Após maratona, quadro para sucessão em SP segue inalterado

Passado o 1º mês da campanha nas ruas, Alckmin segue favorito e Mercadante espera Lula, Dilma e TV para chegar ao segundo turno

Matheus Pichonelli e Piero Locatelli, iG São Paulo |

Os candidatos ao governo de São Paulo terminaram o primeiro mês da corrida eleitoral praticamente da mesma forma como a iniciaram, em 6 de julho. Assim como no início da campanha oficial, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, se mantém como favorito na disputa, amparado por pesquisas que apontam sua vitória no primeiro turno. Representante do Planalto, Aloizio Mercadante (PT) ainda não atingiu 20% das intenções de voto em nenhuma pesquisa, apesar da agenda intensa realizada desde o lançamento oficial. A terceira força, Celso Russumano (PP), ainda ronda os 10% e os demais concorrentes sequer atingem os dois dígitos.

Agência Estado
Geraldo Alckmin, durante campanha corpo a corpo em São José dos Campos
Levantamento feito pelo iG , a partir das agendas oficias das campanhas, mostra que Mercadante e Alckmin se expuseram ao eleitor de forma semelhante até o dia 5 de agosto. Cada um deles fez 27 caminhadas. O petista as tem feito de maneira constante desde o início da campanha. Já o tucano intensificou a agenda pública ao longo do mês – somente na última semana, Alckmin fez 11 aparições. Os dois candidatos também dão tratamento semelhante à capital. Mercadante fez oito caminhadas em São Paulo e na região metropolitana. Alckmin fez uma a menos.

Alckmin esteve em cinco eventos públicos com o candidato à Presidência José Serra (PSDB) até agora. Mercadante esteve ao lado de Dilma Rousseff (PT) em quatro – não à toa, o comando petista tem pedido uma presença maior da presidenciável no Estado.

Quadro deve mudar com a chegada da TV

Coordenadores das duas campanhas acreditam que o quadro deve mudar com o maior espaço que a televisão deve dar aos candidatos do governo e também com o início da propaganda eleitoral gratuita no dia 17.

O deputado federal Sidney Beraldo, coordenador da campanha tucana, diz que o primeiro mês foi voltado para a articulação política e a campanha deve se intensificar a partir de agora. “Nesse primeiro mês, além das visitas, dos encontros com populares, (a campanha) serviu para mobilizarmos as lideranças. Foi muito positivo para a gente. Mas agora começa um período com mais rua e com as gravações, que tomam bastante tempo”, diz o deputado.

Emidio de Souza (PT), prefeito de Osasco e coordenador da campanha do senador ao governo paulista, acredita que no primeiro mês não havia acontecido fatos novos na política, já que o período coincidiu com a Copa do Mundo. Isso, afirmou, explicaria a manutenção do quadro da sucessão em São Paulo apontado pelas pesquisas. O prefeito acredita que Mercadante só terá acesso ao grande público com o espaço na televisão e que a tendência dele é subir.

AE/HÉLVIO ROMERO
Os candidatos da chapa petista, durante caminhada no centro de Osasco
Beraldo também acredita numa mudança do quadro eleitoral. “Vai acontecer o crescimento de alguns [candidatos], mas nada que altere drasticamente o quadro”, diz o deputado.

Nas últimas eleições para governador, Mercadante obteve cerca de 30% dos votos – o índice é usado como espécie de “piso” pelos petistas para o desempenho do senador neste ano. Já a avaliação de tucanos ouvidos pela reportagem é de que esse deve ser o teto de Mercadante na eleição.

A coordenação da campanha de Mercadante aposta que o candidato tende a deslanchar nas pesquisas conforme os eleitores associem seu nome aos do presidente Lula e de Dilma Rousseff. “Ele não lidera pela característica própria de São Paulo. O eleitor ainda não o vinculou à Dilma, não identificou projeto. Mas pode anotar: esta campanha vai ter segundo turno”, afirma Edinho Silva, presidente do diretório paulista do PT. “O Lula está de cabeça na campanha dele. E a Dilma também”, completa.

Todos na campanha petista apostam em uma queda na preferência sobre Alckmin à medida que o dia da votação se aproxima. Lembram do que aconteceu durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo, quando, de favorito nas pesquisas, o tucano não foi sequer para o segundo turno.

O fato é sempre lembrado por Mercadante quando deparado com os recentes resultados nas pesquisas. O petista já declarou também, em mais de uma ocasião, que a “palavra-chave” da disputa no maior colégio eleitoral do País será o nome do presidente Lula. Alckmin, por sua vez, evita comentar as pesquisas e diz que não é hora de dizer se a vitória pode ocorrer ainda no primeiro turno.

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