Aos olhos do ex-marido, militância se sobrepôs à vida em família

Advogado, que hoje vive sozinho em Porto Alegre, diz se considerar um irmão da candidata petista

Andréia Sadi, iG Brasília |

No relacionamento que mantém desde a década de 60 com Dilma Rousseff, o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo já se viu em muitas posições. De companheiro de militância e marido, passou a amigo da mãe de sua filha. Hoje, diz se considerar um irmão da candidata petista ao Palácio do Planalto, que conheceu quando militava na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). "A Dilma é uma companheiraça e eu me considero seu irmão. São laços que não se desfazem", conta.

A diferença de quase dez anos de idade não impediu que Dilma e Araújo se envolvessem. "Tivemos logo uma grande paixão. Foi de cara", relembra o advogado, que hoje vive sozinho em Porto Alegre. Discreto, ele raramente concede entrevistas. Diz não gostar de "atrapalhar" a candidata. Ao iG , falou com carinho sobre Dilma e contou passagens da vida a dois.

Pai da única filha de Dilma, Paula Rousseff, Araújo admite que a militância política empurrou a vida familiar para o segundo plano. "Nunca fomos bons pais na verdade", reconhece, lamentando o fato de não ter dado mais atenção à filha. As dificuldades, garante, foram superadas. "Hoje ela admira muito a mãe." 

iG: Como o senhor e a ex-ministra se conheceram?

Araújo: Em uma reunião no Rio. Nós tivemos logo uma grande paixão. Foi em seguida e de cara ( risos ). Ela era uma mulher muito bonita, sempre foi uma mulher que tinha mais volume de corpo. Isso ocorreu quando ela tinha 19 anos e eu tinha 30. Aí fomos morar juntos. 'Morar juntos' é uma expressão porque rodávamos muito o Brasil e acabávamos não nos vendo muito. Estávamos sempre preocupados com questão de segurança e aí nosso relacionamento de morar junto foi interrompido quando ela foi presa ( em 1970 ). Em seguida, eu fui preso também. E aí ela saiu da cadeia e veio morar aqui em Porto Alegre com meus pais. Eu só saí da cadeia em 1974.

iG: Vocês tiveram uma única filha, a Paula, em 1976. Não pensaram em ter mais filhos depois?

Araújo: Nós militávamos demais. Já para dar conta de um filho, dar um atendimento razoável...Nunca fomos bons pais na verdade. Ficava com a empregada. Não conseguíamos dar muita atenção, como a Paula merecia. Passávamos o dia militando, então não cogitamos mais filhos. Estávamos muito satisfeitos com um filho, eu gosto muito de criança, eu tenho mais filhos ( ele tem mais dois filhos de outros relacionamentos ). Sou um pai muito coruja com meus filhos. Sou um pai e avô coruja.

iG: A Dilma tem fama de ser brava desde os tempos da Casa Civil. Ela sempre foi assim?

Araújo: Sempre foi forte o temperamento dela, desde que a conheci com 19 anos. Mas isso não impediu que nos déssemos muito bem. Sempre foi muito carinhosa e querida comigo. Ela é transparente, companheiraça. Eu me considero membro da família da Dilma, como se fosse irmão dela. A relação que tenho com ela e a mãe dela. E ela se considera membro da minha família.

iG: O senhor também tem contato com o Cláudio Galeno, primeiro marido de Dilma?

Araújo: Falo. Somos muito amigos, gosto muito dele. É uma coisa boa. Quando ele veio do exterior morar em Porto Alegre, o convidamos para morar aqui. Não conosco, mas arrumaríamos emprego para ele e família.

iG: E com a Dilma, o senhor fala?

Araújo: Falo, mas não toda hora, para não atrapalhar. Eu queria ir mais a Brasília, mas minha saúde não permite. Dilma disse que  umidade do ar está baixa eu não posso porque minha doença não permite. Tenho enfisema pulmonar. Aí eu ficaria com ela, na casa dela, com a dona Dilma. Sabe o que é? São laços. Somos como uma família.

iG: O senhor sente saudades daquela época?

Araújo: Tudo o que ocorreu conosco acho muito bom. Eu tenho visão crítica de algumas coisas, politicamente falando, mas me orgulho muito de tudo que fiz na minha vida. Olho o passado com felicidade.

iG: E a Paula, como é a relação de vocês?

Araújo: Hoje ela admira muito a mãe, está muito feliz com tudo. Mas existiu atrito da filha conosco, existiu, mas foi superado da adolescência. Não deu trabalho de fazer bobagem, nunca foi. Mas não recebeu, aos olhos dela, o amor que ela queria ter, quando era adolescente. Hoje, ela casou-se, mora pertinho da minha casa, a Dilma comprou apartamento pertinho da minha casa também. A minha empregada vai lá e arruma tudo quando ela vem para Porto Alegre. Eu também. Vou e compro as coisas para ela quando ela vem. Aí fica todo mundo perto.

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