Vale-tudo toma conta da campanha em Belo Horizonte

14/10 - 11:05

Redação

BELO HORIZONTE - Muito mais do que um confronto, o vale-tudo tomou conta da campanha eleitoral em Belo Horizonte. Depois de ser vítima do que chamou de “campanha difamatória” no primeiro turno, quando mensagens apócrifas pela internet e panfletos clandestinos o acusaram de ter participado do mensalão (esquema de compra de votos no Congresso em favor do Governo Lula), o candidato Marcio Lacerda, do PSB, decidiu partir para o ataque e a usar os mesmos expedientes.

No primeiro do retorno da propaganda eleitoral, neste segundo turno, os comerciais da coligação de Lacerda exibiram um vídeo no qual o adversário, Leonardo Quintão (PMDB), aparece dando chutes no ar e convocando os aliados a "chutarem a bunda deles" (dos adversários).

- Divulgação
Lacerda (esq.) e Quintão, à direita
Quintão, à direita, e Lacerda (esq.)
O vídeo foi exibido à exaustão nesta segunda-feira e foi gravado durante uma convenção do PMDB, em Ipatinga (Vale do Aço – Leste de Minas), no mês de julho, quando seu pai, o atual prefeito da cidade Sebastião Quintão, era confirmado candidato à reeleição. "Vamos chutar a bunda deles", gritava Quintão para delírio dos convencionais. Quintão repetiu o gesto por três vezes e ainda pediu aos aliados para que fizessem o mesmo e foi atendido. Seu pai perdeu a reeleição para o PT, partido que havia destronado depois de 16 anos de mando na cidade do leste mineiro.

Os advogados de Quintão recorreram à Justiça Eleitoral para proibir o vídeo. O candidato admitiu que fez aquilo movido pela emoção e descontração. No mesmo dia, Quintão obteve deferimento parcial a uma representação sua na Justiça Eleitoral, que determinou o recolhimento de panfletos ofensivos à sua candidatura e a seu pai, de autoria do PT de Belo Horizonte.

O juiz determinou a busca e a apreensão de todo o material, que os representados cessem a distribuição e procedam ao depósito de todos os impressos na sede da Comissão da Fiscalização da Propaganda Eleitoral, sob pena de crime de desobediência.

De acordo com a representação, o material, que era distribuído em alguns bairros de Belo Horizonte com o título: “Fora Sebastião e Leonardo Quintão. Aqui, não!”, teriam o intuito de denegrir a imagem do representante e de criar, artificialmente, na opinião pública, “estados mentais e passionais”, em relação ao candidato Quintão, divulgando como verdade meras suposições sobre sua participação na administração da Prefeitura de Ipatinga, na gestão de seu pai, Sebastião Quintão.

No meio da noite, ao participar de um evento na Faculdade Promove, Leonardo Quintão precisou ser escoltado para sair de uma sabatina interrompida por um tumulto na Faculdade Promove, Centro de Belo Horizonte. No mesmo horário, o candidato do PSB, Marcio Lacerda, participava de uma sabatina no Centro Universitário UNI-BH. As coordenações das duas campanhas alegaram divergências para conciliar a participação em debates estudantis e de entidades de classe. Por isso, os dois eventos, que seriam debates, se transformaram em sabatinas.

Os tumultos começaram por volta de 20h30, quando houve uma invasão na escola pela claque de Lacerda, que gritava que o debate foi armado para que o seu candidato não participasse. Ante o tumulto, Quintão foi retirado de local e foi levado para o 5º andar do prédio, um andar acima onde ocorreria o debate. Três viaturas da Polícia Militar reforçaram a segurança no local. “Falaram várias coisas, coisas contra a minha pessoa, distribuíram panfletos com assinatura do PT municipal contra mim, em relação à Ipatinga. Eu quero ser eleito, mas não quero a qualquer preço, não”.

No mesmo horário, o candidato do PSB discursava para uma platéia comportada no UNI-BH. Sobre a confusão, ele disse não ter conhecimento.

Investigação de crime eleitoral

Ainda ontem, representantes dos 14 partidos que formam a coligação Aliança por BH protocolaram no Tribuna Regional Eleitoral mineiro (TRE-MG) uma ação solicitando à Procuradoria Regional Eleitoral abertura de investigação de crime eleitoral caracterizado pelas campanhas difamatórias contra o candidato a prefeito de BH, Marcio Lacerda (PSB).

De acordo com o deputado federal e coordenador da campanha de Marcio Lacerda, Virgílio Guimarães, a campanha de difamação contra o candidato se deu principalmente na internet e por meio de cartazes. “Eles tentaram desconstruir a imagem de homem probo, correto, trabalhador e eficiente que é Marcio Lacerda”, afirmou Guimarães, após ser recebido, junto com os representantes dos partidos, pelo presidente do TRE-MG, desembargador Almeida Melo.

A representação pede que todos os envolvidos sejam denunciados e processados pela prática dos crimes de calúnia, injúria e difamação praticados com o fim da propaganda, além de formação de quadrilha.
Virgílio Guimarães também questionou a prestação de contas da campanha do candidato Leonardo Quintão, classificada por ele como uma farsa. “É uma enganação completa porque tem um comitê que não tem conta de luz, de telefone e de água. Os funcionários são somente três”, disse. “É a campanha de mais baixo nível que Belo Horizonte já teve. Uma campanha de mentiras contra Marcio Lacerda, como mentirosa também é a prestação de contas do nosso adversário”, disse Virgílio Guimarães.

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