Alvaro minimiza pressão do DEM e já fala como vice de Serra

Em entrevista ao iG, senador acha "normal" reação do presidente do DEM, Rodrigo Maia. "Vai ser resolvido aos poucos"

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Apesar do veto do DEM ao seu nome como vice de José Serra (PSDB), o senador tucano Alvaro Dias (PR) deu entrevista ao iG já projetando seu papel na campanha. “Vou participar dentro da orientação do candidato, com lealdade e absoluta fidelidade”, disse.

Mesmo com as declarações contrárias do presidente do DEM, Rodrigo Maia, Alvaro Dias afirmou ter recebido telefonemas de apoio de integrantes do partido aliado. “Várias pessoas [do DEM] me ligaram”, disse. "Eu tive manifestação de pessoas de outros Estados também", completou

Para Dias, o anúncio oficial da chapa é uma questão de tempo. ”Acho normal porque o DEM tem essa expectativa [de ter o vice]. Até pela tradição de sempre ocupar a vice. Mas acho que haverá compreensão ao final”, disse. Confira a íntegra da entrevista:

iG - Como foi a conversa pela manhã?
Alvaro Dias - Fui chamado lá [em São Paulo] para ser convocado.

iG - Quem chamou o senhor?
Dias - Foram encarregados de transmitir o Jutahy Júnior [deputado federal do PSDB da Bahia e homem de confiança de Serra] e presidente Sérgio Guerra.

iG – Onde foi a conversa?
Dias - Foi num hotel em São Paulo. O Jutahy me pegou no aeroporto cedo. Tive de ir para São Paulo às pressas.

iG – O que Jutahy e Sérgio Guerra falaram para o senhor?
Dias – Disseram que era uma decisão do PSDB e que queriam submeter o meu nome aos outros partidos aliados [PTB, PPS e DEM]. Já tinham feito algumas consultas. Depois foram ao Rio de Janeiro conversar com o presidente do DEM, Rodrigo Maia.

iG – O que o senhor achou da reação do Rodrigo Maia?
Dias – Eu acho normal porque o DEM tem essa expectativa [de ter o vice]. Até pela tradição de sempre ocupar a vice. Mas acho que haverá compreensão ao final. Eu sou um coadjuvante no processo. Acho que todos nós devemos contribuir para que o Serra tenha tranqüilidade para liderar um projeto de nação como esse. Todos nós vamos convergir e colaborar.

iG – Que reação teve ao saber que Roberto Jefferson havia revelado a escolha pelo Twitter?
Dias – Ele foi consultado e imediatamente colocou no Twitter. Estava ao lado do Sérgio Guerra quando ele ligou e consultou o Roberto Jefferson. Não se imaginava que houvesse a divulgação.

iG – O senhor vai falar com o Rodrigo, com alguém do DEM?
Dias – Agora que eu cheguei aqui [em Cuiabá] eu encontrei o DEM do Mato Grosso. Eles são favoráveis. Eu tive manifestação de pessoas de outros Estados, mas não é bom divulgar agora. Várias pessoas [do DEM] me ligaram.

iG – Esse problema com o DEM será solucionado aos poucos?
Dias – Sim. Vai ser resolvido aos poucos.

iG – Foi marcado um anúncio oficial?
Dias – Não. Na verdade, o Sérgio Guerra anunciou hoje essa posição [de que o nome dele foi indicado pelo PSDB]. Para fechar, temos de aguardar um pouquinho.

iG – O senhor está confiante?
Dias – Eu estou tranquilo. Faço a minha parte no processo. Acho que é uma convocação irrecusável. Que há aceitação não há menor dúvida. Nunca advoguei a favor do meu nome. As lideranças dos partidos é que vão construir a unidade.

iG – Pesou a questão do Paraná?
Dias – Evidentemente que pesa. São mais de sete milhões e meio de eleitores lá.

iG – Fizeram pesquisa?
Dias – Não sei. A avaliação foi feita, mas não sei o quê.

iG – Como vai encarar o desafio?
Dias – Vou participar dentro da orientação do candidato, com lealdade e absoluta fidelidade ao projeto. Ele dá o tom da campanha e eu fico à disposição para cumprir missões durante a campanha. Ainda não conversamos. Até porque ainda não há homologação. Liguei para ele mas ainda não consegui falar. Nunca falei com ele sobre a vice.

iG – Em 2002, o senhor apoiou o Lula contra o Serra? Não vê problemas nisso?
Dias –
Sim, eu era do PDT. No primeiro turno ficamos com o Ciro Gomes . No segundo turno, o partido apoiou o Lula. O problema é que o Lula apoiou o Requião [Roberto, candidato PMDB que venceu a eleição]. Ele não me apoiou. Eu não apoiei o governo dele [do Lula] nenhum dia. Eu fui levado pelo partido [PDT] no segundo turno.

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