Em Belo Horizonte, Quintão e Lacerda disputam segundo turno
05/10 - 19:10, atualizada às 01:49 06/10
Larissa Morais
BELO HORIZONTE - Haverá segundo turno para a Prefeitura de Belo Horizonte, indica a totalidade das urnas da eleição apuradas. O candidato Marcio Lacerda (PSB) está com 43,59% dos votos válidos, pouco à frente de Leonardo Quintão (PMDB), que tem 41,26%.
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Lacerda, apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), não conseguiu repetir o desempenho de seus padrinhos, que venceram suas últimas eleições, respectivamente para governador e para prefeito, no primeiro turno.
| Arte/US |
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A terceira colocação está com Jô Moares (PC do B), que conta com 8,82%. Os demais candidatos são: Sergio Miranda de Matos Brito (3,40%), Gustavo de Cunha Pereira Valadares (1,51%), Vanessa Portugal Barbosa (0,57%), Jorge André Souza Periquito (0,38%), André Antonio Alves (0,35%) e Pedro Paulo de Abreu Pinheiro (0,13%). Votos brancos somam 6,13% do total, enquanto os nulos chegam a 8,38%.
Depois da eleição, satisfeito com o resultado do primeiro turno, Quintão comentou o apoio de Aécio Neves a Lacerda. “Lamento, mas o governador tomou o trem errado. Sou um parceiro melhor e já havia conversado com ele sobre este assunto. Infelizmente, o resultado provou que eu estava certo”, disse, já traçando seus planos para o segundo turno: "Vou reunir a maior aliança possível. Irei procurar os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci. As esquerdas vão se unir em torno do PMDB. A militância do PT está comigo”.
Já Marcio Lacerda, que apesar da liderança no primeiro turno ficou mais próximo de Quintão do que apontavam as pesquisas, disse que seu desempenho superou as expectativas. “Foi a minha primeira experiência numa eleição majoritária e sou o primeiro entre os nove candidatos”, afirmou o socialista, que garantiu a intenção de participar dos debates do segundo turno, ao contrário do que fez no primeiro. "Agora irei para todos os encontros porque é meu desejo mostrar as diferenças entre cada proposta”, explicou.
Como foi a campanha
Lacerda sofreu um verdadeiro bombardeio dos adversários na última semana. A linha de frente dos ataques coube a Jô Moraes, mas quem subiu nas pesquisas foi Quintão.
A rápida ascensão do milionário empresário na política impressionou. O apoio do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel (PT) já colocava Lacerda em boas condições na disputa.
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| Quintão e o vice mostram seus títulos |
A subida foi meteórica. Aos 62 anos, sem nunca ter disputado um cargo eletivo, Lacerda começou a campanha com 8% das intenções de voto na pesquisa Ibope. Um mês depois, em 15 de agosto, a deputada federal Jô Moraes ainda liderava com 18% das intenções de voto, enquanto Lacerda aparecia em terceiro com 9%. O candidato do PSB só assumiu o primeiro lugar quando começou o horário eleitoral na TV, no final de agosto. Em pesquisa Datafolha divulgada no dia 23 de agosto, ele tinha 21%, um crescimento de 15 pontos percentuais em relação à rodada anterior. Jô aparecia com 17%. Uma semana depois os institutos já indicavam que ele venceria em primeiro turno.
A escolha de um candidato desconhecido para representar uma aliança polêmica parece ter dado certo. O fato de o diretório nacional do PT ter vetado a coligação com o PSDB apenas impediu a união formal dos dois partidos.
Se Lacerda for eleito, Aécio sairá fortalecido para tentar disputar a Presidência e Pimentel ganhará pontos para disputar o Senado ou o governo mineiro em 2010. Segundo analistas, a população de Belo Horizonte pode perder com a supressão do conflito de idéias e a união de adversários históricos.
O PSB já havia definido Marcio como pré-candidato em abril, mesmo com o veto da direção nacional do PT à aliança com o PSDB. No início da campanha, Lula chegou a dizer que poderia subir no palanque de Lacerda, mas desistiu. Jô e Quintão, candidatos de partidos da base aliada, reuniram-se em 9 de julho com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Os dois manifestaram preocupação em não criar um “clima de disputa” na base de sustentação do governo.
| - Divulgação |
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| Lacerda com seu vice e o prefeito Pimentel |
Já o PRB do vice-presidente José Alencar coligou-se com o PCdoB e indicou o candidato a vice de Jô Moraes, Cláudio Sampaio. O companheiro de Lula chegou a trocar farpas com Lacerda durante a campanha.
Descontente com a aliança entre tucanos e petistas, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, investiu na campanha de Quintão e chegou a ser o âncora dos programas do candidato, lembrando a época em que foi apresentador de telejornal.
Os ministros mineiros Luiz Dulci e Patrus Ananias também foram contra a indicação de Lacerda, mas evitaram participar da campanha.
No início da campanha, um grupo de cerca de 50 petistas foi além e encaminhou ao diretório nacional um documento acusando a sigla na capital de ter desobedecido à resolução da direção nacional. Entre os militantes que declararam apoio informal a Jô estão o ex-deputado estadual Rogério Correia, o ex-prefeito de Betim Jesus Lima e o superintendente regional do Incra, Marcos Helênio.
“O veto do PT é passado, não tem a menor relevância”, disse Aécio no lançamento da candidatura, no início de julho. Já Pimentel afirmou no mesmo evento que a convergência afastava o “sectarismo e o partidarismo rasteiros”.
Os ataques
Para tentar amenizar os efeitos dessa aliança o PCdoB acionou a Justiça no início da campanha para que Aécio não aparecesse nos programas de Lacerda. Mas somente na última semana o TSE proibiu a veiculação das imagens do governador.
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| Quintão com Jô e os petistas rebeldes na sexta |
Lacerda se tornou o alvo dos ataques de todos os candidatos, à exceção de Gustavo Valadares (DEM), unidos no esforço para que houvesse segundo turno.
A ofensiva contra o candidato começou com a circulação de e-mails acusando-o de envolvimento no mensalão e de ter sido ajudado pelos militares a ser empresário. Mas a denúncia mais concreta foi a descoberta de uma dívida de R$ 1,5 milhão da Construtel com a prefeitura. Outra crítica dos adversários a Lacerda foi sua ausência nos debates.
Lacerda admitiu pela primeira vez a possibilidade de segundo turno no dia 2 de outubro. O candidato lembrou os 16 anos do PCdoB na prefeitura com o PT para pedir o apoio de Jô Moraes.
Para o segundo turno Quintão deve contar com o apoio de Jô Moraes, que já negou a possibilidade de estar ao lado de Lacerda. Com ela, deve vir o respaldo de José Alencar, do PRB e dos petistas descontentes com a aliança entre PT e PSDB. O presidente Lula deve se manter afastado da disputa, como Patrus e Dulci.
Quem são Lacerda e Quintão
A experiência política do administrador de empresas Marcio Lacerda começou no fim da década de 60, quando fez parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Após a militância subversiva que lhe rendeu quatro anos de prisão, Lacerda tomou o caminho oposto e fundou uma empresa em 1975, a Construtel, especializada na construção de redes de telefonia. A empresa fechou as portas em 2004. Tem o maior patrimônio entre os candidatos, R$ 55 milhões declarados ao TSE.
A volta à política em si ocorreu em 2003, quando se tornou secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional. O companheiro de partido Ciro Gomes chefiava a Pasta. Lacerda tornou-se conhecido no cargo quando foi acusado de ter recebido dinheiro do empresário Marcos Valério no escândalo do mensalão. O então secretário acabou inocentado pela CMPI dos Correios e pela Polícia Federal, mas deixou o ministério antes.
De abril de 2007 a maio de 2008 foi secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, a convite de Aécio Neves.
Leonardo Quintão, 33 anos, é administrador de empresas e economista. O deputado começou na política com a ajuda da família. Seu pai, Sebastião Quintão, é prefeito de Ipatinga e candidato à reeleição. O tio, Geraldo Quintão, foi deputado estadual por três mandatos nas décadas de 60 e 70.
O deputado elegeu-se vereador de Belo Horizonte em 2001 pelo PMDB, mas no mesmo ano migrou para o PSB. Antes de voltar ao partido de origem, foi filiado ao antigo PFL. Quintão eleito para a Assembléia Legislativa duas vezes, e em 2006 chegou à Câmara dos Deputados.
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