Após vitória no 1º turno, Anastasia promete ajudar Serra

Tucano se reelegeu governador em Minas Gerais, Estado onde Dilma Rousseff (PT) também foi vitoriosa.

Adriano Ceolin, enviado a Belo Horizonte |

nullReeleito governador de Minas Gerais com 6,27 milhões de votos (62,7% dos votos), Antonio Anastasia (PSDB) afirmou neste domingo que vai se empenhar para ajudar o presidenciável José Serra (PSDB) a vencer a eleição no segundo turno. No primeiro turno, no entanto, foi confirmado o voto “Dilmasia”: a candidata Dilma Rousseff (PT) foi vitoriosa no Estado junto com Anastasia.

“Em primeiro lugar, o resultado demonstra que tivemos uma ótima vitória para governador. Conseguimos eleger os dois senadores. Vamos ter segundo turno na eleição presidencial. Isso significa o nosso empenho redobrado em favor do candidato José Serra”, disse Anastasia. “Vamos agora para o segundo turno para ganhar a eleição presidencial”.

Anastasia deu a entrevista em frente ao comitê de sua campanha localizado no centro de Belo Horizonte. Toda a chapa encabeçada por ele saiu vitoriosa: os dois senadores eleitos são Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS). Eles derrotaram o candidato ao governo pelo PMDB, Helio Costa, e o candidato ao Senado Fernando Pimentel (PT).

Segundo Anastasia, a conquista significa a consolidação de “um jeito novo de governar”. E que, cada vez mais, Aécio torna-se um líder nacional. “Claro que ele (Aécio) sai fortalecido como grande líder nacional da política”, disse. “Mais dia ou menos dia Aécio Neves será candidato a presidente do Brasil”, completou.

Aécio não compareceu à comemoração da vitória por causa da morte do seu pai, Aécio Cunha, neste sábado. Anastasia disse estar representando Aécio no evento. “Queria agradecer ao nosso ex-governador por essa confiança trabalhando juntos. Ele pediu aqui que eu o representasse. Naturalmente, não está aqui conosco”, afirmou.

Anastasia, 49 anos, venceu sua primeira eleição como cabeça de chapa. Em 2006, ele foi candidato a vice-governador na coligação comandada por Aécio Neves. Advogado e professor, Anastasia é mais técnico que político. Ocupou cargos no governo federal na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2000).

"Choque de gestão"

A vitória de Anastasia é considerada pelos analistas políticos como a continuidade de uma administração que já dura oito anos em Minas Gerais.

Anastasia participou do governo estadual, na era Aécio Neves, desde a posse do tucano em 2003 e marcou seu primeiro governo pela recuperação das finanças públicas do estado, no que chamou de “choque de gestão” e “déficit zero”. Anastasia era o secretário de Planejamento de Aécio e o principal idealizador do programa que anunciava a recuperação econômica.

Ainda no primeiro mandato de Aécio, Anastasia assumiu a Secretaria de Defesa Social, e enfrentou uma grave crise, com uma greve das polícias que chegou a ter a intervenção federal a pedido do próprio governador; e, finalmente, na campanha de reeleição, foi indicado para o cargo de vice-governador na chapa do tucano. Eleito novamente com ampla maioria, Aécio começou a preparar seu vice para sucedê-lo.

A eleição de Anastasia em sua primeira disputa eleitoral foi a maior virada da disputa eleitoral em 2010. No início oficial da campanha, em 3 de julho, as pesquisas de intenção de votos dos principais institutos nacionais apontavam um diferença média superior a 20 pontos percentuais do tucano em relação ao seu principal adversário, o ex-ministro Hélio Costa. Sua reeleição, embora esperada, não deixou de ser uma surpresa para os principais cientistas políticos de Minas.

O cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Malco Camargo acredita que a vitória de Anastasia não deve mudar a forma como o governo estadual administra Minas Gerais. “Do ponto de vista da administração pública, o governo já está na mão do Anastasia há muito tempo. A escolha dele pelo eleitorado significa que teremos uma continuidade técnica. Assim, não acredito que Aécio Neves será uma ‘eminência parda’ no governo de Anastasia”, diz.

Para Camargo, a grande diferença entre Aécio e Anastasia está no perfil que cada um assumiu durante a administração conjunta do estado. “Enquanto Aécio era um político com um vice técnico, Anastasia é um técnico com vice político. A diferença é que Aécio é um político moderno que representa a renovação e novas idéias. Já o vice de Anastasia, Alberto Pinto Coelho, é um político da velha guarda de Minas, que representa práticas mais conservadoras e antigas no estado”, explica o cientista político.

Já o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo afirma que o perfil técnico e gerencial de Anastasia irá diminuir a capacidade do governo mineiro de ouvir as reivindicações de vários setores da sociedade, principalmente do funcionalismo e dos movimentos sociais. “Anastasia busca a eficiência a todo custo. Isso significa que ele provavelmente não fará nenhum tipo de ação que possa prejudicar as finanças do estado, mesmo que os segmentos sociais se mobilizem para reivindicar mudanças ou investimentos”, explica Ranulfo.

Finalmente, a eleição de Anastasia não deve mudar a relação do governo do Estado com a União. Um dos temas mais citados durante a campanha, principalmente pelo candidato Hélio Costa (PMDB), é que o governo de Minas precisava do apoio e alinhamento com o Governo Federal e que Minas “não podia fica na oposição”. O cientista político Malco Camargos afirma que essa declaração não passou de uma “retórica” de campanha.

“A relação do governo de Minas com o Governo Federal não irá mudar. Anastasia terá um papel importante para manter a oposição como um modelo eficiente, e como governador de um estado tão importante terá garantida sua interlocução com a Presidência da República, seja ela quem for”, conclui.

Colaborou Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais


    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG