Polícia investiga se o ex-governador tem envolvimento com superfaturamento de obras no Estado

Não foi surpresa a ausência do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) à sede da Polícia Federal no final da manhã desta terça-feira (19). O pedetista, que disputa novamente o governo do Estado de Alagoas, tinha depoimento marcado para às 11h de hoje.

Ele foi convocado pelo delegado Felipe Correia para prestar esclarecimento sobre contratos com a construtura Gautama – do empresário Zuleido Veras -, que teriam sido supostamente superfaturados na época em que era governador do Estado. Os advogados do candidato afirmaram que o mandado de intimação não foi entregue. Lessa está em Brasília, onde grava mensagem de apoio do presidente Lula para o seu guia eleitoral.

“A intimação não chegou e, sem ela, não havia motivos para o meu cliente comparecer à Polícia Federal. O documento nem chegou para mim e nem diretamente para o Ronaldo Lessa”, disse o advogado José Fragoso. A assessoria de imprensa do ex-governador informou que Ronaldo Lessa não está em Alagoas. O candidato viajou ontem à noite para Brasília para gravar uma participação do presidente Luís Inácio Lula da Silva para o programa eleitoral do pedetista. O pedido de votos do presidente para Lessa deverá ir ao ar ainda esta semana.
Esta é a terceira vez que Lessa teria depoimento marcado na Polícia Federal de Alagoas. A primeira data agendada foi para 02 de setembro, entretanto, foi adiada a pedido do próprio convocado, que estaria fora do Estado. Em seguida, o dia escolhido foi 29 de setembro. Mas, o depoimento sofreu novo adiamento, dessa vez, segundo a defesa de Ronaldo Lessa, a pedido do delegado do caso.
PF garante que Lessa foi intimado
A assessoria de comunicação da Polícia Federal garantiu que o mandado de intimação foi entregue ao advogado de Ronaldo Lessa desde a semana passada. Também segundo a assessoria, o candidato deverá responder ao artigo 260 do Código de Processo Penal, que diz em seu texto que "se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença".
Também eram esperados para hoje os depoimentos do ex-governador Manoel Gomes de Barros – que antecedeu Lessa no governo – e do empresário Zuleido Veras, sócio da construtora Gautama. Todavia, nenhum dos dois compareceu à PF.
Ronaldo Lessa, Manoel Gomes de Barros e Zuleido Veras eram esperados para responder sobre acusações de superfaturamento em obras de macro-drenagem na área do Distrito Industrial de Maceió. Investigações policiais teriam comprovado que contratos firmados com a construtora Gautama foram superfaturados em R$ 14 milhões.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.