Depois das eleições, Marcio Lacerda começa a transição em Belo Horizonte
27/10 - 12:46
Redação
BELO HORIZONTE - Depois de provocar a segunda virada no segundo turno das eleições municipais de Belo Horizonte e vencer o rival Leonardo Quintão (PMDB), com uma frente de 236.762 votos, o futuro prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), começa a articular nesta semana o que chamou de “governo de transição”. Na primeira entrevista que concedeu, após a totalização dos votos, Lacerda disse que sua prioridade será cumprir o orçamento da forma “mais produtiva possível”.
Segundo ele, sua equipe de transição irá trabalhar no sentido de fazer com que as propostas de governo apresentadas durante a campanha convirjam para o orçamento, de modo a cumprir os compromissos assumidos.
Ele disse que, primeiramente, vai desmontar sua estrutura de campanha e fechar as contas dos gastos do primeiro e do segundo turno. “Nós temos tarefas de desmontar a nossa estrutura de campanha. Eu, como candidato, sou o responsável maior pelo comitê financeiro. Tenho de fechar as contas, tudo dentro da lei”, disse ele, destacando que, paralelamente, começará a planejar uma estrutura de transição.
Sucessor de um aliado na prefeitura, seu padrinho político e atual prefeito, Fernando Pimentel (PT), Lacerda adiantou que adotará medidas de impacto nos primeiros meses. “Acho que o próprio governo de transição já significa um planejamento do que precisa ser feito. Belo Horizonte tem um orçamento que está sendo discutido na Câmara e tem de ser colocado em execução. A prioridade é cumprir o orçamento da forma mais produtiva possível. E já desde o governo de transição fazer com que as nossas propostas de governo convirjam para este orçamento e estejamos preparados para realmente cumprir todos os nossos compromissos. Mas temos certeza que nosso programa de governo é bastante factível e teremos a felicidade de chegar daqui a quatro anos e mostrar para a população que cumprimos nosso compromisso”, acentuou.
Sobre a grande votação recebida, o eleito a vinculou ao trabalho feito no segundo turno. “A população soube compreender as especificidades, as diferenças de cada candidato, de cada projeto, dos seus apoios. Certamente, a população é sábia. Belo Horizonte tem pessoas muito conscientes e souberam escolher”, disse, ao descartar alguma mágoa ou seqüela.
Ele minimizou também o alcance dos ataques feitos dos dois lados durante a campanha do segundo turno. “Isso faz parte do calor campanha, não guardo mágoa”, afirmou o futuro prefeito. “Acho que o homem público, com uma visão mínima de futuro, no interesse público, não pode colocar mágoas pessoais na condução dos negócios públicos”.
Tanto é que, ainda ontem, após o resultado oficial, ele recebeu um telefonema de Leonardo Quintão, cumprimentando-o pela vitória, desejando sucesso e colocando-se à disposição no Congresso. “Disse a ele que agradecia muito e o cumprimentava também porque ele saiu da campanha, como político, como homem público, melhor do que entrou, ele cresceu neste processo. Isto é muito bom para Belo Horizonte”. Quanto à participação no governo, Lacerda disse que irá priorizar a montagem do governo com os partidos que o apoiaram.
Ainda ontem, o governador Aécio Neves (PSDB) afirmou que a eleição de Marcio Lacerda é a vitória da “tese da convergência”. “A vitória tem um significado importante para o prefeito Fernando Pimentel, que enfrentou dificuldades internas dentro de seu partido e que Minas haverá de reverenciar no futuro, e de Márcio Lacerda, que soube manter sua campanha em altíssimo nível”, disse, em coletiva no Palácio das Mangabeiras.
Sobre o futuro da aliança, Aécio disse há uma “disposição ao entendimento”. “É uma semente que foi plantada aqui, agora, quando e quanto vai germinar, vai depender do Brasil, do quanto ela tenha sido importante”, afirmou o governador.
AE
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