas próximas à Marina, mas que estão fora da coordenação da campanha e da Executiva Nacional do Partido Verde. “Não foi uma reunião de avaliação política da campanha. Era um encontro de colaboradores, que têm trabalho em algumas áreas de conteúdo importantes, mas que não estão dentro da coordenação, onde são tomadas as decisões políticas”, disse Capobianco.

Mesmo com a negativa, o coordenador da campanha de Marina afirma que o crescimento rápido de Dilma Rousseff foi debatido no café da manhã deste domingo, mas, de forma superficial e não deliberativa. Segundo ele, há realmente uma percepção muito forte entre algumas pessoas ligadas à Marina de que o crescimento de Dilma foi muito rápido e que há “uma onda muito forte” que elevou os índices de intenção de voto da ex-ministra da Casa Civil.

Mudança de rumo

A missão de Marina, segundo Capobianco, continua sendo a de se mostrar como alternativa para os projetos de Dilma e Serra. Para o coordenador, o partido se preocupa com a estagnação da candidata nas pesquisas, mas diz que é positivo o fato dela não perder votos nesse período, como aconteceu com José Serra (PSDB).

Por conta dessa estagnação, que já dura mais de quatro meses, o coordenador de Marina Silva afirma que a campanha fará ajustes nas estratégias de comunicação a partir desta semana. A ideia, segundo ele, é sair da mera apresentação de propostas e realçar a diferença de fato entre os projetos de Serra e Dilma, que são, na visão de Marina, “iguaizinhos” e que vendem um País “de novela”.

Capobianco nega, porém, que essas novas diretrizes farão a candidata verde subir o tom dos discursos contra os adversários nessa reta final. Para ele, a proposta é colocar o debate político nos eixos e acabar com essa onda de “já ganhou” que tomou conta do cenário eleitoral após as últimas pesquisas.

Ele diz que Marina vai intensificar os atos de campanha nas regiões Sul e Sudeste, onde a candidata tem mais potencial de crescimento e onde tem mais espaço na mídia. Ao estico do presidente Lula, o coordenador da campanha verde usa metáforas futebolísticas para dizer que ainda não entregaram os pontos. Segundo ele, a eleição não está decidida. “Nós não faremos como o Dunga, que volta para o 2° tempo com o mesmo time. Eleição é um bicho vivo e dinâmico, que reage aos impulsos e debates. Vamos reorganizar a estratégia em campo. Nós estamos no jogo e queremos estar na grande final”, afirma.

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