Alckmin escapa de polêmicas em novo debate na TV

Definição de perguntas por sorteio poupou candidato tucano, alvo em eventos anteriores, de concentrar ataques de rivais

Matheus Pichonelli e Piero Locatelli, iG São Paulo |

Em debate morno, os dois principais candidatos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), ficaram praticamente imunes a bate-bocas diretos que marcaram encontros anteriores entre os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes. Nenhum presidenciável das duas chapas compareceu ao encontro - do lado petista, apenas o candidato a suplente de senador, Antonio Carlos Rodrigues, prestigiou o aliado.

Com seis candidatos presentes, três dos quais não somam sequer 1% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais, o evento, promovido pela TV Gazeta e o jornal “O Estado de S. Paulo” e iniciado às 23h, engessou a estratégia dos postulantes, que não podiam escolher para quem direcionar as perguntas. Além disso, eles eram sorteados para responder questões feitas pelos entrevistadores, com temas pré-estabelecidos.

Assim, diferentemente de outros encontros, os candidatos não conseguiram repetir a estratégia de atacar diretamente o ex-governador tucano, líder em todas as pesquisas e com chances de liquidar as eleições logo no primeiro turno.

Como só poderia ser escolhido uma vez a cada bloco para responder perguntas incômodas em relação ao governo paulista, Alckmin ficou praticamente blindado pelas regras do debate. A exceção aconteceu quando foi sorteado para responder uma questão de Mercadante sobre se os filhos do tucano estudariam nas escolas públicas paulistas. A mesma pergunta já havia sido feita em dois encontros anteriores, mas, segundo o petista, o adversário não havia dado resposta satisfatória. “Quero dizer sobre o que nós vamos fazer em educação”, tergiversou o ex-governador. Ele se resumiu a dizer que o filho foi aluno da Fatec, faculdade técnica do Estado.

“Mais uma vez ele não respondeu”, ironizou o petista. “É evidente que a escola em São Paulo não vai bem”, completou o candidato, que, a exemplo do que tem feito em discursos, classificou a situação do ensino público em São Paulo como uma “privatização” da qualidade de ensino.

Alckmin respondeu dizendo que Mercadante era “especialista em falar mal do governo” e afirmou que os Estados administrados pelo PT haviam piorado nos Ideb, índice que mede o desempenho de alunos da rede básica de ensino.

Na rodada de pergunta dos jornalistas, o tucano foi questionado sobre se esperaria uma greve entre médicos da rede pública para se comprometer a elevar o salário da categoria, a exemplo do que aconteceu com policiais civis e professores. Alckmin prometeu apenas valorizar os médicos do Estado, mas não indicou um possível índice de reajuste.

O único ataque ensaiado pelo candidato tucano aconteceu logo no primeiro bloco, quando, ao responder uma pergunta geral sobre “resgate da ética”, afirmou que, em seu governo, não aturaria “aloprados” – numa referência ao escândalo que manchou a campanha de Mercadante ao governo de São Paulo em 2006, quando um auxiliar da campanha foi acusado de elaborar um dossiê contra o adversário José Serra.

Sem poder fazer outras perguntas para Alckmin, seu alvo preferencial, Mercadante se limitou a criticar a gestão tucana apenas quando respondia perguntas ou elaborava perguntas a outros candidatos. Criticou, por exemplo, o que chamou de “falta de diálogo” do governo paulista com o funcionalismo público.

A mesma estratégia foi usada por Celso Russomano (PP), que durante pergunta direcionada a Fábio Feldman (PV), encontrou uma brecha para afirmar que o governo do Estado era “caloteiro” por não pagar precatórios relativos a aposentados.

Paulo Skaf (PSB), que em debates anteriores havia elevado o tom contra o tucano, teve a chance de questionar diretamente o ex-governador. Observado por Duda Mendonça, marqueteiro de sua campanha, ele optou por abordar a questão da segurança pública. “Num grupo de seis ou oito pessoas, metade já foi assaltada uma vez, e metade, mais de duas vezes”, disse. Alckmin respondeu dizendo que o índice de homicídio no Estado é hoje menor que a média nacional.

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