Patrus e Pimentel admitem fazer as pazes

26/10 - 16:21

Redação

BELO HORIZONTE - Afastados pela sucessão municipal de Belo Horizonte, na qual divergiram da condução e candidatura, os petistas Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e o prefeito de BH, Fernando Pimentel, admitiram uma reconciliação após o fim destas eleições.

"Passadas as eleições, o melhor a fazer é sentarmos, conversarmos e criarmos as bases para uma nova, mais fraterna e solidária convivência no PT", disse Patrus Ananias, que não mudou sua posição de condenação à aliança feita por Pimentel com o tucano Aécio Neves e não revelou seu voto neste segundo turno.
 
Patrus disse que respeita Pimentel e que tem um canal permanente de convivência com ele. "É uma pessoa que eu respeito e estimo. Foi meu secretário da Fazenda, foi bom secretário e bom prefeito. O processo da escolha de Marcio Lacerda foi conduzido de forma excludente, mas eu sei separar as questões políticas das questões pessoais", disse Patrus.
 
Em carta à direção estadual, na última quinta, o ministro se disse "alijado" do processo decisório do PT na capital mineira e condenou a aproximação com tucanos. Ele até discordou do governador Aécio Neves, quando ele disse, na sexta, que há mais afinidades entre o seu partido e o dele, em BH, do que na base aliada do presidente Lula. "Com todo respeito que eu tenho pelo governador, discordo da sua afirmação. Nós temos concepções de estado diferentes, de políticas sociais diferentes. Política social não pode ser feita só por Organizações Não-Governamentais, nunca defendi um estado mínimo, mas isso não quer dizer que não possamos estar juntos."

A carta de Patrus rachou seu próprio grupo político, que esperava dele uma manifestação em favor do candidato Marcio Lacerda para evitar o que chamaram de "aventura" que seria representada pela candidatura de Leonardo Quintão. Diante das reações, Patrus decidiu votar sem a presença da imprensa e cancelou a agenda divulgada anteriormente de que votaria às 9 horas de hoje na PUC/Minas (Oeste de BH). Sua assessoria ligou para as redações avisando que ele não iria divulgar o horário da votação.

Pimentel também considerou possível uma reaproximação entre os dois. "Patrus é um amigo de muitos anos, estimado. Divergências políticas são naturais ao longo da trajetória da gente. Isso não cria nenhuma ruptura." O prefeito rebateu a crítica feita por Patrus de que o PT teria "desaparecido" do processo eleitoral em Belo Horizonte. "Elegemos uma excelente bancada de seis vereadores e estamos na chapa majoritária com o vice Roberto Carvalho. Não tem nada de enfraquecido, o PT está forte e firme em BH e em Minas", disse.

O prefeito Fernando Pimentel disse, na manhã deste domingo, que permanecerá defendendo uma maior aproximação entre o seu partido e o PSDB, independentemente do resultado das eleições na capital mineira. "Vou continuar defendendo a mesma tese de convergência, de aproximação e de diálogo entre essas duas forças políticas que hoje são oponentes no cenário nacional, mas que precisam conversar e ter uma agenda comum para o país progredir", argumentou o prefeito.
Pimentel, entretanto, ressalvou que essa aproximação não significa, necessariamente, que as legendas estarão unidas na disputa eleitoral de 2010. "Em 2010 dificilmente vai haver aproximação eleitoral. Nós defendemos uma tese política que em alguns momentos pode se transformar em tese eleitoral. Isso foi possível em Belo Horizonte, mas não significa que será em outros lugares do Brasil", afirmou o petista.

Topo