Aliados minimizam episódio de Serra em programa da CNT

Segundo presidente do PSDB, discussão do candidato com jornalista Márcia Peltier não afeta campanha

Nara Alves e Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

Após discussão do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra , com a jornalista Márcia Peltier, durante gravação do programa Jogo do Poder, da Rede CNT, nesta quarta-feira, aliados do tucano minimizaram o episódio e disseram que o fato não prejudica a campanha do tucano.

Para o presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, senador Sérgio Guerra (PE), o candidato apenas mostrou aos jornalistas sua posição. "Quando a pessoa usa da franqueza, ela está sempre certa", afirmou. Para Guerra, o fato não prejudicou a imagem de Serra. "Está muito distante das eleições", disse.

Já o presidente do PPS, Roberto Freire, minimizou o caso e criticou os adversários. "Isso é irrelevante perto da bandidagem que tem nesse governo Lula. O Serra poderia ter falado do problema da filha dele, mas ele preferiu falar de suas propostas", disse.

Durante entrevista à jornalista Márcia Peltier nos estúdios da CNT em São Paulo, Serra ameaçou deixar a gravação ao ser questionado sobre o caso da quebra de sigilo fiscal e do seu desempenho nas pesquisas. “Eu não vou dar essa entrevista, me desculpa”, disse Serra, alegando que a pergunta utiliza argumentos do PT. “Faz de conta que eu não vim”, continuou o tucano.

Com a discussão, a gravação foi interrompida. Em seguida, a jornalista insistiu para que o candidato permanecesse nos estúdios para concluir a entrevista, pedido que foi atendido. Segundo a assessoria de imprensa da CNT, o programa foi ao ar no mesmo dia, às 22h50, para todo o Brasil, porém, com cortes na edição para que o episódio não aparecesse.

A assessoria de imprensa de Serra diz que o bloco não foi regravado e foi ao ar na íntegra, e que a discussão teria ocorrido no intervalo, e não durante a gravação.

A assessoria de Serra disse, ainda, que a Rede CNT havia apresentado um projeto, há dois meses, no qual apontava que a série de entrevistas com presidenciáveis trataria de programas de governo. Por isso, o tucano teria se irritado ao perceber que, durante o primeiro bloco, as perguntas giravam em torno de pesquisa e quebra de sigilo.

Serra confirmou sua participação no programa às 2h da madrugada, nove horas antes de conceder a entrevista. Logo após a gravação, Serra partiu com atraso para compromissos de campanha em Juazeiro do Norte, no Ceará. Lá, ele procurou não comentar o bate-boca, somente narrou o que teria acontecido durante o intervalo.

Entrega da fita

Após o episódio, a assessoria de imprensa da Rede CNT informou que a emissora “preferiu ceder” a fita bruta do programa Jogo do Poder à assessoria de Serra ao final da gravação, a fim de “tirar a responsabilidade” do programa sobre possíveis vazamentos das imagens da discussão na internet.

O jornalista responsável pelo programa, Domingos Trevisan, disse ainda que a CNT preferiu também não divulgar o episódio para outros veículos da imprensa.

Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, a entrega da fita bruta ao candidato foi uma opção de conduta da jornalista e da emissora. “Do ponto de vista jornalístico, acho um equívoco, mas não há nenhuma regra que diga que não se pode fazer isso”, diz. Para Schröder, a CNT, no entanto, “abriu mão” de um evento que é importante para o País. “É uma característica do candidato que as pessoas têm direito de conhecer”, concluiu.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG