Agora ex-líder, Apolinário diz que continua no DEM

Ao iG vereador democrata diz que já esperava ser destituído da liderança da sigla na Câmara após anunciar apoio a Mercadante em SP

Matheus Pichonelli e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Menos de dois dias após anunciar seu apoio ao candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, o vereador Carlos Apolinário foi destituído da liderança do DEM na Câmara Municipal de São Paulo. Nesta quarta-feira, quatro dos sete vereadores da legenda apresentaram uma lista com a indicação do nome da nova liderança na Casa: o vereador Marco Aurélio Cunha.

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Mercadante, Apolinario e Netinho de Paula no anúncio de apoio
Cunha foi um dos signatários do pedido, assinado também pelos correligionários Domingos Dissei, Marta Costa e Ushitaro Kamia. A destituição foi antecipada pela coluna Poder Online . "Aconteceu o que eu já esperava”, disse Apolinário ao iG.

Apolinário foi o segundo vereador democrata a anunciar apoio a Mercadante – o primeiro foi Milton Leite. A atitude, e agora a punição, expõem o racha existente do partido em São Paulo. Para o PT a adesão de Apolinário tem significado simbólico importante, pois representa uma divisão da base do candidato tucano à Presidência, José Serra, em seu Estado de origem e na cidade que governou por mais de dois anos.

A rebelião acontece porque parte da legenda não aceita o apoio do DEM ao ex-governador tucano Geraldo Alckmin, que em 2008 desafiou o prefeito Gilberto Kassab, presidente do DEM em São Paulo, e se lançou candidatura à prefeitura paulistana. Mesmo assim, o partido, coligado com o PSDB na eleição presidencial, fechou neste ano o apoio também a Alckmin ao governo paulista – e indicou Guilherme Afif como vice na chapa. Para uma ala do partido, Apolinário entre eles, é pouco. Ao justificar o apoio ao petista, o ex-líder do DEM disse que os tucanos não levam o partido a sério.

Ao iG o vereador disse que não conversou com Kassab desde que anunciou apoio a Mercadante. “Também não vou perguntar o que ele achou. Quando ele decidiu apoiar Geraldo, não me perguntou nem reuniu a bancada”, disse.

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O vereador Carlos Apolinario
Sobre a atitude dos colegas de partido, disse estar tranquilo. “Não sou de ficar brigando. Agora, a responsabilidade de aprovar projetos de interesse do Kassab é do vereador Marco Aurélio”, afirmou.
Apolinário afirmou também que não pedirá desfiliação da sigla. “Continuo democrata. Da minha parte está tudo certo”.

Sobre o apoio a Mercadante, Apolinário diz estar firme na proposta de acompanhar o petista em viagens pelo estudo e já estuda a possibilidade de tirar licença da Casa. Neste caso ele deixaria de receber remuneração como vereador. Ele diz estar disposto a correr o Estado com o candidato petista fora do expediente na Câmara e também de sexta a domingo.

Além de Apolinário e Milton Leite, o PT espera mais defecções na base de Serra em São Paulo.

Dos 55 vereadores da capital, 23 já estão ao lado de Mercadante. A expectativa do PT é que nas próximas semanas este número chegue a 30.

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