Alianças inesperadas e partidos divididos marcam eleições no Pará

Simão Jatene (PSDB) chegou com vantagem ao segundo turno, marcado por campanhas mais agressivas. PT espera surpresas nas urnas

Pollyanna Bastos, iG Pará |

Os paraenses vão às urnas no próximo domingo decidir uma disputa que envolveu polêmicas alianças e dividiu partidos ao longo da campanha ao governo do estado. A atual governadora do Pará e candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Ana Júlia Carepa, fez uma das campanhas mais caras do País. O orçamento declarado ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) supera R$40 milhões.

Ana Júlia enfrenta um forte índice de rejeição, segundo pesquisa realizada pelo Ibope. O levantamento diz que 40% dos paraenses reprovam a candidatura da candidata petista. Para sair vitoriosa no segundo turno e superar o adversário, Simão Jatene (PSDB), Ana Júlia precisa conquistar cerca de meio milhão de votos. Jatene quase ganhou a disputa no primeiro turno, em que obteve 48% dos votos, 450 milhões a mais que Ana Júlia. Apesar aparente vantagem, Jatene acredita que “nenhuma eleição é definida antes da apuração dos votos”.

Se, na primeira etapa, as campanhas dos candidatos ao governo do estado transcorreram em clima ameno – os candidatos evitaram ofensas, possivelmente já pensando nas alianças para um possível segundo turno – neste segundo turno, o tom dos concorrentes ficou agressivo. Além das trocas de ofensas, disputas jurídicas também ocorreram no estado.

Polêmicas

A disputa por aliados marcou a campanha durante o segundo turno. As surpresas com as alianças feitas levantaram polêmicas. Almir Gabriel, ex-governador do estado pelo PSDB, que ajudou a eleger Jatene governador em 2002, este ano declarou apoio à candidata petista. Durante anos, a governadora Ana Júlia foi uma das principais adversárias de Almir.

Mesmo com o apoio do ex-governador mais bem avaliado da história do estado, Ana Júlia perdeu aliados entre os membros dos partidos que compõem sua coligação, a Acelera Pará, e não conseguiu aliança oficial com o PMDB. O presidente do partido, Jader Barbalho, liberou os correligionários para apoiarem quem quisessem. A maioria dos deputados eleitos e o ex-candidato ao governo, Domingos Juvenil, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, se uniram aos tucanos.

É nesse clima de alianças inesperadas e partidos divididos que os 4,7 milhões de eleitores do Pará vão às urnas neste domingo. No total, foram gastos $19 milhões para estruturar o processo eleitoral no estado. Grande parte desses recursos é destinada ao transporte de equipamentos e à transmissão de dados, que será feita via satélite e pela internet, tudo para acelerar a apuração dos votos no estado.

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