Caminhada de Dilma atrapalha casamento em São Bernardo

Último ato política da candidatura de Dilma passa próximo à igreja em que Lula refugiava-se durante protestos na década de 70

Ricardo Galhardo e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

A caminhada que marcou o final da campanha da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff , na manhã deste sábado em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, atrapalhou um casamento que estava sendo realizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, no centro da cidade.

O padre Giuseppe Bortolato celebrava o matrimônio do casal Andreia e Renato quando a caminhada chegou à Praça da Matriz com o carro de som entoando jingles de campanha. Para que o casamento seguisse sem interferência, o padre precisou aumentar o volume do sistema de som da igreja para que os convidados pudessem ouvir o sim dos noivos.

O ato final da campanha de Dilma jogou por água a baixo todo o planejamento feito pela noiva Andreia, de 39 anos, que tinha alugado um carro antigo para deixar a igreja em alto estilo. Mas, por conta do bloqueio das ruas laterais a praça feito pela segurança do presidente Lula, também presente na caminhada, o carro não pode chegar à porta da igreja. Andreia teve que caminhar até o local próximo onde, finalmente, pode entrar no carro alugado.

Segundo o padre Bortolato, a igreja não foi avisada do evento político nem pelo PT e nem pela assessoria da Presidência. Apesar disso, ele afirmou que não teve problemas. “A gente reza para que dê certo aqui (na igreja) e dê certo lá (na rua).”

Católico tropical
A igreja matriz de São Bernardo já chegou a servir de refúgio para Lula contra a perseguição da polícia durante as greves de operários na década de 70. O presidente, no entanto, não tem sido um paroquiano muito ativo desde que assumiu o cargo em Brasília.

Durante o tempo em que esteve à frente do sindicato, Lula frequentava todo ano a missa São José Operário, celebrada no dia 1 de maio. Em 2003, no primeiro ano de seu governo, ele foi à missa e, segundo os frequentadores da igreja, prometeu no altar que compareceria todos os anos enquanto fosse presidente, mas não voltou mais. O que levou aos membros da paróquia a chamá-lo de “católico tropical”.

Agência Estado
Último ato de campanha da candidata Dilma Rouseff
Caminhada de jipe
Por estar com o pé imobilizado, por conta de um acidente ocorrido na esteira, Dilma não pôde andar pelas ruas da cidade. Assim, Dilma, Lula, Mercadante e Dona Marisa acompanharam a candidata na caminhada a bordo de um jipe.

Em outro jipe estavam o candidato a senador Netinho de Paula e o senador Eduardo Suplicy. A também candidata ao Senado por São Paulo, Marta Suplicy, tentou pegar carona no jipe de Lula e Dilma e, como a parte de trás do carro já estava cheia, ela chegou a subir no banco da frente. Dilma, no entanto, pareceu não gostar muito e com uma careta fez a candidata ir para o jipe de trás.

O resto da comitiva de Dilma foi à pé, entre eles os coordenadores de campanha Antônio Palloci e José Eduardo Dutra, Marcos Lula (filho lula) e vários candidatos a deputados, além do prefeito de São Bernardo. A presença do ex-deputado mensaleiro Luisinho chamou a atenção. Em um primeiro momento Luisinho estava misturado no meio da multidão e depois passou para dentro da corda que separava candidatos da militância.

A segregação foi motivo de brincadeira para o ministro dos esportes, Orlando Silva. “Isso aqui está parecendo carnaval da Bahia, onde tem a turma do abada e a turma da pipoca”.

Dona Marisa também foi destaque no último ato político da candidatura de Dilma. Os trajes da primeira-dama chamaram a atenção dos petistas, principalmente pelo chapéu vermelho que lembrava aristocracia britânica.

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