Aos 70 anos, Marco Maciel perde a primeira eleição da sua vida

Após disputa sem apoio de nenhum governo, Marco Maciel fica de fora na disputa por vaga ao Senado em Pernambuco

Luciano Suassuna |

Marco Maciel tinha 21 anos de idade e estava na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco quando começou sua primeira campanha política. No ano seguinte, seria eleito presidente da União Metropolitana dos Estudantes, numa gestão marcada pela ruptura com a União Nacional dos Estudantes, a UNE, que à época, em meio às tensões políticas do governo João Goulart, tinha mais força que muitos partidos.

De lá para cá, construiu uma carreira pública de meio século na qual foi uma vez deputado estadual e duas vezes deputado federal, incluindo uma vitoriosa eleição que o transformou no mais jovem presidente da Câmara, aos 36 anos de idade. Teve ainda um mandato de governador, dois de senador e dois de vice-presidente da República de Fernando Henrique Cardoso.

Foi um dos principais articuladores da chamada Frente Liberal, a dissidência do PDS, partido do regime militar, que garantiu a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 1985. Pelo trabalho, foi escolhido ministro da Educação e, depois, deslocado por José Sarney para a Casa Civil. Agora, aos 70 anos, Marco Maciel (DEM-PE), perdeu a primeira eleição de sua vida.

Uma biografia como de Maciel jamais pode ser derrotada por um motivo único. Mas o principal talvez seja o fato dele ter encarado a primeira eleição de sua vida estando na oposição – e o governismo de meio século é justamente o outro ponto marcante, quase folclórico, da carreira de Marco Maciel. Na eleição anterior, em 2002, ele vinha com a força do governo federal, do qual fora vice-presidente por oito anos. E embalou com a campanha majoritária de Jarbas Vasconcelos, que seria reeleito governador de Pernambuco.

Agora, pela primeira vez, Marco Maciel disputou uma eleição sem o apoio de nenhum governo. O da capital está nas mãos do PT e o estadual na de Eduardo Campos, do PSB, reeleito com uma das maiores votações proporcionais entre todos os governadores. Mesmo com duas vagas de senador, Maciel sofreu com o favoritismo, desde o início da campanha, do ex-ministro de Lula, Humberto Costa, do PT, e depois com a arrancada, nos braços da coligação governista, do empresário Armando Monteiro, CNI na pessoa jurídica e PTB na política.

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