Governador eleito de São Paulo diz em Campo Grande (MS): ¿se pesquisa ganhasse eleição, não precisaria eleição¿

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) e candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), comentaram esta noite em Campo Grande (MS) as pesquisas de intenção de votos para a Presidência da República. "Se pesquisa ganhasse eleição, não precisaria eleição," disse Alckmin.

O governador eleito e o deputado carioca visitaram o Mato Grosso do Sul para pedir votos para o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra. Conforme Alckmin, a estratégia de campanha dos tucanos para esta reta final é para que o partido “trabalhe para decrescer a vantagem de Dilma, por meio da mobilização de prefeitos e governadores eleitos da coligação.”

Recepção

Alckmin e Índio foram recepcionados no Aeroporto Internacional de Campo Grande pelo governador André Puccinelli (PMDB) que, no Estado, não seguiu a orientação da direção nacional peemedebista para apoiar a candidata Dilma Rousseff (PT) à presidência da República.

Na entrevista coletiva concedida no aeroporto, o primeiro tema perguntado pelos jornalistas foram as pesquisas de intenção de votos, que mostram a candidata petista na liderança. Alckmin afirmou que pesquisas internas encomendadas pelo PSDB indicam não empate técnico, mais vantagem de Serra sobre Dilma.

Alckmin e Índio reafirmaram que “o PSDB tem pesquisas internas em que o Serra não está perdendo, ele está na frente. Nosso instituto acertou no primeiro turno”. Eles explicaram que a metodologia contratada pelo instituto “é diferente, pois desmente esses que mostram Dilma à frente de Serra com grande diferença”.

Marisa Serrano

A senadora Marisa Serrano (PSDB), umas das principais coordenadoras da campanha de Serra no MS, afirmou que o resultado da eleição do dia 31 será “pau a pau”. Para ela, Serra supera Dilma por uma diferença mínima, “mas vai”. A tucana também citou pesquisas internas do partido que colocam Serra à frente da petista.

Marisa aponta que a campanha de Serra não está baseada em críticas à Dilma, mas sim à discussão de propostas de governo. Ela também acusou o PT de estar bagunçando a eleição. “É incrível essa busca em desestabilizar o adversário,” disse a senadora. Alckmin pareceu de acordo. No primeiro turno, ele teve mais votos do que Dilma no MS.

Agressões

O candidato a vice na chapa de Serra disse o tucano sofreu agressões físicas “de um partido que está para perder.” Ele se referiu ao PT, no incidente ocorrido no Rio de Janeiro, quando Serra foi atingido por militantes petistas, primeiro por bola bolhinha de papel e depois por uma bobina.

O democrata ressaltou que um dos principais projetos de Serra é aprovar a Emenda 29 para elevar os repasses na Saúde e afirma que o tucano “reavalia” o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). A seguir, trechos dos principais temas que os jornalistas de MS perguntaram ao governador paulista na coletiva em Campo Grande.

Guerra fiscal

Sobre a chamada “guerra fiscal” entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, Alckmin destacou que o assunto só terá fim com a reforma tributária, em tramitação na Câmara dos Deputados. MS e SP concorrem entre si com incentivos fiscais para instalar novas empresas e indústrias. Os dois estados também se contrapõem no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do gás boliviano e de vendas pelo mercado eletrônico.

“A reforma tributária é a melhor solução para os impasses. Ainda temos um modelo muito centralizador de gestão, que deve ser redefinido. Defendo uma reforma descentralizada. São Paulo e Mato Grosso do Sul terão perdas, no entanto, essa é a melhor solução”.

Sobre a cobrança do ICMS do gás importado da Bolívia, a secretaria de Fazenda paulista cobra da Petrobrás o ICMS integral sobre o produto vendido em São Paulo. Mas, a lei determina que o recolhimento seja e é transferido a MS, que é o ponto de entrada no Brasil. Alckmin garante que a Justiça vai determinar o que acontecerá com o caso, em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele diz que a determinação será acatada pelo governo paulista.

Privatização

Alckmin ressalta que a possível privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) só será discutida “no futuro”. Segundo ele, uma parte da empresa foi privatizada em sua primeira gestão à frente do governo paulista, “com bons resultados”.

Geraldo afirma que a Cesp tinha um endividamento maior que o do Paraguai. Por isso, a usina de Porto Primavera levou 18 anos para ficar pronta. “Eu salvei a Cesp. Dividi a empresa em dois setores, um de produção e outro de distribuição, que foi privatizado. Com o valor arrecadado pagamos todas as dívidas”, salienta.

Lula

Em Dourados, segundo maior colégio eleitoral do MS, o governador eleito falou sobre a agressão sofrida por Serra durante campanha no Rio de Janeiro, e criticou Lula dizendo que ele “fez piada de mau gosto.”
Segundo o governador paulista, os debates acalorados são normais no segundo turno, no entanto, a ética e respeito devem prevalecer.

Alckmin também lamenta a postura do presidente Lula porque ao invés de reprimir a ação e fez ao contrário “incitando ainda mais a violência”.

Dinheiro do povo

“Uma coisa que aprendi desde cedo foi que o político deve trabalhar para o coletivo com princípios e valores como coragem, moral, dedicação e vida pessoal modesta. Quem quer ficar rico, deve ir para a iniciativa privada, afinal o dinheiro do povo deve ser respeitado,” enfatizou.

No aeroporto da Capital, Alckmin foi recebido pelo governador André Puccinelli, pela senadora Marisa Serrano (PSDB), pelo secretário de Habitação Carlos Marun, pelo deputado federal eleito Henrique Mandetta (DEM) e pelo deputado estadual Rinaldo Modesto (PSDB).


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