Ainda sem função, Temer fará parte da equipe de transição

Presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que jantar na casa de Temer hoje à noite poderá ter indicação de nomes

Andréia Sadi e Ricardo Galhardo, iG Brasília |

Após as queixas do PMDB por ter ficado de fora do primeiro desenho da equipe de transição, o vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB) foi incluído no time nesta terça-feira. A decisão foi confirmada em nota assinada pela presidenta eleita Dilma Rousseff . Apesar de entrar na equipe, Temer ainda não tem função definida, de acordo com o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Dutra confirmou que ele próprio ficará responsável pela interlocução com os partidos da base, enquanto deputado Antonio Palloci cuidará da parte técnica da transição. O também deputado José Eduardo Cardozo, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma, ficará com a missão de dar suporte tanto a Dutra como a Cardozo.

Sobre Temer ainda não ter função definida, Dutra disse que ele participará de todas as reuniões da coordenação. “O Michel Temer é o vice-presidente eleito da República. Se alguém está subordinado a alguém, sou eu que estou subordinado a ele”, ressaltou.

Dutra disse ainda que o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel não faz parte dessa lista. Hoje à noite, acontecerá um jantar na casa de Temer com a participação de lideranças do PMDB e do PT. Segundo ele, pode ser que saiam nomes e indicações do ministério e o objetivo inicial do jantar também é definir ações políticas do início do governo e prioridades para os primeiros 100 dias.

De acordo com Dutra, foram indicados 30 nomes, todos de perfil exclusivamente técnico, que farão a interface com o governo para coletar informações e municiar a presidenta eleita para a definição de metas e prioridades do início da administração.

Formação do ministério

Dutra foi incumbido por Dilma de ouvir todos os partidos que integraram a coligação, inclusive do PP, que não participou formalmente da coligação mas a apoiou no segundo turno. Além disso, serão contemplados ainda setores do PTB.

O presidente do PT afirmou que espera terminar esse trabalho até o final da semana que vem, quando a  Dilma volta da viagem que fará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Coréia, para a reunião do G20. “Fui mandatado pela presidenta eleita para ouvir todos os partidos e pretendo fazer isso até antes que ela volte da viagem para a reunião do G20. Meu objetivo é ouvir, anotar e fazer o relato para a presidenta de como os partidos estão vendo a formação do governo. A minha obrigação é anotar as sugestões e levar para a presidenta.”

Dutra ressaltou, entretanto, que caberá a Dilma tomar decisões com base nessas conversas. “Quem vai decidir é a Dilma depois que retornar ao Brasil”, disse ele. Dutra negou ainda que haja qualquer reclamação ou atrito com o PMDB por conta da ausência de membros dos partidos nas reuniões ocorridas ontem. “Desconheço essa insatisfação. Até porque ontem conversei com Michel Temer e marquei essa reunião para hoje com o PMDB e com ele”, reiterou.

Eleição para Presidência da Câmara

Dutra defendeu que as negociações para a escolha para o presidente da Câmara sejam feitas de forma separada da montagem do governo. “São coisas separadas. Tem que ouvir os deputados. Ele se esquivou de dar alguma opinião sobre se o PT deve ou não entrar na disputa, mas disse considerar negativa a possibilidade de que isso já é o primeiro atrito entre o PT e PMDB. “Não é possível que comece com disputa, com conflito entre os dois maiores partidos da base.”

Falando mais como presidente do PT do que como coordenador da equipe de transição, Dutra disse que a decisão interna do PT vai caber mais à bancada do partido na Câmara do que propriamente à direção partidária. Segundo ele, o partido vai marcar uma reunião do diretório nacional do PT para definir essas questões. “Não posso mesmo como presidente do PT decidir sem falar com os deputados”. Tem dois nomes que são citados como possíveis deputados para presidência da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB) e o atual líder do PT na Câmara Cândido Vaccarezza, do PT.

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