Brasil: 104º em ranking de participação de mulheres no Parlamento

Levantamento da União Interparlamentar, na Suíça, mostra que o País subiu 42 posições, mas o domínio ainda é dos homens

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O mais recente levantamento da organização União Interparlamentar (Inter-Parliamentary Union - IPU), com sede em Genebra, na Suíça, mostra que entre 2007 e 2010 o Brasil saltou da 146º posição em um ranking que monitora a participação das mulheres nos Parlamentos em 186 países para o 104º lugar ( considerandos os empates, está atrás de 138 países no total ).

Ainda está atrás de países como Angola, Bolívia, Senegal, e até mesmo aqueles onde a religião muçulmana é predominante, como Afeganistão e Turquia. A lista é liderada por Ruanda (56,3% de deputadas), Suécia (46,4%), África do Sul (44,5%) e Cuba (43,2%) - que desbancaram Finlândia e Argentina (que caíram para a 7ª e 12ª posição, respectivamente).

Os cálculos feitos pela organização, com base em dados colhidos até o último dia 30 de junho, mostram que dos 513 deputados brasileiros, apenas 45 são mulheres (8,7%). No Senado, são 10 senadoras (12,3%) no total de 81 parlamentares. Mas estes números ( do Senado ) não são computados no ranking, porque muitos países não possuem uma Câmera Alta no parlamento.

A cientista política Fernanda Feitosa, da ONG Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), diz que embora o País tenha subido 42 posições no ranking do IPU, ainda é pequeno o número de mulheres na Câmara e no Senado. "Entre 2002 e 2006 houve um incremento de 0,7%, saltamos de 42 para 45 deputadas", diz. "Melhorou, mas ainda é muito baixo", conclui Fernanda.

Outro levantamento, realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), órgão que fiscaliza o desempenho de deputados e senadores, a presença feminina na elite do Congresso, em termos proporcionais, ainda é inferior à participação das mulheres no Legislativo Federal.

O estudo revela que enquanto elas representam 9,3% do Congresso ( parlamentares da Câmara e do Senado ), "são apenas 6% na elite parlamentar que atua nestas duas Casas". Das 45 deputadas, nenhuma conseguiu até agora ocupar um cargo na Mesa Diretora.

Segundo o diretor de documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, na Câmara dos Deputados, Alice Portugal (PCdoB-BA), Luiza Erundina (PSB-SP), Rita Camata (PSDB-ES) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) são apontadas como "cabeças" da Casa, pelo papel de vice-líder das legendas que representam. "Elas conseguiram um lugar de destaque na atuação de seus partidos na Câmara. Mas nenhuma delas chegou à Mesa Diretora. É um desafio", diz.

"No Senado, a situação é um pouco diferente, a Serys Slhssarenko (PT-MT) ocupa a segunda vice-presidência da Mesa Diretora. Além disso, Ideli Salvati (PT-SC), é líder da bancada petista, e Kátia Abreu (DEM-TO), vice-líder dos democratas", acrescenta Queiroz.

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