Collor abre crise na coligação de Lacerda e irrita Quintão

15/10 - 17:07

Redação

BELO HORIZONTE - A Executiva Municipal do PTB de Belo Horizonte ameaçou nesta quarta deixar a coligação do candidato a prefeito Marcio Lacerda (PSB) por conta das críticas do coordenador da campanha, deputado federal Virgílio Guimarães (PT), ao senador petebista Fernando Collor de Melo, comparando-o ao adversário, Leonardo Quintão, candidato do PMDB. Em nota à imprensa, a direção do PTB cobrou um pedido de desculpas formal. As declarações de Guimarães e do candidato a vice, Roberto Carvalho, contra Collor e Quintão foram dadas ontem. O PTB faz parte da coligação de Lacerda.

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"O entendimento com a coligação pode estar  por um fio, e as declarações incomodaram  à direção municipal, que se reunirá nas próximas horas para avaliar a questão", diz a nota, acrescentando que foi "com surpresa e indignação" que o partido recebeu as declarações. "O PTB de Belo Horizonte repudia as declarações do deputado, afirmando que elas não têm o mínimo fundamento jurídico. Collor de Mello sofreu 185 processos quando então Presidente da Republica e, em todos eles, foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), corte maior da justiça brasileira", disse o secretário-geral da legenda na capital, professor Rodrigo Sousa.
 
De acordo com Virgílio Guimarães, a candidatura de Quintão lembra muito o esquema Collor. "Há indícios de caixa dois na sua campanha, além do que o candidato está por trás da campanha de difamação contra Marcio Lacerda, no primeiro turno", atacou.

O ex-presidente Fernando Collor foi eleito em 1989 numa campanha na qual foi tratado de "fenômeno" por ter deixado o cargo de governador do pobre Estado da Alagoas e, numa corrida meteórica, tornado-se o primeiro presidente eleito do país, após 21 anos de ditadura e 25 anos sem eleições diretas. Dois anos e meio depois, foi cassado por corrupção por conta do esquema PC Farias (arrecadação de dinheiro

AE
Quintão e Lacerda durante debate
Quintão e Lacerda em debate
para a campanha).

Quintão ficou irritado com a comparação e crítica. "Eu respeito as pessoas, mas eu não vou responder a coordenador. Quem responde coordenador é outro coordenador. Se ele tem provas que as mostre. Eu não estou atacando ninguém, estou recebendo ataques", disse Quintão, que evitou o confronto, embora manifestasse nervosismo.
 
"Eu não quero fazer do segundo turno um campo de batalha. Duas pessoas não brigam quando uma não quer. Eu não quero o poder a qualquer custo", afirmou Quintão, denunciando que o rival, Marcio Lacerda, está contratando pessoas (claques) para tumultuarem os debates.

Desde o início do segundo turno, os dois já participaram de cinco debates. Outro, marcado para a noite de segunda-feira, não aconteceu, na Faculdade Promove, por conta de tumultos. De lá, Quintão saiu escoltado pela Polícia Militar ante a ameaça de pessoas, que, segundo ele, usavam o adesivo de Lacerda.
 

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