Brasileiros vão às urnas em eleição inédita no País

Se Dilma vencer disputa, Brasil terá primeira presidente mulher; se Serra vencer, será a primeira virada no segundo turno

Matheus Pichonelli, Daniela Almeida e Rodrigo Rodrigues |

Após 28 dias de campanha intensa no segundo turno das eleições 2010, 135,8 milhões de brasileiros voltam hoje às urnas para escolher o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Seja qual for o cenário traçado na votação deste domingo, o resultado será inédito. Se a petista Dilma Rousseff , apontada como favorita pelas pesquisas de intenção de voto, sair vitoriosa, o Brasil terá escolhido pela primeira vez uma mulher para liderar o cargo mais alto do País. Se o tucano José Serra vencer, pela primeira vez um candidato à Presidência terá conseguido virar o jogo no segundo turno .

A eleição deste ano é a ainda a primeira desde a redemocratização na qual Lula não aparece como candidato. Dependendo do resultado, pode ser também a primeira vez nesse mesmo período que um partido consegue permanecer no poder por mais de oito anos. Independentemente de quem vencer a corrida, o governo que se instalar a partir do próximo dia 1º de janeiro possivelmente será o último governo de um presidente cuja biografia está diretamente associada à ditadura militar. Dilma integrou a luta armada contra o regime e Serra exilou-se no exterior diante da repressão ao movimento estudantil.

No primeiro turno da eleição presidencial, realizada no dia 3 de outubro, Dilma conquistou 47,6 milhões de votos (47% do total dos válidos), contra 33,1 milhões de Serra (33% do total). Nas últimas quatro semanas, os dois presidenciáveis voltaram às ruas em um esforço para fidelizar seus eleitores e buscar também apoio da fatia de 19% do eleitorado que, no primeiro turno, optou por Marina Silva (PV) para presidente. Assediada por PT e PSDB na nova etapa da disputa, a senadora ficou neutra no segundo turno, em uma manobra para preservar o capital político que conquistou ao longo da campanha.

Durante as quatro semanas do segundo turno, Dilma conseguiu manter a dianteira sobre o tucano. Na mais recente pesquisa Vox Populi/ iG , divulgada ontem, a ex-ministra aparece com 51% dos votos e Serra, com 39%.

Processo eleitoral

Com cerca de 5% de eleitores indecisos nesta reta final, segundo a última pesquisa Vox/iG, a preocupação agora tanto da campanha petista quanto na da tucana é que parte considerável dos eleitores deixe de comparecer às urnas em razão do feriado de Finados, no próximo dia 2 – muitos pretendem aproveitar a folga emendada com o fim de semana para viajar. O voto é obrigatório para brasileiros entre 18 e 70 anos e os eleitores devem comparecer às seções eleitorais independentemente de terem ou não votado no primeiro turno. Em 3 de outubro, o índice de abstenção foi de 18,12% - o que representa um universo de 24,6 milhões de pessoas.

Os mais de 200 mil brasileiros residentes em 154 cidades no exterior e que estão cadastrados pela Justiça Eleitoral deverão votar para os cargos de presidente da República. O maior colégio eleitoral brasileiro no exterior são os Estados Unidos, onde há mais de 66 mil eleitores cadastrados em dez cidades – 21.076 só em Nova York.

A participação dos presos provisórios do processo eleitoral deve ocorrer também durante o segundo turno em 25 Estados e no Distrito Federal. Apenas Goiás não conta com seções especiais destinadas aos presos provisórios e adolescentes em unidades de internação. Ao todo, 20.099 eleitores estão aptos a votar nesses locais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A votação começa às 8h. A partir das 17h, quando as 420 mil urnas eletrônicas espalhadas pelo País serão fechadas, começará a apuração desta que foi a campanha mais agressiva desde 1989. A disputa acontece ainda em oito Estados e no Distrito Federal, que terão de escolher seu futuro governador. Além do DF, serão decididas no segundo turno as disputas em Goiás, Alagoas, Paraíba, Piauí, Pará, Amapá, Roraima e Rondônia.

Apoio

Se for eleita, Dilma começará seu mandato, no ano que vem, com a maior base aliada já formada no Congresso. A petista contará com o apoio de 72,5% dos 513 deputados na Câmara e 74% dos 80 senadores. A ampla coalizão em torno de sua candidatura integrou partidos como o PMDB  - legenda de seu vice, Michel Temer (SP) - , PSB e PC do B. No segundo turno, veio ainda o endosso formal do PP. Com isso, a ex-ministra terá de buscar uma fórmula para encaixar os novos aliados na máquina federal e assegurar a satisfação dos partidos da base.

Já Serra contou com uma aliança mais restrita, cujo destaque fica por conta do DEM - partido de seu vice, Indio da Costa (RJ). O tucano, se eleito, terá como desafio imediato montar, a poucos meses do início do governo, uma base de coalizão com os partidos que hoje estão do lado da campanha petista. As apostas, como de costume, vão se concentrar no PMDB.

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