Ana e Jatene mudam estratégia no Pará

No debate da TV candidatos ao governo adotam linguagem agressiva. Coordenadores se agridem ao final do programa

Pollyana Bastos, iG Pará |

Os dois candidatos ao governo do Pará, Ana Júlia (PT) e Simão Jatene (PSDB), mudaram o tom do discurso nos debates do horário eleitoral gratuito na TV. Se o primeiro turno da disputa ao governo foi marcada por debates amenos e poucas propostas apresentadas pelos candidatos, no segundo turno os ânimos parecem exaltados.

O clima do debate de ontem, por exemplo, refletiu-se entre os coordenadores da campanha de Ana Júlia – Edson Barbosa – e de Jatene, Orly Bezerra, que iniciaram uma briga. O motivo do desentendimento teria sido a insistência da equipe de Jatene em fazer imagens da governadora nos bastidores do programa.

Alfinetadas mútuas

No debate realizado pela TV Record, Ana Júlia e Jatene trocaram acusações e se exaltaram com alfinetadas. Jatene questionou a segurança pública, citando o assalto a um comandante da PM da capital e a “propagada” amizade da candidata com o presidente Lula sobre repasse de verbas para o SUS. O Pará é o “último” colocado.

Ana Júlia teve dificuldades para controlar o tempo de fala e durante quase todo o debate extrapolou o limite estabelecido. A candidata se defendeu dos questionamentos citando programas de “polícia cidadã,” desenvolvidos durante seu mandato e o repasse de verbas para investimento em saúde diretamente para os municípios.

Almir Gabriel

A governadora foi questionada por uma jornalista da emissora a respeito do apoio do ex-governador tucano, Almir Gabriel, à candidatura de Ana Júlia, lembrando antigas desavenças, como as constantes críticas da candidata à privatização da Celpa, realizada durante o governo de Almir. O ex-tucano hoje está sem partido, e que declarou apoio à candidata petista.

A jornalista também lembrou o episódio do massacre de El Dourado dos Carajás, pelo qual Ana Júlia chegou a se referir a Almir como “assassino”. A candidata não negou as divergências e atribuiu o apoio de Almir ao fato de o político considerar que Jatene “não teria disposição para o trabalho”.

O argumento foi retomado por Ana Júlia ao relembrar o episódio da ausência de Jatene, na época governador do estado, na primeira reunião entre o Presidente Lula e os governadores da região Norte, em 2003. Na ocasião Jatene faltou ao compromisso para participar de uma pescaria.

Zona Franca

O candidato tucano afirmou que não compareceu à reunião deliberadamente para evitar a discussão do projeto de criação de uma nova Zona Franca na Amazônia, que não contemplava o Pará e de quebra acusou Ana Júlia de não ter participado da votação do projeto em favor ao ex-presidente José Sarney. A esta altura o debate estava acalorado.

Jatene também passou a extrapolar o tempo de fala. A candidata petista falou sobre as investigações do Tribunal de Contas da União (TCU), que obrigaram uma ex-funcionária do governo Jatene a devolver aos cofres públicos verbas desviadas da saúde. E citou também o processo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o candidato tucano, por abuso do poder econômico na campanha de 2002.

No fim do debate os coordenadores da campanha de Ana Júlia, Edson Barbosa, e de Jatene, Orly Bezerra iniciaram um bate-boca. O motivo da briga teria sido a insistência da equipe do candidato tucano em fazer imagens da candidata petista nos bastidores do programa. Mas tudo acabou bem, a turma do "deixa disso" conseguiu acalmar os "ânimos" dos dois coordenadores de campanha.

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