Adversários e aliados buscam vincular seus nomes ao de Aécio

Seja no horário eleitoral, em eventos públicos ou em entrevistas com a imprensa, peemedebistas e tucanos elogiam ex-governador

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

A dona de casa Maria Antônia Soares (48), residente na zona sul de Belo Horizonte, fez questão de assistir ao programa do ex-ministro Hélio Costa (PMDB), líder nas pesquisas de intenção de votos ao Palácio da Liberdade, na estreia do Horário Eleitoral Gratuito nesta quarta-feira (18). Segundo ela, além de Costa seu outro voto já decidido é para o ex-governador e candidato ao Senado Aécio Neves: “Eu ainda me lembro do Hélio Costa na televisão e gostava muito das matérias dele. Acho que ele faz um bom papel político e fez boas coisas como ministro. Parece que ele também é amigo do Aécio que é outro político que eu gosto”, explica.

Maria Antônia não soube dizer quem era o candidato ao Senado na chapa de Hélio Costa, mas disse que gostou de ver as palavras de elogio do ex-ministro ao ex-governador. Durante o programa de estréia no rádio e na TV, Costa afirmou que “Minas precisa de um governo que continue as coisas boas que Aécio fez, mas que invista mais nas áreas de saúde, educação, segurança e social”. Em outras oportunidades, como na sabatina do Jornal Folha de S. Paulo/Portal Uol, o peemedebista também declarou que “o que Aécio fez por Minas Gerais nos últimos anos é extraordinário. Isso é unânime em Minas e no Brasil”.

Segundo o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo, isso ocorre porque “Aécio Neves ainda é o grande eleitor de Minas Gerais”. “Embora Aécio seja de outro partido político, ele sempre alimentou alianças políticas e, no passado, também já declarou boas relações com outros partidos e até mesmo adversários políticos. De certa forma, Aécio alimenta e aceita isso”, explica Ranulfo.

O motoboy Rafael Souza (23), morador da região leste da capital mineira, é outro eleitor de Aécio Neves. Ele participou recentemente de um ato público que entregou ao governador e candidato à reeleição Antônio Anastasia (PSDB) um manifesto com várias reivindicações da categoria. O evento também contou com a participação do candidato à presidência José Serra (PSDB), mas o motoboy conseguiu se lembrar apenas de Aécio: “Foi muito divertido vê-lo (Aécio) pilotando um moto. Eu vou votar nele e em quem ele apoiar”, confessa. Ao ser perguntado quem era o candidato ao governo do estado na chapa de Aécio, Rafael não soube responder, mas prometeu pesquisar: "Vou assistir ao horário eleitoral para decidir meu voto e ver quem Aécio recomenda”.

Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) Ruda Ricci, a convergência de candidatos e partidos é histórica em Minas, mas teve uma tentativa recente protagonizada justamente por Aécio e seu adversário ao Senado, o petista Fernando Pimentel: “Foi a união política mais importante da história recente de Minas. Aécio e Pimentel tentaram fazer a convergência entre PSDB e PT e elegeram o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda”.

Segundo Ruda, Aécio fez uma gestão que atraiu o vínculo de vários outros partidos, mesmo adversários. “É público que Hélio Costa sempre teve uma boa relação com Aécio. Na chapa de Costa está justamente Pimentel, que é um ‘aliado’ político de Aécio. Eles podem ser justamente os grandes líderes do futuro no Brasil. Então, é natural que, mesmo adversários, eles citem um ao outro e busquem vincular seus nomes”, esclarece.

Serra também cita Aécio

Aécio Neves parece mesmo ser o eleitor desejado por todos. Até mesmo José Serra, esquecido nos programas de estréia de Aécio e Anastasia no horário eleitoral – Serra aparece apenas de maneira figurativa, nos cartazes afixados ao fundo –, fez questão de mencionar logo em sua primeira aparição no rádio e na TV a gestão “moderna” do ex-governador de Minas Gerais e do governador e candidato à reeleição Antonio Anastasia.

Embora Serra tenha amenizado o esquecimento de seu nome pelos aliados, a chapa de Hélio Costa, adversária de Aécio e Anastasia em Minas, fez questão de “colar” sua imagem com a do presidente Lula e, principalmente, com a candidata à presidência do PT, Dilma Roussef - que fez um longo depoimento sobre Costa nos programas de rádio e TV, logo na estréia do Horário Eleitoral Gratuito. Já Serra parece não ter sido convidado para os primeiros programas tucanos e ainda não apareceu.

Mas Serra tem marcado presença em Minas: desde o registro oficial das chapas, em 3 de julho, o tucano veio ao estado sete vezes. Na última vez, justamente no evento onde o motoboy Rafael Souza estava presente – e onde Serra também se encontrou com o Movimento da Mulheres Mineiras, um grupo de diversas entidades da sociedade civil em defesa dos direitos das mulheres em Minas. Naquela ocasião, o candidato quis mais uma vez colar seu nome a Aécio: “Toda vez que eu venho a Minas eu faço essa brincadeira para ver se o Aécio fala, mas ele ainda não falou, que eu sou o mais mineiro dos paulistas”, disse.

Aécio nega vinculação

Em nota recente, Aécio Neves afirmou que “desautoriza” a veiculação de seu nome com qualquer candidatura que não seja a do governador Antônio Anastasia: “Trata-se de uma manobra para confundir o eleitor mineiro, uma vez que não há nada em comum entre a minha candidatura e a do adversário. Minha candidatura e a de Antônio Anastasia têm o mesmo significado que é exatamente o oposto daquele encarnado pelo candidato do PMDB”.

“A chapa que apoio nessas eleições é composta, além do governador Antônio Anastasia, pelo ex-governador José Serra, candidato à Presidência da República, e o ex-presidente Itamar Franco, ao Senado”, completa a nota. Apesar disso, a citação de seu nome no Horário Eleitoral Gratuito por todos os candidatos, inclusive adversários, deve continuar.

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