Após Serra exaltar Bolsa Família, Dilma foca em saúde

Petista disse que pretende manter programa que reduz para 10% preço de remédios de uso continuado

Ricardo Galhardo e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Um dia depois de o candidato do PSDB à presidência, José Serra, prometer duplicar o Bolsa Família, marca registrada do governo do PT, foi a vez de a candidata petista, Dilma Rousseff, pegar carona no tema da saúde, considerado estratégico para a campanha tucana. Dilma prometeu, em discurso na Praça da Sé, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira, manter o programa do governo federal que reduz para 10% o preço de remédios de uso continuado.

“Eu aposto também em continuar este programa que reduziu remédios essenciais como de hipertensão, pressão alta e o de diabetes a 10% do seu preço”, disse ela.

Consultado, um membro da coordenação da campanha afirmou que Dilma fazia referência a um projeto do governo Lula que representaria a 'intensificação dos genéricos', marca da gestao de Serra no Ministério da Saúde, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Mais tarde, o Ministério da Saúde informou que se tratava de uma referência ao programa Farmácia Popular, criado em 2004. Segundo a pasta, genéricos são, em média, 35% mais baratos que os medicamentos de marca.

No discurso, Dilma sugeriu que, embora prometa duplicar o Bolsa Família, Serra não tem comprometimento com o programa, que é um dos maiores ativos eleitorais do governo Lula.

“Li nos jornais que aqui em São Paulo os programas de distribuição de renda diminuíram. No Brasil, não”, disse ela.

Dilma ainda alfinetou Serra ao criticar o tratamento dado pelo governo de São Paulo aos professores da rede estadual que fizeram greve de um mês este ano por reposição salarial. Negando a versão tucana de que houve interesse eleitoral no protesto, a petista enfatizou que é preciso dar aos professores “reconhecimento e incentivo”.

Desencontro

Pelo segundo dia consecutivo o tumulto atrapalhou uma atividade de rua da campanha do PT. Previsto para ser uma caminhada conjunta de Dilma e o candidato a governador, Aloizio Mercadante, o evento começou sem a presença da presidenciável.

Dilma só conseguiu encontrar o restante da caminhada na Praça da Sé, ponto final do evento. Segundo o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores da campanha, o trânsito e o excesso de pessoas fizeram com que Dilma e o candidato a vice, Michel Temer (PMDB), tivesse que pegar um atalho pelo Pátio do Colégio enquanto Mercadante e outros candidatos estavam no Largo do Patriarca, do lado oposto da Praça da Sé.

O ex-ministro da Integração Regional, Gedel Vieira Lima (PMDB), que disputa contra o petista Jaques Wagner o governo da Bahia, pegou uma carona com Temer mas não conseguiu se juntar ao núcleo de políticos durante a caminhada.

“Você está louco. Aquela confusão ali não dá. Já levei um monte de cotoveladas quando tentei entrar ali. Minha costela está doendo”, disse Gedel, que se contentou em acompanhar o evento à distância e nem sequer subiu no palanque montado na Praça da Sé.

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