Após carta, Dilma prega Estado laico e diz ser vítima de 'ódio'

Em São Paulo, Dilma transforma lançamento de programa de governo em palco para críticas a Serra

Matheus Pichonelli e Marina Morena Costa, iG São Paulo |

No mesmo dia em que divulgou carta na qual volta atrás em seu posicionamento sobre o aborto, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff , fez um discurso em defesa do Estado laico e reclamou do que descreve como uma ação de adversários para incitar o "ódio" na campanha presidencial. "Não se pode instigar o ódio religioso para se ganhar uma eleição", afirmou Dilma, em uma referência velada ao rival tucano José Serra.

A declaração foi feita durante um evento organizado originalmente para lançar o programa de governo da petista, com destaque para a área de educação. Predominaram, entretanto, as críticas ao adversário. Dilma voltou a se dizer vítima de uma onda de rumores e parafraseou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dizer que “nunca na história deste País” uma eleição contou com “uma central de boatos tão cientificamente organizada”.

“O que nos interessa não é o ódio, não é a discussão a respeito da crença, da religião e das convicções pessoais. Até porque o Estado brasileiro é laico e todas as religiões devem ser respeitadas”, disse.

Dilma voltou a investir no discurso de que, em 2002, o País passou por um processo parecido com o que acontece agora. “Diziam que o presidente Lula, então candidato, ia mudar as cores da bandeira brasileira e invadir as igrejas. Nós fomos para a rua e dissemos que ‘não’, que a esperança venceria o medo, e venceu”, afirmou Dilma. A candidata declarou também que o presidente Lula honrou as cores verde e amarela da bandeira. 

Embora tenha falado sobre religão, Dilma empenhou-se em transferir a discussão para o tema da educação. Enquanto era questionada por jornalistas em entrevista coletiva, a petista tinha ao lado o senador Aloizio Mercadante, que se encarregava de ajudá-la a desviar dos temas polêmicos. "É para falar sobre educação, Dilma. Sobre educação", dizia o senador, que saiu derrotado da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Embora o evento tenha sido planejado para anunciar ideias para a educação, Dilma fez apenas propostas genéricas para a área, como o pagamento de salário digno aos professores e a implantação de programas de formação continuada.

Dilma também aproveitou para exaltar programas do governo federal e afirmou que a educação foi "sucateada" na administração tucana. Serra, segundo ela, tratou professores "a cacetadas" e eliminou o diálogo com a categoria.

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