Ananias é arma eleitoral para Costa nas eleições

Vice do peemedebista tem status de cabeça de chapa, com o mesmo peso que o candidato na divulgação da campanha

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

Em nenhum outro estado o candidato a vice tem tanto prestígio na campanha quanto em Minas Gerais. O nome do ex-ministro Patrus Ananias (PT) tem tanto peso quanto o do ex-ministro Hélio Costa (PMDB), que disputa o governo do Estado - até o seu nome está escrito no endereço do site oficial da campanha (http://www.heliopatrus15.com.br). Apesar de ser líder em todas as pesquisas de intenção de votos realizadas neste ano – a mais recente divulgada nesta segunda-feira (23) pelo Ibope mostra uma diferença de 11 pontos para o segundo colocado –, a avaliação nos bastidores da campanha do peemedebista é de que sem o prestígio do vice bom de voto a trajetória seria muito mais difícil para Costa.

No primeiro comício oficial da campanha, realizado no início do mês de agosto em Belo Horizonte, diante de uma platéia de dez mil pessoas e com a presença do presidente Lula e da candidata petista à presidência, Dilma Roussef, o ex-ministro das Telecomunicações garantiu que Patrus tem o “mesmo peso” na chapa e que “eles governarão o estado em parceria”. Logo depois, durante a sabatina do jornal Folha de S. Paulo/Portal Uol, Costa revelou que somente se tornou candidato ao governo de Minas graças a uma reunião com o presidente Lula e Patrus Ananias ainda no mês de janeiro deste ano, quando foi acertada a aliança e ficou decidido que o petista seria o vice em sua chapa. O início do Horário Eleitoral Gratuito provou que o peemedebista não estava mesmo brincando: Ananias tem tido tanto espaço na campanha na tevê e o no rádio quanto o cabeça de chapa.

A importância do petista na chapa de Hélio Costa também é evidente nos compromissos de campanha. Além de Costa, Patrus Ananias tem agenda própria. Não é incomum um estar em uma região do estado e o outro, em outra, sempre com os mesmos compromissos – encontros com lideranças, caminhadas junto à população e comícios eleitorais. Assim como Costa, Ananias pede votos para seu eventual governo.

Ananias é o coordenador da campanha de Dilma em Minas Gerais e foi apontado como peça-chave para Costa vencer a resistência da militância petista ao seu nome. Até junho, o petista era um dos principais nomes do PT para disputar o governo de Minas, caso a legenda fosse seguir numa candidatura própria. Ele assumiu o Ministério do Desenvolvimento Social em 2004 e é tido como o responsável pela grande expansão do bolsa-família, o programa de distribuição de renda criado pelo Governo Federal que, para muitos, é uma das principais armas do governo Lula nesta disputa eleitoral.

Patrus Ananias também foi prefeito de Belo Horizonte com um dos maiores índices de aprovação na história da cidade – mais de 80% consideraram seu governo entre ótimo e bom -, e fez seu sucessor em 1996, Célio de Castro (então no PSB) com mais de 68% dos votos válidos. Em 2002, ele foi eleito o deputado federal com maior votação no estado, com mais de 520 mil votos. Há quem diga, até dentro da campanha de Hélio Costa, que a popularidade dele é fundamental para que vencer a rejeição que existe em relação ao candidato peemedebista em alguns segmentos, notadamente nos mais próximos da esquerda.

Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Rudá Ricci, as eleições ao governo de Minas deste ano podem eleger um candidato que não venceu apenas por mérito próprio. “Patrus está para Hélio Costa assim como Aécio está para Anastasia”, diz o cientista político. “Hélio pode ser eleito pelo vice que tem e Anastasia pode ser eleito pelo vice de quem foi”, conclui.

Hélio Costa costuma dizer que a aliança com o PT era fundamental para enfrentar “a máquina do estado” da qual já foi vítima por duas vezes. O peemedebista perdeu duas disputas ao cargo no Palácio da Liberdade. Em 1990, Costa deixou para trás o ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga (PSDB) e disputou o segundo turno com Hélio Garcia (então PRS, mas acabou perdendo por apenas dois pontos percentuais). Em 1994, Costa liderou todas as pesquisas de intenção de votos e chegou ao segundo turno com mais de 20 pontos à frente do segundo colocado, Eduardo Azeredo (PSDB), que era candidato à reeleição. Mesmo assim, viu o tucano passar à frente no segundo turno e vencer aquela eleição com dez pontos de diferença.

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