Lacerda vence disputa com Quintão e é eleito prefeito de Belo Horizonte
26/10 - 19:28, atualizada às 22:52 26/10
Redação
BELO HORIZONTE - Marcio Lacerda, do PSB, é o novo prefeito da capital mineira. Lacerda terminou o 2º turno com 59,12% dos votos, contra 40,88% de Leonardo Quintão, do PMDB. Os votos brancos totalizaram 3,52%, e os nulos, 7,41%. As abstenções foram de 17,78%. No 1º turno, Larceda também havia recebido o maior número de votos dos eleitores.
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Ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, Marcio Lacerda deu uma entrevista coletiva após a confirmação da sua vitória em Belo Horizonte. Ambos comentaram o resultado final da apuração e a pesquisa Ibope, divulgada na noite de sábado, que apontava empate técnico entre os dois candidatos.
"O Ibope deve uma explicação à população de Belo Horizonte. Nós não estamos falando de equívocos naturais de avaliações, mas de um erro crasso, que eu jamais tinha visto numa campanha eleitora"”, criticou Aécio.
Lacerda apenas reforçou as queixas do governador, utilizando-se praticamente das mesmas palavras.
Quintão, derrotado no segundo turno, parabenizou Lacerda. "Ele foi vencedor, teve méritos e desejo que faça um governo voltado para os mais pobres. A partir de amanhã (segunda-feira), meu mandato de deputado federal estará à disposição para colaborar", disse.
Quando questionado sobre a mudança de tom com relação ao primeiro turno, quando chamou Lacerda de mensaleiro, Quintão disse que os ataques devem ser esquecidos. "Passou, e nem lembro mais disso".
Antes da chegada de Quintão ao seu comitê para entrevista coletiva, o clima entre os militantes era de desolação, mas ao avistarem o candidato todos aplaudiram e tentaram se aproximar para abraçá-lo.
Quem é Marcio Lacerda
De milionário desconhecido a prefeito de uma das mais importantes capitais do País. A rápida ascensão do empresário Marcio Lacerda (PSB) na política deve muito ao apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT). Os padrinhos o colocaram em boas condições na disputa, mas Lacerda tomou um susto com a aproximação de Leonardo Quintão (PMDB) no 2º turno.
A ascensão foi meteórica. Aos 62 anos, sem nunca ter disputado um cargo eletivo, Lacerda começou a campanha com 8% das intenções de voto na pesquisa Ibope. Um mês depois, em 15 de agosto, Jô Moraes ainda liderava com 18% das intenções de voto, enquanto Lacerda aparecia em terceiro com 9%. O candidato do PSB só assumiu o primeiro lugar quando começou o horário eleitoral na TV, no final de agosto. Em pesquisa Datafolha divulgada no dia 23 de agosto, ele tinha 21%, um crescimento de 15 pontos percentuais em relação à rodada anterior. Jô aparecia com 17%. Uma semana depois os institutos já indicavam que ele venceria em primeiro turno.
Em setembro, Quintão cresceu e se aproximou de Lacerda no segundo lugar. O resultado foi a surpresa do segundo turno, em que o peemedebista esteve na frente durante todo o mês de outubro. Desta vez, a zebra foi Lacerda, que venceu a eleição contra as previsões das pesquisas.
A escolha de um candidato desconhecido para representar uma aliança polêmica parece ter dado certo. O fato de o diretório nacional do PT ter vetado a coligação com o PSDB apenas impediu a união formal dos dois partidos.
Com a eleição de Lacerda, Aécio sai fortalecido para tentar disputar a Presidência e Pimentel ganha pontos para disputar o Senado ou o governo mineiro em 2010.
| Arte/US |
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Quem é Marcio Lacerda?
A experiência política começou no fim da década de 60, quando fez parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Após a militância na esquerda, que lhe rendeu quatro anos de prisão, Lacerda tomou outro caminho. Fundou uma empresa em 1975, a Construtel, especializada na construção de redes de telefonia, e enriqueceu. Hoje, Lacerda tem o maior patrimônio entre os candidatos a prefeito: R$ 55 milhões declarados ao TSE, a ampla maioria em fundos de investimento.
No período em que foi empresário, resumiu sua atuação política a entidades patronais como a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais).
A volta à política partidária ocorreu em 2003, quando se tornou secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, no período em que Ciro Gomes chefiava a Pasta. Ele foi um dos maiores doadores à campanha de Ciro à Presidência em 2002. Além disso, liderou uma das frentes de arrecadação para a campanha, fazendo reuniões com empresários.
Lacerda tornou-se conhecido no cargo quando foi acusado de ter recebido dinheiro do empresário Marcos Valério no escândalo do mensalão. O então secretário acabou inocentado pela CMPI dos Correios e pela Polícia Federal, mas deixou o ministério antes.
De abril de 2007 a maio de 2008 foi secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, a convite de Aécio Neves.
| Arte/US |
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Como foi o primeiro turno
O PSB já havia definido Marcio como pré-candidato em abril, mesmo com o veto da direção nacional do PT à aliança com o PSDB. A indicação irritou parte da sigla. Lacerda se filiou ao partido em 2007, e a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ana Lúcia Gazzola também queria disputar a prefeitura.
No início da campanha, Lula chegou a dizer que poderia subir no palanque de Lacerda, mas desistiu.
Já o PRB do vice-presidente José Alencar coligou-se com o PCdoB e indicou o candidato a vice de Jô Moraes, Cláudio Sampaio. O companheiro de Lula chegou a trocar farpas com Lacerda durante a campanha.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, investiu na campanha de Quintão e chegou a ser o âncora dos programas do candidato, lembrando a época em que foi apresentador de telejornal. Os ministros mineiros Luiz Dulci e Patrus Ananias também foram contra a indicação de Lacerda e evitaram participar da campanha.
No início da campanha, um grupo de cerca de 50 petistas foi além e encaminhou ao diretório nacional um documento acusando a sigla na capital de ter desobedecido à resolução da direção nacional. Entre os militantes que declararam apoio informal a Jô estão o ex-deputado estadual Rogério Correia, o ex-prefeito de Betim Jesus Lima e o superintendente regional do Incra, Marcos Helênio.
“O veto do PT é passado, não tem a menor relevância”, disse Aécio no lançamento da candidatura, no início de julho. Já Pimentel afirmou no mesmo evento que a convergência afastava o “sectarismo e o partidarismo rasteiros”.
A amizade com Pimentel é antiga. Os dois se conheceram na cadeia na década de 70. Lacerda se aproximou de Aécio quando assumiu o cargo de secretário de seu governo no ano passado. Lacerda foi uma indicação da Fiemg.
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| Lacerda e Quintão durante um dos debates televisivos do 2º turno |
Os ataques
Para tentar amenizar os efeitos dessa aliança o PCdoB acionou a Justiça no início da campanha para que Aécio não aparecesse nos programas de Lacerda. Mas somente na última semana o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a veiculação das imagens do governador.
Quando consolidou a liderança isolada, Lacerda se tornou o alvo dos ataques de todos os candidatos, à exceção de Gustavo Valadares (DEM), unidos no esforço para que houvesse segundo turno.
O PCdoB acionou a Justiça no início da campanha para que Aécio não aparecesse nos programas de Lacerda. Mas somente na última semana do primeiro turno o TSE proibiu a veiculação das imagens do governador. Jô Moraes anunciou a descoberta de uma dívida de R$ 1,5 milhão da empresa de Lacerda com a prefeitura.
A ofensiva funcionou. Mesmo com o crescimento nas pesquisas, a diferença de apenas dois pontos percentuais entre Lacerda e Quintão no primeiro turno foi uma das grandes surpresas da eleição em todo o País. Durante boa parte da campanha, Aécio e Pimentel estiveram seguros de que seu candidato levaria a prefeitura já no dia 5.
Como foi a campanha no 2º turno
No 2º turno, Quintão partiu para cima. No campo adversário, Aécio e Pimentel sentiram o susto. O vale-tudo tomou conta da disputa na segunda semana de campanha em outubro.
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O candidato do PSB trocou a coordenação da campanha e colocou o deputado federal Virgílio Guimarães (PT) à frente do seu quartel-general. De vítima dos ataques no primeiro turno, Lacerda passou à ofensiva e mostrou imagens em que Quintão aparece dando chutes no ar e convocando os aliados a "chutarem a bunda deles" (dos adversários).
O vídeo foi gravado durante uma convenção do PMDB, em Ipatinga, no mês de julho, quando seu pai era confirmado candidato à reeleição. Também foram distribuídos panfletos com os dizeres: “Fora Sebastião e Leonardo Quintão. Aqui, não!”.
A campanha agressiva não teve o efeito esperado. Segundo a pesquisa Ibope divulgada em 15 de outubro, Quintão estava 18 pontos percentuais à frente do adversário – 51% contra 33% das intenções de voto.
Outro episódio polêmico foi o pedido de proteção feito por Quintão à Polícia Federal. O candidato do PMDB acusou os coordenadores da campanha de Lacerda, os deputados Virgílio Guimarães (PT) e Miguel Correia Junior (PT), de terem contratado pessoas para intimidá-lo nos eventos de rua.
No dia 13, Jô Moraes finalmente declarou apoio a Quintão. Na semana anterior, a direção nacional do PCdoB havia tentado convencê-la a apoiar Lacerda em nome das boas relações com o PSB. Depois, tentou a neutralidade, mas as farpas do primeiro turno não deixaram outra opção à candidata derrotada que não o apoio ao peemedebista.
O PDT do ex-deputado Sérgio Miranda, que também foi candidato, declarou apoio a Lacerda. Miranda preferiu não participar da campanha do empresário. Já o candidato do DEM no 1º turno, o deputado estadual Gustavo Valadares, apenas sinalizou apoio a Lacerda na última semana de campanha.
O adversário
Leonardo Quintão, 33 anos, nasceu em Taguatinga (DF), é administrador de empresas e economista. O deputado começou na política com a ajuda da família. Seu pai, Sebastião Quintão, é prefeito de Ipatinga, principal cidade do Vale do Aço, mas foi derrotado nas eleições deste ano. O tio, Geraldo Quintão, foi deputado estadual por três mandatos até 1975.
O deputado elegeu-se vereador de Belo Horizonte em 2001 pelo PMDB, mas no mesmo ano migrou para o PSB com o pai, que se candidatou ao Senado em 2002, mas não foi eleito. Antes de voltar ao partido de origem, foi filiado ao antigo PFL. Quintão foi eleito para a Assembléia Legislativa em 2002 com poucos mais de 60 mil votos. Em 2006, chegou à Câmara dos Deputados com 135.306 votos.
O dia dos candidatos na capital mineira
Divulgação
Governador de Minas Gerais, Aécio Neves (esq) comemora com Lacerda a vitória em Belo Horizonte
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