Advogado da filha de Serra vai fazer investigação paralela

Após depoimento de Verônica Serra e do marido dela à Polícia Federal, advogado diz que investigará violação de sigilo

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O advogado Sergio Rosenthal, que defende Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável tucano José Serra, anunciou nesta quarta-feira que prepara uma investigação paralela à que está sendo realizada pela Polícia Federal para apurar o uso de informações sigilosas dos seus clientes, obtidas ilegalmente, na Receita Federal.

Verônica e Alexandre prestaram depoimento de cerca de uma hora na manhã de hoje na Superintendência da PF em São Paulo. Após o depoimento, o advogado afirmou aos jornalistas que pretende fazer uma “investigação bastante ampla” em relação ao que foi publicado em relação a supostas vítimas de quebra de sigilo.

Rosenthal disse ter interesse em analisar o que foi escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, suspeito de confeccionar um dossiê que comprometeria o candidato tucano e familiares. Amaury, que nega as suspeitas, foi ouvido na mesma investigação pela Polícia Federal na segunda-feira passada. “É preciso que se leia com bastante atenção, com a finalidade de se identificar algo que não fosse do conhecimento comum, ou seja, alguma informação sigilosa que possa constar de tudo o que ele ( Amaury ) escreveu”, afirmou o advogado.

Filipe Araújo/AE
Verônica Serra e o marido Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável tucano José Serra, chegam à sede da PF em São Paulo, para prestar depoimento
Embora tenha dito que confia no trabalho que está sendo realizado pela PF, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, Rosenthal afirmou que pretende, com essa apuração paralela, auxiliar as autoridades policiais. Ele lamentou, no entanto, o fato de a Polícia Civil de São Paulo, subordinada ao governo paulista - administrado pelo PSDB -, tenha sido impedida pela Justiça de dar sequência ao inquérito que corria paralelamente às investigações da PF.

O advogado disse também que solicitou à PF uma cópia integral do inquérito em andamento – que corre sob segredo de Justiça – para ter acesso às provas e também de diligências que já foram feitas pelas autoridades federais. Há, de acordo com ele, "diversas novidades" na investigação policial. Mas ele preferiu não dar detalhes para não prejudicar as apurações.

Rosenthal afirmou acreditar que haja uma “conotação política” no caso da violação de sigilo em razão de sua cliente ser filha de um candidato à Presidência da República pelo principal partido de oposição ao governo federal.

Ainda de acordo com o advogado, Verônica e Alexandre disseram no depoimento que não conhecem as pessoas citadas no episódio da violação do sigilo fiscal. No depoimento de hoje, a Polícia Federal também colheu material gráfico para confrontação das assinaturas a fim de que fossem comprovadas as falsificações das assinaturas do casal. O crime aconteceu em uma agência da Receita Federal em Santo André, onde os dados sigilosos foram retirados mediante esses documentos falsos. Em outra agência, em Mauá, houve, segundo as investigações, acesso imotivado aos dados sigilosos.

O inquérito da PF é presidido pelo delegado Hugo Uruguai, que, segundo Rosenthal, já solicitou à Justiça a quebra de sigilo telefônico das pessoas envolvidas. O advogado disse também que a quebra já teria sido autorizada pela Justiça Federal. Rosenthal disse ainda acreditar que o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que retirou as informações na Receita com uma procuração falsa, será indiciado pelo delegado.

Verônica e Alexandre entraram e saíram do prédio da Superintendência da PF sem dar entrevistas. De acordo com o advogado, eles “optaram por manter” essa privacidade e preservar a intimidade.

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