Aécio: 'Dilma merece respeito e espero relação republicana'

Senador eleito por Minas diz, no entanto, que vai acreditar na vitória de Serra 'até o último momento'

Adriano Ceolin, enviado a Belo Horizonte |

O senador eleito por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) disse, após votar neste domingo, ainda acreditar numa vitória do presidenciável tucano José Serra . Ele, no entanto, comentou o que espera de Dilma Rousseff (PT) caso ela vença: “Espero que o Serra seja presidente. Mas se vencer a Dilma, merecerá o nosso respeito e espero que ela tenha com Minas Gerais uma relação republicana”.

nullAécio votou no início da tarde no Colégio Estadual Central, onde Dilma estudou e fez política estudantil no fim dos anos 60 e começo dos 70. Ele estava acompanhado do governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB). Aécio foi o grande vencedor da eleição em solo mineiro.

A nossa democracia está suficientemente amadurecida para garantir ao governante as condições para governar para todos. “Espero que (Dilma) não governe apenas para um grupo político. Mas até o último momento vou acreditar numa surpresa (vitória de Serra)”, afirmou.

Como senador eleito, Aécio anunciou que irá propor uma agenda nacional para o País. “O início da próxima legislatura, esteja eu no governo ou na oposição, vou trabalhar na apresentação com outros companheiros de uma agenda”, disse.

O tucano afirmou que pretende conversar sobre o assunto depois de um breve período de descanso após as eleições. “Vou tirar uns dez dias para descansar, mas, a partir deste retorno, vou conversar com governadores eleitos, com senadores”, disse.

Segundo Aécio, sua ideia é “uma agenda do Brasil, do Estado brasileiro. “Quem sabe logo nos primeiros dias desta legislatura apresentamos ao País uma agenda para ser discutida, obviamente aprimorada no Congresso. Mas uma agenda que não seja de governo, que seja do Brasil, do Estado brasileiro”, ressaltou.

Em defesa de Serra

Aécio saiu em defesa de Serra, que foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais cedo. “Serra foi um leão. Quem acompanhou de perto seu esforço pessoal, inclusive físico. Foi enorme. Ele fez o que poderia fazer. Acho que o saldo final é muito positivo. Defendeu com brio e com vigor nossas propostas”, disse.

Para o ex-governador mineiro, a fala do presidente Lula foi desnecessária. "Agora é preciso ter disposição e desprendimento para conversar e construir um consenso", afirmou.

Futuro do PSDB

Aécio também falou do futuro do PSDB após as eleições. “Qualquer que seja o resultado da eleição, tem de assumir de forma mais clara e explícita o seu passado, a sua história. Eu tenho um orgulho enorme do governo Fernando Henrique Cardoso. As privatizações foram um avanço extraordinário do País”, disse.

Cotado como provável presidente do PSDB a partir do ano que vem, Aécio defendeu que o partido revisite ser mais “altivo”. “O PSDB tem de revisitar a sua história com altivez. Enfrentar o debate com grandeza para apontar para o futuro”, disse.

O tucano também argumentou que os méritos do governo Lula devem-se a conquistas de outras administrações: “Nós temos uma história. Se o Brasil hoje vive um momento de crescimento, isso não se deu por obra de um governo ou de um governante”, disse.

“Essa construção foi feita tijolo a tijolo. É importante que nós, do PSDB, digamos isso com muita clareza. Se o Brasil vai bem hoje, é grande parte porque estabilizamos a economia. Porque não existiria o governo Lula se não tivesse havido a estabilidade econômica, pelo menos com esses resultados”, completou.

Aliança com o DEM

Com bom trânsito em partidos afinados com Dilma e Lula, como o PSB e o PP, Aécio defendeu que o PSDB amplie seu leque de aliança. Ele, no entanto, ressaltou que aliança com o DEM é “definitiva”. “Vamos continuar parceiros no Congresso”, disse o senador eleito

“Agora nós temos de unir as forças de oposição se perdermos as eleições e nos unirmos no governo se vencermos as eleições. Então, acho que o DEM é um aliado natural nosso. Sendo do governo ou não, nós temos de ampliar o nosso leque de alianças”, disse.

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