Após reunião com Lula, irmãos Viana querem convencer Marina

Amigo e aliado de Marina, o governador eleito do Acre, Tião Viana, conversou com Lula sobre o possível apoio da candidata ao PT

Rodrigo Rodrigues, enviado ao Acre |

Principal amigo e aliado de Marina, o governador eleito do Acre, Tião Viana (PT), conversou com Lula nesta segunda-feira sobre o possível apoio da candidata verde à presidenciável Dilma Rousseff (PT) no 2° turno e defendeu que os petistas dêem “um tempo” para que Marina analise o quadro político brasileiro antes de iniciar qualquer tratativa de aliança.

Viana negou que os petistas acrianos tenham sido escalados pelo presidente Lula exclusivamente para pleitear qualquer acordo com Marina, mas admitiu que o atual governador do Acre, Binho Marques, também do PT, já conversou nesta segunda-feira com a candidata verde a respeito do assunto, e que ele mesmo deve falar com ela nesta terça-feira.

“Achamos que é cedo ainda. O melhor é deixar a 'poeira' baixar um pouquinho. Deixa ver qual será o entendimento do PV com a Marina. O governador Binho Marques já fez uma ligação pra ela ontem, não sei o que eles conversaram sobre isso. Vamos aguardar agora qual vai ser o momento dela, com ela vai olhar o Brasil no segundo turno”, disse Tião Viana.

O novo governador acriano afirmou que a candidata do PV está muito cansada em virtude da campanha desgastante, que exigiu muito do preparo físico dela nos últimos 90 dias. Mesmo durante a campanha, Marina confessou várias vezes aos repórteres que a acompanhavam que dormia apenas quatro horas por noite e que, às vezes, se sentia muito indisposta.

“Vou conversar com ela nesta terça e agradecer o apoio que ela me deu nessa eleição. Vou dar meu forte abraço a ela e desejar que ela faça a melhor escolha para o Brasil, que no meu entendimento passa pela Dilma para presidir o nosso País”, destacou o novo governador acriano.

Viana conversou com o iG no aeroporto de Rio Branco, momentos depois de desembarcar no Estado após a reunião que participou com presidente Lula nesta segunda-feira. A reunião de emergência foi convocada pelo próprio Lula entre todos os aliados da campanha para traçar a estratégia de segundo turno para Dilma Rousseff.

A ideia de Lula, segundo Viana, é percorrer o Brasil inteiro ao lado de Dilma nesta última fase da campanha. O próprio Acre já é escala certo da campanha petista nesta segunda fase. No primeiro turno, nem Lula nem Dilma estiveram no Estado antes do pleito.

“O presidente disse que quer entregar o Brasil em boas mãos. E o Brasil em boas mãos é Dilma presidente. Aqui no Acre ele vem para fazer uma caminhada e para rever as obras estruturantes que estão sendo feitas no Estado”, afirmou.

Viana acha que Marina levará em consideração suas raízes no Acre antes de tomar qualquer decisão. Basta lembrar que mesmo estando no PV, Marina apoiou a eleição do petista Tião Viana no Estado. O petista foi eleito com uma margem muito estreita de votos e atribui a vitória apertada também à ajuda de Marina, que reforçou o palanque dele na região.

Outro fator é que o marido de Marina, Fabio Vaz ocupa um cargo de secretário no governo acriano de Binho Marques e tem profunda ligação com os petistas. “Marina jamais vai tomar uma decisão sem levar o Acre em consideração. Ela sabe que temos uma difícil missão no Estado e o melhor para o desenvolvimento da nossa região é ter Dilma na presidência”, argumentou Tião Viana no último domingo, minutos após o anúncio de sua vitória em Rio Branco.

Por conta da reunião de emergência convocada pelo presidente Lula em Brasília, Viana nem teve tempo de se congratular de fato com a militância petista em Rio Branco. Após o discurso de vitória, ele seguiu para Brasília e só retornou no fim da noite desta segunda. Ao desembarcar no Estado, o novo governador foi recebido com festa pela militância, que com bandeiras e apitos, saudaram o novo governador no aeroporto.

Ao discursar, Viana convocou os acrianos a elegerem Dilma como missão essencial para que o País “continue no rumo certo”. Apesar do otimismo, a tarefa não vai ser fácil no Estado, visto que José Serra conquistou no Acre sua maior votação proporcional no País, conquistando 52,1% dos votos válidos. Dilma Rousseff e Marina Silva conquistaram, respectivamente, 23,9% e 23,5%.

Além da derrota na eleição presidencial, os petistas amargaram no Estado uma vitória apertada, vencendo a eleição para o governo estadual com apenas 4,5 mil votos de diferença.

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