Bahia: PT foca em estratégia 'casada' para o Senado

Promoção conjunta de Lídice da Mata e Walter Pinheiro tenta evitar reeleição de César Borges, que lidera pesquisas

Lucas Esteves, iG Bahia |

Na Bahia, o PT investiu, no primeiro programa eleitoral que divulga os candidatos ao Senado, em uma estratégia para eleger ao mesmo tempo os dois candidatos do grupo, contra enfoques individuais dos concorrentes. Durante a campanha, a coligação que tenta a reeleição de Jaques Wagner ao governo promove simultaneamente Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT) para a Casa Legislativa, enquanto os adversários adotam um caminho do cada um por si.

O programa petista exibiu os dois candidatos ao mesmo tempo e listou as realizações da carreira política de cada um. Enquanto Lídice resgatou o passado de ex-prefeita de Salvador e mandatos de deputada estadual, federal e também vereadora em Salvador, Pinheiro associou sua imagem ao sindicalismo nos anos 80 e a uma extensa carreira parlamentar e mais recentemente como secretário de Administração de Wagner.

Segundo o discurso afinado entre os candidatos, o Estado precisa ter senadores que, além de ajudarem o governador a conseguir recursos e apoio para a realização de trabalhos, resguardem o trabalho do Presidente da República. Ambos propuseram ser os guardiões da atual política da Bahia em Brasília.

“A falta de aliados no Senado impediu que muitos projetos de Lula fossem implantados e pudessem mudar a vida do povo brasileiro”, sustentou Lídice ao tentar convencer o eleitorado da necessidade de eleger representantes aliados em uma possível escolha de Dilma Roussef para a Presidência.

O esforço do partido esclarece inclusive um fato que os menos atentos não conhecem sobre as eleições deste ano: a obrigação de depositar dois votos para o Senado. Nas ações publicitárias, o PT ensina como fazer o voto duplo, uma vez para cada candidato. Toda a concentração de marketing político tem um motivo forte: a liderança folgada de César Borges (PR), candidato à reeleição, na corrida eleitoral.

O republicano, que tem o recall de ser ex-governador e basicamente a única representação ativa do estado na Casa, apresentou 36% de intenções de votos na última pesquisa Datafolha e 35% na Vox Populi, enquanto Lídice e Pinheiro se revezam na segunda posição.

A atual influência de Borges deve-se ao fato de que, além de ser um parlamentar atuante, não há aparente concorrência por parte dos outros colegas de Senado. ACM Júnior (DEM) herdou o mandato do pai, o falecido Antônio Carlos Magalhães, e se divide entre a vida parlamentar e os negócios do truste de comunicação Rede Bahia, com mais atenção dedicada à vida empresarial. A necessidade de acompanhar a empresa mais de perto, inclusive, decretou que ACM Júnior negasse concorrer ao pleito este ano.

Já João Durval Carneiro (PDT) é tido no Estado como um senador invisível. Difícil de encontrar em Brasília, raramente apresenta projetos e pouco aparece nos debates políticos da Casa e do Estado. Ele é ex-governador do Estado e pai do prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB) e do deputado federal Sérgio Barradas Carneiro (PT).

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