Aumento do número de legendas não altera rotina do governo

Número de partidos na Assembléia Legislativa de Minas cresceu de 16 para 21, mas bancada governista permanece a maior do estado

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

Dos 77 deputados estaduais eleitos para a 17ª Legislatura, 49 já exercem o mandato e 28 são novatos. Eles tomam posse em 1º de fevereiro de 2011. O resultado das eleições alterou a composição partidária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, uma vez que o número de legendas representadas na casa subiu de 16 para 21. PSDB, PT e PMDB, no entanto, mantêm as três maiores bancadas, nesta ordem.

Entre os atuais deputados, 65 se candidataram a mais um mandato e 49 foram vitoriosos - o que significa um índice de reeleição de 75,38%. Dos 12 restantes, um foi eleito vice-governador, 7 se elegeram deputados federais, um ficou como suplente na Câmara dos Deputados, dois serão suplentes de senadores e um não disputou cargo eletivo.

Os 28 novos parlamentares representam um índice de renovação de 36,36%, o menor das últimas três eleições (2002, 2006 e 2010). Há quatro anos, foram eleitos 31 novos deputados (40,1%), e em 2002, 36 (46,75%).

Tucanos e petistas foram os maiores vencedores na disputa das vagas de deputado estadual. O PT ampliou seu número de cadeiras de 9 para 11 e o PSDB, embora tenha perdido três assentos, de 16 para 13, manteve-se como a maior bancada de um único partido na Assembléia Estadual.

O PMDB perdeu apenas uma cadeira, mas foi o suficiente para perder também a vice-liderança partidária para o PT. A partir de janeiro de 2011, serão 8 peemedebistas  contra os 9 que ocupam a Assembléia até dezembro deste ano. Logo em seguida, vem o PV de Marina Silva que, embora tenha visto sua candidata à Presidência ter a maior votação para o cargo em Belo Horizonte e a segunda maior em todo o estado, perdeu uma vaga e ficou com 6 deputados.

Os maiores derrotados na disputa foram DEM, que contava com 7 deputados e passará a ter apenas 4 no ano que vem; e o PP, que tinha 4 e contará com apenas um deputado estadual a partir de janeiro. Também perderam representatividade o PSC, de 3 para 2, e o PTC, de 3 para 1.

Mantiveram o mesmo número de vagas PDT, com 5, e PPS, com 3. Já o PSB, passou de 1 para 3. O PTC passou de 3 para 4 e PC do B, PHS e PRTB passaram de 1 para 2 deputados cada. O PR manteve sua única cadeira para 2011.

Os estreantes na Assmbléia são o PRB, que não tinha nenhuma vaga e terá duas para a próxima legislatura; e o PRP e o PT do B, que também passam a ter seu primeiro representante cada um a partir de 2011. Os partidos PCO, PCB, PSDC, PSOL, PSTU e PTN continuam sem representação na Assembléia.

Governo do estado mantém base de apoios na Assembléia

O governador reeleito Antônico Anastasia (PSDB) vai manter o mesmo cenário de seu antecessor, o ex-governador Aécio Neves (PSDB). O governo vai contar com 18 deputados de situação na Assembléia - da coligação PSDB, DEM e PP.

A principal oposição será da coligação PT e PRB com 13 deputados. O PMDB, mesmo tendo partido da chapa ao governo de Minas juntamente com os petistas, teve diversas participações no governo do estado durante a gestão de Aécio Neves e pode tanto ser situação quando oposição no ano que vem. O PV de Minas, por sua vez, começa a se desenhar com um terceiro bloco.

O cientista político Carlos Ranulfo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que a vitória “esmagadora” da chapa tucana na disputa para os cargos majoritários deverá manter a mesma relação de forças da gestão Aécio Neves para a gestão Anastasia. “Aécio não teve grande oposição dos deputados estaduais em Minas Gerais e como Anastasia participou desde o inicio de seu governo, esse modelo deverá se aprofundar ainda mais”, diz.

Disputa pela presidência da Assembléia já começou

Nos bastidores, a disputa pela presidência da casa já começou. Três nomes são apontados como os mais prováveis para presidir o Legislativo a partir de fevereiro de 2011, quando deve ser eleita a nova mesa diretora: os deputados estaduais Dinis Pinheiro (PSDB), Dilzon Melo (PTB) e Lafayette Andrada (PSDB), todos da base do governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB).

Pinheiro foi o parlamentar mais votado para a Assembléia. Teve 159.422 votos. O desempenho nas urnas o credencia a ocupar a presidência. Colegas do deputado dizem que ele está em campanha há três anos, quando Alberto Pinto Coelho (PP) foi reeleito para o posto. Coelho, por sua vez, atual presidente da casa, foi eleito na chapa de Anastasia como vice-governador e deixará a Assembléia a partir de janeiro.

O tucano Lafayette Andrada, também no páreo, conta com o desempenho de suas negociações perante os deputados. Dilzon Melo corre por fora. O petebista foi secretário na gestão do ex-governador Aécio Neves (PSDB) e tem bom trânsito entre os colegas da Assembléia.

Os deputados eleitos para a 17ª Legislatura são os seguintes, com o respectivo número de votos:

Coligação PSDB/DEM/PP, com 18 vagas:
1 DINIS PINHEIRO (PSDB) - 159.422
2 MAURI TORRES (PSDB) - 106.519
3 GIL PEREIRA (PP) - 95.450
4 DALMO RIBEIRO (PSDB) - 90.538
5 LUIZ HUMBERTO CARNEIRO (PSDB) - 88.963
6 GUSTAVO CORRÊA (DEM) - 85.504
7 JOAO LEITE (PSDB) - 84.316
8 DOUTOR VIANA (DEM) - 80.419
9 CARLOS MOSCONI (PSDB) - 79.705
10 LAFAYETTE ANDRADA (PSDB) - 78.302
11 LUIZ HENRIQUE (PSDB) - 77.740
12 ZÉ MAIA (PSDB) - 72.336
13 GUSTAVO VALADARES (DEM) - 71.568
14 BONIFÁCIO MOURÃO (PSDB) - 68.323*
15 CÉLIO MOREIRA (PSDB) - 62.582
16 RÔMULO VIEGAS (PSDB) - 57.691
17 LEONARDO MOREIRA (PSDB) - 56.945
18 JAYRO LESSA (DEM) - 54.594

Coligação Muda Minas (PT/PRB), com 13 vagas:
1 ELISMAR PRADO (PT) - 92.027
2 PAULO GUEDES (PT) - 92.710
3 DURVAL ÂNGELO (PT) - 89.811
4 POMPÍLIO CANAVEZ (PT) - 56.263
5 GILBERTO ABRAMO (PRB) - 52.994
6 PAULO LAMAC (PT) - 50.966
7 ROGÉRIO CORREIA (PT) - 45.939*
8 ANDRÉ QUINTÃO (PT) - 45.324
9 ULYSSES GOMES (PT) - 41.265
10 ADELMO LEÃO (PT) - 40.562
11 ALMIR PARACA (PT) - 40.521
12 MARIA TEREZA LARA (PT) - 37.442
13 PASTOR CARLOS HENRIQUE (PRB) - 35.983

PMDB, com 8 vagas:
1 JOSÉ HENRIQUE (PMDB) - 93.622
2 BRUNO SIQUEIRA (PMDB) - 68.437
3 VANDERLEI MIRANDA (PMDB) - 64.929
4 ANTÔNIO JULIO (PMDB) - 59.739
5 TADEUZINHO (PMDB) - 56.898
6 ADALCLEVER LOPES (PMDB) - 53.629
7 IVAIR NOGUEIRA (PMDB) - 50.114
8 SÁVIO SOUZA CRUZ (PMDB) - 45.415

Coligação Justiça Social e Trabalho (PTB/PSB), com 7 vagas:
1 MARQUES (PTB) - 153.225
2 ARLEN SANTIAGO (PTB) - 105.859
3 BRÁULIO BRAZ (PTB) - 102.530
4 DILZON MELO (PTB) - 77.846
5 WANDER BORGES (PSB) - 62.810
6 LIZA PRADO (PSB) - 43.810
7 LERIN (PSB) - 40.426

Partido Verde, com 6 vagas:
1 TIAGO ULISSES (PV) - 103.677
2 AGOSTINHO PATRUS FILHO (PV) - 93.656
3 HELY TARQÜÍNIO (PV) - 85.973
4 DÉLIO MALHEIROS (PV) - 68.254
5 ROSÂNGELA REIS (PV) - 67.559
6 INÁCIO FRANCO (PV) - 63.662

PDT, com 5 vagas:
1 SARGENTO RODRIGUES (PDT) - 94.312
2 GUSTAVO PERRELLA (PDT) - 82.864
3 ALENCAR DA SILVEIRA JR. (PDT) - 68.709
4 TENENTE LÚCIO (PDT) - 49.248
5 CARLOS PIMENTA (PDT) - 49.133

Coligação Unidos por Minas (PSL/PSDC/PMN), com 5 vagas:
1 DR. WILSON BATISTA (PSL) - 70.106
2 DUARTE BECHIR (PMN) - 49.619
3 HÉLIO GOMES (PSL) - 44.704
4 DUÍLIO DE CASTRO (PMN) - 41.727
5 FÁBIO CHEREM (PSL) - 37.885

PPS, com 3 vagas:
1 LUZIA FERREIRA (PPS) - 50.620
2 NEIDER MOREIRA (PPS) - 46.818
3 SEBASTIÃO COSTA (PPS) - 43.376

Coligação PTC/PRTB, com 3 vagas:
1 ANSELMO JOSÉ DOMINGOS (PTC) - 38.109
2 CÁSSIO SOARES (PRTB) - 36.067
3 FABIANO TOLENTINO (PRTB) - 31.182

PCdoB, com 2 vagas:
1 CARLIN MOURA (PC do B) - 50.221
2 CELINHO DO SINTTROCEL (PC do B) - 45.373

PSC, com 2 vagas:
1 ANTÔNIO GENARO (PSC) - 81.159
2 ANTÔNIO CARLOS ARANTES (PSC) - 74.542

Coligação PHS/PTN, com 2 vagas:
1 NEILANDO PIMENTA (PHS) - 55.398
2 FRED COSTA (PHS) - 38.419

Projeto Vitória 2010, com 2 vagas:
1 JOAO VÍTOR XAVIER (PRP) - 56.956
2 BOSCO (PT do B) - 31.455

PR, com 1 vaga:
1 DEIRÓ MARRA (PR) - 36.527

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