Agnelo, do PT, encerra era Roriz no DF

Petista obteve 66,1% dos votos com 100% das urnas apuradas, desbancando a mulher de Joaquim Roriz, que obteve 33,9% dos votos

Gabriel Costa e Ana Paula Leitão, iG Brasília |

Com 100% dos votos apurados, o médico baiano Agnelo Queiroz, do PT, é o novo governador eleito do Distrito Federal, com 66,1%. Depois de uma disputa marcada por acusações mútuas entre sua campanha e a da adversária Weslian Roriz, do PSC – que obteve 33,9% dos votos – o candidato do PT vai assumir no dia 1º de janeiro o Palácio do Buriti, aos 52 anos, e promete chefiar também, ao longo dos três primeiros meses de governo, a Secretaria de Saúde do DF. Ele coloca, assim, um ponto final à era Roriz no Distrito Federal.

Roriz foi governador do DF por quatro mandatos, o primeiro nomeado pelo ex-presidente José Sarney, em 1988, época em que essa unidade da Federação não elegia diretamente seus governantes. Ele já havia sido vereador e prefeito de Luiziânia (GO), além de vice-governador e ministro da reforma agrária do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992).

De acordo com a decisão do STF de validar a Ficha Limpa para as eleições deste ano, quem renunciou quando já era alvo de representação por quebra de decoro parlamentar fica inelegível por oito anos a partir do fim do mandato, independentemente de ter saído do cargo antes do tempo.

Roriz assumiu como senador em 2007, e renunciou em julho do mesmo ano, para evitar um processo de cassação. Caso houvesse continuado no Senado, seu mandato iria até 2015, o que significa que o ex-governador só pode se candidatar novamente a partir de 2023, três anos antes das eleições no DF, quando estará com 90 anos.

O governador eleito
Agnelo dos Santos Queiroz Filho, nascido no município de Itapetinga, na Bahia, é o filho mais velho de um funcionário público e uma cabeleireira, estudou em escolas públicas e formou-se em Medicina na Universidade Federal da Bahia. Chegou a Brasília durante a década de 1980, para especializar-se em cirurgia no Hospital de Base da capital federal. Após um período como presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes, foi eleito deputado distrital pelo PC do B em 1990.

Após a passagem pela Câmara Legislativa, Agnelo foi eleito por três vezes consecutivas deputado federal pelo DF, período durante o qual continuou a exercer a medicina com operações semanais. Em 2003, ministro do Esporte durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encarou as primeiras polêmicas de sua trajetória.

À frente do ministério, foi alvo de acusações relativas a irregularidades no programa Segundo Tempo, de sua autoria. As denúncias foram trazidas novamente à tona durante o pleito deste ano pela campanha de Weslian Roriz, que exibiu em seu programa eleitoral o depoimento de testemunhas da Operação Shaolin, uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal relativa ao desvio de dinheiro público.

Agnelo alegou não conhecer os acusadores, que, segundo ele, teriam sido pagos para denunciá-lo, e argumentou que sua gestão foi aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Agnelo também foi alvo de acusações durante os Jogos Panamericanos de 2003, quando teve que devolver R$ 11 mil aos cofres públicos em resposta a uma suspeita de pagamento duplicado em uma viagem.

Participação em majoritárias
Em 2006, deixou o ministério para concorrer ao Senado, mas os mais de 540 mil votos que recebeu – quase 43% do total – não foram suficientes para elegê-lo. Agnelo assumiu então a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, dois anos depois de deixar o cargo de ministro, trocou o pouco expressivo PC do B pela maior possibilidade de articulação e visibilidade do PT, e começou a articular a candidatura ao governo do DF.

Fellipe Bryan Sampaio, iG Brasília
Ao longo da campanha, petista elegeu como prioridades o governo a saúde, a segurança e o transporte público
À frente de uma coligação de mais de dez legendas – que inclui PMDB, PDT, PSB e PC do B –, o agora petista deu início à campanha no primeiro turno atrás de Joaquim Roriz, mas virou o jogo no início de setembro e ganhou força com a desestabilização da candidatura do adversário do PSC. Diante de escândalos, denúncias e do julgamento de sua situação frente à Lei da Ficha Limpa empatado no Supremo Tribunal Federal (STF), Roriz desistiu de concorrer ao Palácio Buriti e lançou sua mulher, Weslian, para assumir a posição na disputa – a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições.

Perspectivas
Para o vice-presidente regional do PT, Chico Vigilante – um dos articuladores da filiação do ex-ministro ao partido –, a característica mais marcante de Agnelo é sua habilidade em negociar e a capacidade aglutinadora. “O governo dele será de reconstrução, de tolerância para compor o governo com partidos que não são o PT e, inclusive, com segmentos que nem partido são”, afirma.

De acordo com suas declarações em entrevistas e comícios ao longo da campanha, Agnelo elegeu como prioridades para seu governo a saúde, a segurança e o transporte público no Distrito Federal.

O petista promete construir Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em todas as regiões administrativas do DF, disponibilizar 400 equipes de saúde para atender à população, integrar modais de transporte público como ônibus e metrô, estender o metrô até o fim da Asa Norte de Brasília e estabelecer rondas ostensivas, reprimir o tráfico de drogas e formar parcerias com igrejas para o tratamento de dependentes. Ele anunciou ainda o projeto de uma “Secretaria da Transparência” que fiscalizaria contratos firmados pelo governo do DF.

Segundo Vigilante, eleito deputado distrital, uma das primeiras ações de Agnelo no governo deve ser a exoneração de cargos de confiança ocupados em governos anteriores. “Vamos afastar todos os que fizeram parte dos últimos governos e colocar gente capacitada e preparada para os cargos”, promete.

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