A polêmica da demissão do ex-presidente dos Correios chega ao debate sobre à sucessão mineira

O candidato do PSDB à reeleição ao Governo de Minas Gerais, Antônio Anastasia, subiu o tom contra o adversário Hélio Costa (PMDB), líder nas pesquisas de intenção de votos, no debate realizado na noite desta quinta-feira pela Band, em Belo Horizonte.

Depois de um início morno, o tucano intensificou as críticas ao rival no início do quarto bloco ao perguntar a Hélio Costa se ele admitiria a participação de Carlos Henrique Custódio no governo estadual caso seja eleito. Custódio é ex-presidente dos Correios, empresa ligada ao Ministério das Comunicações, pasta que Hélio chefiou e foi demitido pelo presidente Lula devido à denúncias de corrupção.

Candidatos no debate realizado na Band, em Belo Horizonte
Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais
Candidatos no debate realizado na Band, em Belo Horizonte
“A reformulação aconteceu por uma orientação do Ministério do Planejamento. O Correio é uma empresa que está em todo País, que está em todas as cidades mineiras e esses resultados foram conseguidos na nossa administração, mas o candidato (Anastasia) faz parte de um lobby paulista que está mal informado sobre a questão e procura apenas desestabilizar o Governo Federal”, respondeu Costa.

Em sua réplica, o tucano afirmou que a falta de informação sobre os “bons resultados” faz parte da rotina do Governo Federal. “Os Correios todos nós respeitamos, mas quem demitiu a diretoria foi o presidente Lula que então deve estar mal informado como todos nós”, disse.

Foi o único momento de discussão direta entre Costa e Anastasia. Antes e depois disso, os candidatos se limitaram a se referir um ao outro apenas em suas respostas. Na primeira pergunta, feita pela produção do programa – “O que fazer para administrar melhor o dinheiro público e evitar corrupção?" -, os candidatos preferiram apenas se apresentar e nenhum dos cinco candidatos respondeu a questão.

Anastasia logo na primeira frase usou o nome de seu padrinho político, Aécio Neves (PSDB), candidato ao Senado e de quem ele herdou o governo estadual. Respondendo em seguida, Hélio Costa também usou o nome de seus “padrinhos” e citou Lula, Patrus e Pimentel - todos pestistas. “É extraordinário o que o governo Lula fez pelos pobres no País e nós vamos fazer o mesmo em Minas”, disse.

A primeira troca de farpas entre Hélio Costa e Anastasia aconteceu no terceiro bloco do debate, no momento em que um dos jornalistas colocou na pauta uma pergunta sobre a Lei Kandir e seus impactos no pagamento dos direitos minerários que o Estado recebe da exploração de minério de ferro.

O candidato Hélio Costa (PMDB), no debate em Minas com seu marqueteiro durante debate em Minas Gerais
Agência Estado
O candidato Hélio Costa (PMDB), no debate em Minas com seu marqueteiro durante debate em Minas Gerais
O peemedebista disse que Minas Gerais perde mais de R$ 1,5 bilhão por ano em impostos e que pretende “se esforçar para que o Estado cobre ICMS das empresas”. Na sua vez, Anastasia “lembrou” à Hélio Costa que a lei que determina o pagamento dos royalties dos minérios é federal e “não cabe do governo estadual legislar sobre a questão". Costa, então, rebateu dizendo que foi durante o governo de Fernando Henrique Cardoso que “a lei foi votada e aprovada”.

Embora recebido com mais entusiasmo na entrada do debate, por um grupo maior que Hélio Costa, Anastasia teve a ausência de Aécio Neves e Itamar Franco (PPS) que não compareceram à sede da Band. Já Costa teve ao seu lado o publicitário Duda Mendonça, além dos candidatos a vice-governador Patrus Ananias e ao Senado, Fernando Pimentel.

Além de Costa e Anastasia, participaram do debate mais três concorrentes ao governo de Minas Gerais- professor Luiz Carlos (PSOL), o deputado federal José Fernando (PV) e Edilson Nascimento (PTdo B). Vanessa Portugal (PSTU) e Fabinho (PCB) não participaram por não terem representação no Congresso Nacional que é o critério do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ser incluído nesse tipo de programa.

Repercussão

Logo após o término do debate, Anastasia disse que a troca de farpas com Hélio Costa foi apenas um “entrave” que faz parte do processo democrático. “Mesmo com o tempo curto e temas muito vastos, este é apenas o primeiro encontro. Foi um debate muito bom porque debateu ideias e propostas. É claro que surgiram alguns entraves, mas faz parte do processo democrático”, afirmou.

O candidato Hélio Costa evitou polemizar com Anastasia e disse que estava satisfeito com o resultado do debate. “Houve tempo suficiente para fazer uma análise do que está sendo feito no Estado de Minas. Mostramos a que a nossa proposta é de um governo com um projeto regionalizado, diferente do que está sendo feito hoje, e estou muito feliz com o tempo que tivemos no debate”. Patrus Ananias, vice na chapa de Hélio Costa, comentou apenas que sua coligação conseguiu mostrar “seus compromissos e prioridades”.

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