Aliados de Serra aprovam tom mais agressivo

Tucano endureceu discurso contra o governo federal e a rival Dilma Rousseff, mas especialistas desconfiam do efeito da estratégia

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Aliados do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, apoiaram a decisão do tucano de subir o tom das críticas contra o governo federal. Com cuidado para não se contrapor diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra aproveitou a última semana para investir no confronto direto com a candidata governista, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT). Falou do loteamento de cargos na administração pública, do troca-troca com o Legislativo e ainda acusou o governo federal de não cobrar da Bolívia um combate efetivo ao tráfico de drogas.

O presidente do PPS, Roberto Freire, avaliou de forma positiva a atitude de Serra. "Ele precisa se diferenciar. Eu acho até que ele já vinha fazendo essas críticas”, afirmou. Para Freire, a tendência é de que as críticas ao governo federal aumentem ao longo da disputa eleitoral. “Eu ainda acho que vai haver uma profunda diferenciação entre os candidatos”, completou.

Como Roberto Freire, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, apoia o tom mais crítico de Serra em relação ao governo Lula. “Isso tem de acontecer naturalmente. Nosso candidato vai se diferenciar cada vez mais. Vai mostrar que é melhor do que e que há coisas erradas no atual governo também”, afirmou. No inicio da semana, Serra foi questionado publicamente sobre sua postura mais agressiva na campanha. Ele negou que tenha subido de tom. Disse que sempre fez críticas ao governo.

Em 2006, o então candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, não atacou Lula durante a maior parte da campanha e foi muito criticado por aliados por conta disso. Já no segundo turno, no fim da sua campanha, Alckmin resolveu ir para o confronto direto. Em um dos debates, Lula chegou a ironizá-lo dizendo que parecia outra pessoa.

O cientista político David Fleisher, da Universidade de Brasília, avalia que estratégias de confronto como esta costumam não produzir resultados muito efetivos. “Serra, por enquanto, fez críticas pela tangente, sem atingir diretamente Lula”, disse. “Duvido do efeito. O eleitor médio nem sabe o que acontece na Bolívia”, completou.

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