Marcos Coimbra, do Vox Populi, responde: ¿Acusações assim acontecem quando uma pesquisa não é favorável a um candidato¿

O PSDB acusou o Vox Populi e outros institutos de pesquisa de produzir propositadamente resultados favoráveis à candidata petista à Presidência, Dilma Roussef f. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira na sede da campanha do tucano José Serra , o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, classificou os institutos de “cabos eleitorais”. Nominalmente, Guerra citou apenas o instituto Vox Populi. “No primeiro turno, o Vox Populi se destacou mais que os outros. Não dava para acreditar que foi um erro. Foi uma safadeza”, afirmou.

Horas depois, no Rio de Janeiro, Serra endossou as declarações do presidente do PSDB. “A pesquisa de Vox Populi nós não levamos em consideração porque se trata de um instituto de confirmada falta de credibilidade que maquiou os resultados do primeiro turno inteiro. A realidade das urnas mostrou como eles estavam maquiando“, disse Serra.

O presidente do Conselho do Vox Populi, Marcos Coimbra, vê com serenidade a agressão verbal de Sérgio Guerra. “Acusações assim acontecem quando uma pesquisa não é favorável a um candidato”, afirmou. Coimbra ressaltou que o instituto presta serviços para o PT, assim como para o próprio PSDB. Ele lembrou ainda que, no primeiro turno, o PSDB fez acusações semelhantes com relação ao instituto Sensus e, ainda assim, utilizou a pesquisa no horário eleitoral quando esta apontava subida de Serra.

Coimbra ressaltou que pesquisas não trabalham com certezas. “Pesquisas trabalham com probabilidades. Não é matemática, é estatística. (...) Institutos de pesquisas duráveis, que resistem ao tempo, não vendem certezas. Só vende certeza quem não conhece pesquisa. Vendemos pesquisas bem feitas”, disse.

Nas declarações que deu, Sérgio Guerra deixou claro o motivo de sua irritação: “Esse tipo de interferência (a pesquisa) induz a mais erro, interfere sobre a animação dos nossos companheiros, prejudica o desempenho das campanhas”, disse. A pesquisa eleitoral é, sem dúvida, um dos principais insumos das campanhas políticas. Seus números orientam o tom dos candidatos, mobilizam ou paralisam a militância, estimulam ou retraem os financiadores. Sempre que são divulgados, os números produzem dois tipos de reações principais. Quem está na frente diz que pesquisa não ganha eleição. E quem está atrás, critica a metodologia e, em alguns casos, até mesmo a lisura dos institutos.

O iG procurou, e não encontrou, uma única acusação verbal desferida pelo PSDB contra o Vox Populi, nem qualquer questionamento à correção do seu trabalho, nas corridas estaduais em São Paulo e Minas Gerais, onde o instituto previu a vitória dos candidatos tucanos em primeiro turno.

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