Após críticas, campanha de Marina muda programas eleitorais

Depois do início desastroso, Marina volta ao estúdio para regravar programas, que devem centrar biografia e propostas de governo

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Depois de receber uma enxurrada de críticas dentro do partido, o programa eleitoral de Marina Silva deve passar por mudanças já na edição desta sexta-feira. Após um início desastroso, onde a candidata aparece apenas quatro segundos, o partido resolveu intervir na edição dos programas e deve acompanhar de perto a confecção das peças publicitárias da candidatura a partir de agora.

Apesar do programa inicial ter sido reprisado novamente no horário eleitoral da tarde desta quinta-feira, no período da noite uma nova peça publicitária deve entrar no ar, centrada na trajetória política e pessoal da candidata. A orientação do partido agora é investir na potencialidade da biografia da senadora, além de centrar fogo nas bandeiras da educação, saúde e ética na política, trabalhadas pelo partido desde a pré-campanha.

nullPor conta da repercussão negativa do programa inaugural, que foi apelidado pelos adversários de “Discovery Channel”, em referência ao canal que exibe documentários de desastres ambientais, Marina cancelou todos os eventos que estavam agendados para hoje e dedicou todo o período da tarde às gravações em estúdio.

Ao trazer apenas imagens de desastres naturais e uma narração em off da candidata, caciques do PV foram à loucura e até classificaram o programa de “primário” e “típico de partidos nanicos”. A crítica mais pesada contra o programa de televisão da presidenciável veio do vereador Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio de Janeiro. Ex-candidato à presidência pelo partido em 1998, Sirkis disse que o programa foi um “desastre ecológico”, ironizando a proposta dos marqueteiros de Marina.

Apesar de admitir a qualidade técnica do programa, Sirkis disse que a peça não serve para o início de uma campanha eleitoral tão disputada. Ele lembrou que o partido dispõe de apenas 1 minuto e 23 segundos, contra dez de Dilma (PT) e sete de José Serra (PSDB). “Foi um programa institucional, típico das campanhas para atrair novos filiados ou dos documentários da National Geographic”, disse Sirkis. “O programa inicial tem um papel fundamental na campanha, que é definir paradigmas e rumos. Jamais poderia ter sido daquele jeito. Ao esconderem Marina da propaganda eleitoral, eles tiraram o maior capital dela, que é o olho no olho e a capacidade de encantar o público”, afirmou.

Agência Estado
Apesar de críticas, Marina Silva se diz satisfeita com a repercussão do seu primeiro programa na televisão
A própria Marina rebateu os argumentos de Sirkis e disse que intenção dessa primeira fase da propaganda eleitoral do PV era mostrar a dramaticidade dos problemas climáticos. “Se o pessoal tá querendo a minha biografia, é sinal de que o programa chamou a atenção”, brincou a candidata durante entrevista no seu comitê central, na Vila Madalena nesta quarta. “A gente queria mostrar a dramaticidade do que está acontecendo no planeta, que os investimentos econômicos e sociais precisam levar em conta que tem uma realidade que está exigindo de nós uma nova atitude”, justificou Marina.

O marqueteiro informal da campanha, Paulo de Tarso, disse que é normal as críticas nesse primeiro momento. Ele afirma que o programa inicial fez parte de uma estratégia para situar o eleitor em relação aos problemas globais. Baseado em pesquisas qualitativas, Tarso afirma que a mensagem foi entendida pelos eleitores e que o programa continuará dentro da estratégia de diferenciar Marina dos demais oponentes.

O presidente do PV em São Paulo, Maurício Busadin, também discordou das críticas explicitadas por Sirkis e afirma que a proposta da campanha presidencial é fixar a importância da sustentabilidade. “Apesar do tempo curto, o PV quer mostrar que a candidatura de Marina está inserida numa preocupação global de investimento em energias renováveis e respeito ao meio ambiente”, disse.

Apesar da defesa, Busadin admite que a propaganda eleitoral de Marina sofrerá mudanças. “Cada programa tem uma dinâmica diferente. Ninguém pensou que Marina ficaria escondida no seu próprio programa. Claro que ela vai aparecer mais e falar mais do seu programa de governo. Faz parte da estratégia do partido desde o início”, justificou.

Justificativa

Em contato com a nossa reportagem, a assessoria de Marina Silva disse que as gravações da candidata nesta quinta-feira já estavam na programação cotidiana da campanha. A equipe de Marina também afirma que a ordem dos programas já previa que a 2ª peça publicitária incluiria a biografia da candidata. Segundo a campanha de Marina, nenhuma modificação foi feita no conteúdo dos programas eleitorais do Partido Verde em relação às críticas do vereador Alfredo Sirkis. Tudo seguirá de acordo com o programado antes do início no horário eleitoral, segundo a própria assessoria.

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