Beto Richa vence no primeiro turno no Paraná

Apoio de Lula a Osmar Dias ajudou a diminuir diferença na reta final, mas não impediu vitória de tucano já na primeira etapa

Francisco Camargo, iG Paraná, e Gabriel Costa, iG Brasília |

Eleito dez vezes o melhor prefeito do Brasil - oito vezes no ranking Datafolha, e duas em pesquisa do Instituto Brasmarket - e escolhido como uma das 100 personalidades mais influentes do país, pela revista Época, o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa venceu neste domingo, no primeiro turno, as eleições para governador do Paraná, com 52,4% das intenções de voto contra 45,6% do pedetista Osmar Dias, e 1,4% do candidato do Partido Verde, Paulo Salamuni.

AE
Beto Richa, do PSDB, superou Osmar Dias, do PDT, e venceu as eleições para governador do estado do Paraná

Nascido em Londrina, em 1965, e graduado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Richa ingressou na vida pública ao se eleger deputado estadual pelo PSDB em 1994. Dez anos depois, após ser reeleito para o cargo e passar pela vice-prefeitura da capital paranaense, o tucano foi prefeito da cidade por dois mandatos consecutivos – e renunciou ao segundo para concorrer ao governo do Estado, o que lhe rendeu severas críticas, uma vez que havia prometido cumprir o período até o fim, e registrado tal promessa em cartório.

Se nos primeiros momentos da pré-campanha a vitória de Beto nas eleições ao governo do Paraná parecia uma aposta fácil frente à indefinição de seus possíveis adversários, às vésperas do pleito o cenário não parecia tão favorável, com a distância entre ele e Dias, em queda acelerada. Cada visita de Lula e Dila Rousseff ao Paraná parecia impulsionar a candidatura do senador do PDT, enquanto as passagens de Serra pelo Estado não demonstravam ter o mesmo efeito.

Expectativa de aliança com Dias

No dia 21 de junho, a pouco mais de três meses das eleições, ocorria em Brasília uma série de encontros dos comandos nacionais do PDT, PMDB e PT. Os partidos da base aliada do presidente Lula lançavam-se à derradeira tentativa para contar com o pedetista Osmar Dias como cabeça de chapa na disputa pelo governo do Paraná. Para o PT, o senador seria peça fundamental para uma aliança forte visando ao apoio à candidata do partido à Presidência da República, Dilma Rousseff, no quinto maior colégio eleitoral do País.

Caso não houvesse um acordo, o PSDB de Richa havia deixado uma vaga ao Senado em aberto, à espera da decisão de Dias, na expectativa de que o senador anunciasse apoio ao tucano. Na convenção do PSDB, realizada dois dias antes, o ex-prefeito de Curitiba tinha sido aclamado candidato. Ao mesmo tempo, era divulgada uma carta na qual Osmar consultava a direção do PDT se poderia coligar-se ao PSDB paranaense. Crescia a expectativa enquanto não vinha a resposta do PDT nacional.

Osmar insistia: sua posição respeitava o estatuto do partido, e possibilitava à Executiva avaliar todas as possibilidades de alianças. Afinal, lembrava, a sua decisão tinha sido tomada em julho do ano passado, “quando o presidente Lula disse que eu seria o candidato ao governo do Paraná formando alianças com os partidos da base do governo federal”. Enquanto isso, Richa, ainda sem contar com o candidato a vice e com um nome para a segunda vaga ao Senado em aberto, iniciava no dia 22 sua campanha pelo interior, visitando Maringá e mais 15 municípios da região.

Somente no dia 1º de julho veio, enfim, a definição. Osmar sairia mesmo candidato ao governo. Acompanhado de seu vice, Rodrigo Rocha Loures (PMDB), dos candidatos a senador Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), e dos dirigentes dos seis partidos que formariam a aliança, Osmar fez o esperado anúncio oficial. Classificou o processo de construção de sua candidatura como dolorido, mas com um resultado satisfatório. O governador Orlando Pessuti (PMDB), que abriu mão da candidatura à reeleição, não compareceu à coletiva.

Mudança do panorama
A confirmação da candidatura mudou radicalmente o panorama das eleições no Estado. Com o apoio de pesos pesados como o próprio presidente Lula e o PMDB de Pessuti, Dias entraria na disputa em condições de enfrentar de igual para igual o candidato do PSDB. O PMDB, além de comandar o Executivo estadual, tinha o maior número de prefeitos e deputados.

O presidente, por sua vez, prometeu se engajar pessoalmente na eleição do pedetista, o que ocorreu em seguidos comícios, inclusive o chamado “comício da virada”, na Boca Maldita, em Curitiba, ao lado de Dilma. Em 2006, a participação de Lula em um comício também no mesmo local foi considerada um dos fatores que levaram o então governador Roberto Requião à reeleição, vencendo ninguém menos que o agora aliado Osmar Dias. Enquanto isso, o pedetista afirmava que sua candidatura respondia ao apelo de Lula por uma garantia à continuidade dos programas sociais do governo federal no Paraná, especialmente o Bolsa Família.

Com o peso político e prestígio de Lula ao lado da candidatura de Dias, o quadro tornou-se gradualmente mais favorável ao pedetista e, enquanto a diferença entre ele e Richa chegou a dez pontos em meio à campanha, ambos os candidatos chegaram à véspera das eleições empatados em 45% das intenções de voto cada. A escalada do pedetista, no entanto, não foi suficiente para tirar das mãos de Beto a vitória.

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