Aécio nega vínculo com quebra de sigilo de familiares de Serra

"Tal prática (quebra de sigilo) jamais fez parte da minha história política em 25 anos de vida pública", disse senador eleito

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves (PSDB) negou qualquer participação na quebra de sigilo de parentes do presidenciável José Serra (PSDB). Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior contou ter acessado os dados da família de Serra para produzir um dossiê a fim de “proteger” Aécio. Na época, Amaury trabalhava para o jornal “O Estado de Minas” .

Por meio de nota à imprensa, Aécio disse que não conhece o jornalista. “Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem não conheço e com quem jamais mantive qualquer tipo de relação”, afirmou. Tal prática jamais fez parte da minha história política em 25 anos de vida pública”, completou.

Aécio reproduziu declaração do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que é o PT quem tem de prestar esclarecimentos sobre o caso. O ex-governador mineiro foi mais longe ao comparar o caso da família de Serra com a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, em 2006, episódio que causou a demissão do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Guerra

Também o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, divulgou nesta quarta-feira nota criticando as acusações do jornalista Amaury Ribeiro Júnior contra políticos tucanos na quebra de sigilo dos parentes do presidenciável José Serra.
Na nota, Sérgio Guerra diz que “o PT tenta ressuscitar mais um factóide que tem como único objetivo tentar provocar a divisão das forças que se unem pela vitória de José Serra”. O senador afirma que a criação de grupos de espionagem não é costume nas campanhas tucanas e diz que o depoimento vazado pela Polícia Federal tem o “claro objetivo de tentar criar constrangimentos ao PSDB”.

“Embora o depoimento não tenha sequer sido divulgado, o PT se apressa em espalhar versões dos fatos que tentam afastar do partido a certeza que todo brasileiro hoje tem: quem tem a infração e o desrespeito à legalidade no seu DNA é o PT e não o PSDB”, afirma Guerra.

Estado Minas

O jornal Estado de Minas divulgou nota na noite de hoje sobre o episódio da quebra dos sigilos de tucanos e pessoas ligadas ao presidenciável do PSDB, José Serra. No curto comunicado, assinado pela direção do veículo, o jornal afirma que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. trabalhou por três anos na empresa e publicou diversas reportagens, mas "nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato agora em questão". "O Estado de Minas faz jornalismo."

O veículo mineiro afirma também que considera normal a citação do veículo "por parte da imprensa no episódio de possível violação de dados fiscais de pessoas ligadas à atual campanha eleitoral". "Entende que isso é normal e recorrente, principalmente às vésperas da eleição quando os debates se tornam acalorados."
Grupo de espionagem

Entre setembro e outubro de 2009, o Estado de Minas teria custeado as viagens de Amaury a São Paulo para buscar os documentos. Ele disse à PF que decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço do presidenciável José Serra (PSDB) para devassar a vida do ex-governador de Minas e senador eleito, Aécio Neves (PSDB).

Amaury afirmou que saiu do jornal no fim de 2009, mas deixou um relatório completo de toda a apuração, levando uma cópia consigo para futura publicação de um livro. Na sua versão, a inteligência do PT teria tomado conhecimento do conteúdo de sua investigação e o convidou para trabalhar na equipe de campanha de Dilma.

*Colaborou Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo

*Com informações da Agência Estado


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