Agressividade do início desagradou eleitores, diz Dutra

Na avaliação da equipe de Dilma, poucos eleitores devem mudar seus votos em função do debate

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A troca de farpas que marcou o início do debate da TV Record desagradou tanto os eleitores de Dilma Rousseff quanto os de José Serra , de acordo com as pesquisas qualitativas encomendadas pelo próprio PT. “As pessoas não estavam gostando do primeiro bloco. Elas queriam um debate com mais propostas e menos agressões”, disse o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, ao final do debate.

Agencia Estado
Candidata Dilma Rousseff após o debate da Record
Na avaliação da equipe de Dilma, apesar disso poucos eleitores devem mudar seus votos em função do debate. “Não haverá mudança alguma”, avaliou o candidato a vice de Dilma, Michel Temer (PMDB).

A troca de farpas não estava nos planos do PT. Pesquisas internas comprovam a máxima de campanhas segundo a qual quem bate perde. Apesar disso a candidata cumpriu o que estava ensaiado e levantou o caso de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa suspeito de sumir com R$ 4 milhões da campanha tucana, caso Serra levantasse as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

“Eu não trouxe à tona mas em trazendo eu trouxe a diferença e a diferença é entre um governo que, descobrindo o mal feito, investiga e outro que acoberta”, disse Dilma. Segundo as pesquisas qualitativas do PT, muitos eleitores acharam que Serra estava provocando Dilma no primeiro bloco e esperavam uma reação dela. Outros ficaram indignados pelo fato de Serra falar de forma ríspida com uma mulher.

“Não se fala assim com uma mulher”, disse um eleitor.

A partir do segundo bloco, quando Dilma adotou um tom mais propositivo, as reações passaram a ser contrárias ao tucano. As palavras “desdém” e “arrogância” surgiram nas pesquisas.

O PT fez 14 grupos de qualitativas, quatro deles em São Paulo. Todos com eleitores que compõem o grupo chamado “voto mole”, ou seja, que nãso se declaram indecisos mas mudam a opinião de voto conforme os acontecimentos.

Na lógica dos especialistas em debates eleitorais, pela qual deixar uma pergunta sem resposta é um dos maiores pecados que um candidato pode cometer, os petistas comemoraram o fato de Serra não ter respondido a uma pergunta sobre criação de empregos no segundo bloco mas lamentaram porque Dilma não cobrou quando teve chance. Tanto que no terceiro bloco ela voltou à tona, por orientação do publicitário João Santana.

“Procurei não deixar nenhuma pergunta sem resposta mas daria muita coisa para que algumas das minhas perguntas fossem respondidas”, disse a candidata. A estratégia foi reforçada com o uso repetitivo da palavra “enrolação”. Dilma também seguiu à risca outra orientações como evitar críticas ao governo de São Paulo. No debate da Rede TV! Serra explorou isso dizendo que a petista não gosta de São Paulo.

Embora o objetivo das pesquisas qualitativas não seja o resultado numérico o PT mediu a capacidade de transferência de votos. O resultado foi 4 para Serra, 11 para Dilma e 2 completamente indecisos.

Segundo fontes petistas, o horário adiantado do debate dificultou até a formação dos grupos. Poucos eleitores se dispuseram a ficar até tão tarde. A média de audiência foi de 10 pontos no Ibope, segundo a TV Record.

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