Agnelo Queiroz vai para o segundo turno contra mulher de Roriz

Médico baiano, que foi levado para o PT por Chico Vigilante, venceu a votação no Distrito Federal com 48,4% dos votos

Ana Paula Leitão, iG de Brasília |

Agnelo Queiroz (PT) vai disputar o segundo turno das eleições para o governo do Distrito Federal com Weslian Roriz (PSC). Com todos os votos já apurados, ele tem 48,4% e a mulher de Joaquim Roriz 31,5%. Toninho do PSOL vem em terceiro lugar, com 14,2% dos votos válidos.

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gnelo Queiroz, vota em seção eleitoral no colégio Educacional da Asa Sul, em Brasília
Agnelo formou-se em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde conheceu a ginecologista Ilza Maria, mãe de seus dois filhos. É conhecido como um político de temperamento tranquilo e perfil discreto, cuidadoso e perseverante como deve ser um cirurgião.

Conta o vice-presidente regional do PT no Distrito Federal, Chico Vigilante, que a candidatura de Agnelo ao governo começou a ser costurada ainda em 2008, quando o ex-ministro deixou o PC do B para se filiar ao PT: “Eu fui um dos responsáveis pela vinda dele ao PT. Expliquei que quem vem para o nosso partido é para se viabilizar na política. E dei minha palavra de que ia lutar para fazer dele nosso candidato ao governo do Distrito Federal".

De acordo com Vigilante, toda a operação estava minuciosamente calculada: Agnelo tinha de conseguir cerca de 20% do eleitorado da ala direita, para se somar à média de 30% dos eleitores da esquerda petista no DF.

“Ele veio para ampliar os votos em setores mais conservadores, como os religiosos e o empresariado, que viam em Agnelo uma figura mais light, ou seja, seria um petista menos radical para governar”, explica Vigilante.

Mas o corte de bisturi nas correntes do PT sofreu a resistência do grupo comandado pelo deputado federal Geraldo Magela, que também queria ser o candidato a governador pelo partido. O único jeito de estancar o problema foi a realização das prévias, que acabaram sendo importantes para cicatrizar feridas e costurar a aceitação de Agnelo pelo partido.

A vitória nas prévias não só consolidou sua candidatura como transformou Agnelo num dos poucos casos na história de políticos do PC do B que migraram para o petismo e imediatamente venceram a disputa interna das correntes do partido.

Um cirurgião com sorte de jogador

Nascido em 1958, no município baiano de Itapetinga, e filho mais velho de um funcionário público municipal e uma cabeleireira, depois de formado Agnelo pegou a estrada com a esposa rumo à Brasília, em um fusquinha, para fazer um curso de pós-graduação em cirurgia geral e torácica.

Começou a fazer parte da política local na Associação Nacional dos Médicos Residentes do Distrito Federal, que presidiu. Em 1990, elegeu-se deputado distrital pelo PC do B, na primeira eleição para a Câmara Legislativa do DF. E seguiu por mais três mandatos como deputado federal.

Em 2003, foi convidado pelo presidente Lula para ser ministro dos Esportes, cargo em que ficou por três anos até se desincompatibilizar para disputar uma vaga no Senado.

Depois de fracassar nas urnas contra o adversário Joaquim Roriz, Agnelo tentou sem resultado voltar para o Ministério dos Esportes, que já estava sob o comando do atual ministro Orlando Silva (PC do B).
Na época, recebeu convite do então governador José Roberto Arruda para ocupar a pasta da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Agnelo chegou a conseguir autorização do presidente Lula para participar do governo Arruda, mas teve o pedido vetado pelo PC do B, que o levou para a direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Foi um momento de sorte do cirurgião. Se tivesse entrado no governo Arruda, talvez não conseguisse conter a hemorragia que ocorreria em sua candidatura.

Weslian

Com sua candidatura em suspenso, Roriz catapultou a mulher à posição de seu substituto. A “dobradinha” eleitoral surgiu como forma de dar sobrevida à campanha sob a seguinte ideia: vote em Weslian, leve Roriz. E a dobradinha deu certo: Weslian obteve 31,5% dos votos válidos e vai enfrentar o candidato do PT, Agnelo Queiroz no segundo turno. Agnelo ficou com 48,7% dos votos.

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Weslian ao lado e Roriz durante votação neste domingo
Dona de terras no Planalto Central, Weslian conheceu Roriz quando tinha 17 anos e ele, 23. Segundo o site da campanha da candidata, era uma festa de casamento de uma das primas de Roriz. Por se tratar de um baile temático, ela vestia trajes típicos do Japão. Os olhos puxados enganaram Roriz: “Quem é aquela japonesinha”, perguntou à prima.

Juntos há 50 anos, compartilham, no corpo a corpo com eleitores, o mesmo DNA: apelo aos mais pobres, deslizes na concordância do português, simpatia com o populismo – termo que até gostam e adotam –, choro e discursos emocionados.

Mas há um abismo no que diz respeito à experiência política de ambos. Weslian, 67 anos, vem até agora sendo mantida longe dos holofotes, mesmo como candidata. Quando apareceu no debate, foi um desastre .

Nascida em Goiânia (GO), tem como principal ponto de seu currículo os 14 anos como primeira-dama. Além disso, apenas a fundação, em 1999, do instituto Integra, cujo principal programa foi o treinamento de cães labradores para atender deficientes visuais. Também participou da distribuição de cobertores e alimentos para desabrigados.

Já Roriz, 74 anos, nas últimas quatro décadas ocupou, com exceção da vice e da Presidência da República, todos os cargos possíveis de se disputar em eleições. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e vice-governador de Goiás, além de governar Brasília em quatro ocasiões.

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