Após carreata em Caruaru, Dilma diz ter vivido momento mais forte

Ao lado do governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidenciável petista disse que "não conteve as lágrimas"

Matheus Pichonelli, enviado a Caruaru |

Após participar de uma carreata de duas horas em Caruaru, município do agreste pernambucano, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , afirmou nesta terça-feira que “viveu uma das experiências mais fortes” de toda a sua vida.

A presidenciável petista adotou o tom emocional a menos de uma semana das eleições e por algumas vezes levou as mãos aos olhos ao ouvir gritos de apoio de militantes que tomaram as ruas da maior cidade do interior de Pernambuco. Ao final do evento, ela disse a jornalistas que não conteve as lágrimas em determinados momentos da carreata.

Agência Estado
A candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), faz carreata em Caruaru (PE)
Ao lado do governador, Eduardo Campos (PSB), reeleito com 82,8% dos votos no Estado e do escritor Ariano Suassuna, Dilma discursou no marco zero de Caruaru e disse que nunca tinha visto tanta “festa” e tanta “energia” ao longo da campanha.

“O povo vê em Caruaru que nós já temos uma nova presidenta no Brasil”, disse Campos, ao afirmar que a grande manifestação popular vista na carreata mostra que a eleição já está decidida. Três trios elétricos acompanharam a carreata da petista.

Dilma aproveitou para fazer um apelo aos eleitores para que no próximo dia 31, optassem pela continuidade do governo Lula e não por um candidato que pode levar projetos vigentes “serra abaixo”, em alfinetada no adversário tucano José Serra .
Após carreata, que teve início às 16h25, no horário local e só terminou depois das 18h30, Dilma evitou entrevistas e questionada sobre suposta fraude em licitação do metrô de São Paulo, divulgada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira, disse que não podia se alongar porque deveria seguir para seu último evento no Nordeste, na Bahia.

Caruaru

Mesmo sem a presença do presidente Lula, a visita da presidenciável petista era aguardada com ansiedade por moradores no aeroporto Oscar Laranjeiras, em Caruaru, município de 289 mil habitantes. No primeiro turno das eleições, a maioria dos moradores do Vale do Ipojuca votou em Dilma, que teve 55,5% dos votos, contra 29,4%, de Serra e 14,4%, de Marina Silva (PV).

Ao lado do aeroporto da cidade, funciona um matadouro onde os trabalhadores transitavam com adesivos de apoio a ex-ministra. Na casa da família Pereira, onde todos votam em qualquer candidato que tenha o apoio do presidente Lula, a preocupação era que a candidata chegasse antes do almoço servido aos trabalhadores e clientes do restaurante improvisado na residência – onde por R$ 7 é possível comer arroz, feijão de corda e quisado de carne, com café incluso.

Enquanto as panelas queimavam nas brasas de um fogão a lenha, José Edilson Pereira, 48, circulava entre os clientes que se serviam no sofá de sua sala com um adesivo de Dilma Rousseff colado na camisa listrada. O filho dele, José Pereira, 23, explica porque em cada canto das paredes há adesivos da candidata petista e do governador Eduardo Campos, que só disputam espaço com quadros do papa João Paulo 2, de Jesus Cristo e de Frei Damião: “Todo político hoje que for contra o Lula se ferra”, diz o jovem que trabalha ajudando os pais na casa-restaurante de paredes gastas e teto sem forro.

Viciado em internet, o jovem diz acompanhar política diariamente e diz que há 15 anos as condições da cidade e da região eram péssimas, mas que com Lula obras como a duplicação de rodovias federais e instalação de institutos de ensino foram trazidos para a localidade. Entre os moradores na casa é nítido o temor de que sem um aliado do presidente, que nasceu em Pernambuco, o Nordeste seja esquecido pelo próximo governante.

Logo depois do almoço, a rua da casa da família foi tomada por militantes que recepcionaram a ex-ministra ao som de forró e baião. Alguns chegaram vestidos de cangaceiros e outros com trajes típicos do maracatu. Quando a carreata teve início, eles formaram um verdadeiro “corredor polonês” para manifestar apoio à petista. Entre os fãs, estava o ceramista Severino Vitalino, de 70 anos, filho de Mestre Vitalino, maior expoente do artesanato de Caruaru, que morreu em 1963 aos 54 anos.

Segundo Vitalino, se o pai estivesse vivo teria votado em Lula em todas as eleições. Ele levou uma miniatura de um carro de boi feito em barro para presentear Dilma.

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