Alta aprovação eleva cotação de Campos no cenário nacional

Deputado Maurício Rands afirma que o governador deve sair das urnas como a maior liderança política do Nordeste

Pierre Lucena, iG Pernambuco |

Em outubro de 1998, uma derrota de mais de um milhão de votos de diferença, parecia sepultar não apenas a carreira política do então Governador Miguel Arraes, mas o legado político do "arraesismo", que desde a década de 60 ditava os rumos da esquerda pernambucana. No epicentro da derrota, estava o seu neto, o então deputado Eduardo Campos, que tinha sido Secretário da Fazenda do terceiro Governo Arraes.

A partir de então, Eduardo Campos viveu um difícil momento político, sendo responsabilizado por grande parte da esquerda pela derrota de Miguel Arraes para o seu rival, Jarbas Vasconcelos, que havia sido aliado até o ano de 1992. Coincidentemente, o rompimento entre os dois teria se dado em função da negativa de Jarbas em aceitar o jovem Eduardo Campos como seu vice na chapa de Prefeito.

A virada na carreira política de Eduardo Campos se deu quando assumiu o cargo de Ministro de Ciência e Tecnologia do Governo Lula, onde construiu forte relação com o presidente, e viabilizou sua candidatura ao Governo de Pernambuco em 2006.

Com a imagem requalificada pela boa passagem pelo Governo Federal, Eduardo Campos acabou sendo beneficiado pela onda de denúncias sofridas pelo petista Humberto Costa em 2006, chegando ao segundo turno e ganhando a eleição com grande vantagem para o então Governador Mendonça Filho, que era apoiado por Jarbas Vasconcelos.

Desde então Eduardo vem se dedicando a construir uma grande aliança em torno de seu projeto de governo. Beneficiado pela popularidade e pela quase unanimidade do presidente Lula em Pernambuco, o governador soube esvaziar a oposição e isolar o senador Jarbas Vasconcelos, que amarga um distante segundo lugar nas pesquisas, com apenas 19% das intenções de voto. Segundo a pesquisa Vox Populi/Band/IG, Eduardo Campos tem 70% de intenção de votos.

Campos construiu sólida aliança com o ex-adversário Humberto Costa, que agora tenta o Senado na chapa do governador. Seus correligionários apostam na sua capacidade política para obter em Pernambuco a popularidade que Lula construiu ao longo dos últimos 8 anos. “É um construtor de pontes”, declara o deputado José Chaves (PTB), que foi Secretário de Turismo no início do Governo, se referindo ao fato de Eduardo Campos ter conseguido ampliar a frente política em seu apoio.

O deputado Maurício Rands, ex-líder do PT na Câmara Federal, vai mais longe: “Eduardo Campos pode vir a ser presidente da República. Tem uma grande capacidade de agregar, e pode inclusive ajudar a atrair uma parte do PSDB, dentro da ideia de Lula de criação de uma ampla frente política”. Em relação à aliança com políticos conservadores, Rands diz que não há problemas, já que o perfil ideológico de Eduardo é nítido. Maurício Rands disse acreditar que a partir de outubro Eduardo Campos se torne a maior liderança política do Nordeste.

Já os opositores acusam Eduardo Campos de querer esmagar a oposição, cooptando prefeitos e lideranças. O senador Jarbas Vasconcelos, principal rival de Eduardo, acusa o governador de uso da máquina pública: “O governador tem que explicar também o que está fazendo. É toma lá e da cá”. Segundo o senador, “oferecer obras aos prefeitos é a mesma coisa que usar o poder público", e isto, ainda de acordo com ele, "estaria virando rotina”.

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