Definição de perguntas por sorteio poupou candidato tucano, alvo em eventos anteriores, de concentrar ataques de rivais

Em debate morno, os dois principais candidatos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), ficaram praticamente imunes a bate-bocas diretos que marcaram encontros anteriores entre os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes. Nenhum presidenciável das duas chapas compareceu ao encontro - do lado petista, apenas o candidato a suplente de senador, Antonio Carlos Rodrigues, prestigiou o aliado.

Com seis candidatos presentes, três dos quais não somam sequer 1% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais, o evento, promovido pela TV Gazeta e o jornal “O Estado de S. Paulo” e iniciado às 23h, engessou a estratégia dos postulantes, que não podiam escolher para quem direcionar as perguntas. Além disso, eles eram sorteados para responder questões feitas pelos entrevistadores, com temas pré-estabelecidos.

Assim, diferentemente de outros encontros, os candidatos não conseguiram repetir a estratégia de atacar diretamente o ex-governador tucano, líder em todas as pesquisas e com chances de liquidar as eleições logo no primeiro turno.

Como só poderia ser escolhido uma vez a cada bloco para responder perguntas incômodas em relação ao governo paulista, Alckmin ficou praticamente blindado pelas regras do debate. A exceção aconteceu quando foi sorteado para responder uma questão de Mercadante sobre se os filhos do tucano estudariam nas escolas públicas paulistas. A mesma pergunta já havia sido feita em dois encontros anteriores, mas, segundo o petista, o adversário não havia dado resposta satisfatória. “Quero dizer sobre o que nós vamos fazer em educação”, tergiversou o ex-governador. Ele se resumiu a dizer que o filho foi aluno da Fatec, faculdade técnica do Estado.

“Mais uma vez ele não respondeu”, ironizou o petista. “É evidente que a escola em São Paulo não vai bem”, completou o candidato, que, a exemplo do que tem feito em discursos, classificou a situação do ensino público em São Paulo como uma “privatização” da qualidade de ensino.

Alckmin respondeu dizendo que Mercadante era “especialista em falar mal do governo” e afirmou que os Estados administrados pelo PT haviam piorado nos Ideb, índice que mede o desempenho de alunos da rede básica de ensino.

Na rodada de pergunta dos jornalistas, o tucano foi questionado sobre se esperaria uma greve entre médicos da rede pública para se comprometer a elevar o salário da categoria, a exemplo do que aconteceu com policiais civis e professores. Alckmin prometeu apenas valorizar os médicos do Estado, mas não indicou um possível índice de reajuste.

O único ataque ensaiado pelo candidato tucano aconteceu logo no primeiro bloco, quando, ao responder uma pergunta geral sobre “resgate da ética”, afirmou que, em seu governo, não aturaria “aloprados” – numa referência ao escândalo que manchou a campanha de Mercadante ao governo de São Paulo em 2006, quando um auxiliar da campanha foi acusado de elaborar um dossiê contra o adversário José Serra.

Sem poder fazer outras perguntas para Alckmin, seu alvo preferencial, Mercadante se limitou a criticar a gestão tucana apenas quando respondia perguntas ou elaborava perguntas a outros candidatos. Criticou, por exemplo, o que chamou de “falta de diálogo” do governo paulista com o funcionalismo público.

A mesma estratégia foi usada por Celso Russomano (PP), que durante pergunta direcionada a Fábio Feldman (PV), encontrou uma brecha para afirmar que o governo do Estado era “caloteiro” por não pagar precatórios relativos a aposentados.

Paulo Skaf (PSB), que em debates anteriores havia elevado o tom contra o tucano, teve a chance de questionar diretamente o ex-governador. Observado por Duda Mendonça, marqueteiro de sua campanha, ele optou por abordar a questão da segurança pública. “Num grupo de seis ou oito pessoas, metade já foi assaltada uma vez, e metade, mais de duas vezes”, disse. Alckmin respondeu dizendo que o índice de homicídio no Estado é hoje menor que a média nacional.

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