Adversários deram guinada conservadora para ganhar, diz Dilma

Sem citar nomes, candidata do PT à Presidência afirma que rivais repetem perseguição aos comunistas ocorrida durante a Guerra Fria

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Sem citar nomes, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , disse que seus adversários deram uma guinada rumo ao conservadorismo com o objetivo de ganhar a eleição. A candidata considerou absurdas acusações de cunho moral das quais foi vítima nas últimas semanas que, segundo ela, repetem a perseguição aos comunistas durante a Guerra Fria, na década de 50. 

Agência Estado
Dilma visitou a Bienal de São Paulo
"Eu não tenho o menor interesse em virar conservadora. Não faço nenhuma virada para a direita para poder me eleger", disse Dilma depois de uma visita à Bienal de Arte de São Paulo.  Questionada se o candidato do PSDB à Presidência, José Serra , deu uma guinada conservadora, Dilma respondeu:

"Os dados estão aí. As posições estão aí. Fui acusada de coisas que jamais pensei ser. Fui acusada por exemplo daquela acusação da Guerra Fria dos anos 50. Naquela época, quando queriam acusar uma pessoa, diziam que ela comia criancinha. Eu jamais esperei escutar uma coisa dessas e escutei. Não só foi conservador como beirou todas as manifestações absurdas da Guerra Fria e tentou pregar no adversário uma imagem que é ridícula no século 21".

Em campanha ao lado do candidato a vice de Serra, Índio da Costa (DEM), no Rio de Janeiro durante o primeiro turno, a mulher de Serra, Monica, disse para uma eleitora que Dilma é a favor de "matar criancinhas". Neste domingo a petista voltou a condenar o clima de guerra religiosa que, segundo ela, seus adversários tentam implantar na disputa presidencial.

"O Brasil tem uma tradição de tolerância. O brasileiro gosta que árabes e judeus sentem na mesma mesa. Criar clima de guerra religiosa no Brasil é um absurdo. Nós não somos assim", disse ela. Como de costume, Dilma se recusou a comentar a pesquisa do Datafolha, na qual aparece sete pontos percentuais à frente de Serra, mas afirmou que não briga com os números.

"Vou repetir pela vigésima nona vez, eu não comento pesquisa porque é um retrato do momento. A gente tem de aceitar as pesquisas no momento, ninguém tem certeza da precisão das pesquisas, mas eu não brigo com números e considero que refletem aquele momento", afirmou.

'Urubus estressados'
Depois de circular durante cerca de uma hora pela Bienal ao lado do ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV), Dilma falou sobre suas propostas para área. Ela prometeu que, se eleita, vai abrir pelo menos uma sala de cinema, uma biblioteca interativa e um ponto de cultura em cada município brasileiro.
Segundo Dilma, a propagação da cultura brasileira é tão importante quanto o crescimento econômico no processo de ampliação do papel do Brasil no cenário internacional.

"A Bienal é muito importante para o Brasil neste momento de projeção de futuro. Você projeta um país não só pela economia mas pela capacidade de afirmar sua cultura do ponto de vista internacional. Dá a dimensão do Brasil e a relação do Brasil com o mundo", disse Dilma.

A candidata reclamou das proibições impostas pela Justiça às obras do artista Gil Vicente, autor de quadros nos quais aparecia matando políticos como Lula e Fernando Henrique Cardoso. "Nesta história da tolerância uma área em que é fundamental que se tenha compreensão é a cultura, não pode ser objeto de censura. A gente tem que entender que obra de arte trabalha o simbólico e as pessoas tem direito de se manifestar. Do meu ponto de vista estético ela é uma obra bonita. Mas o que ela quis dizer são outros quinhentos e conquenta", disse Dilma.

Bem humorada, a candidata brincou com a proibição do uso de urubus de cativeito na instalação de Nuno Ramos. "Os urubus estavam estressados. Coloquem um de vocês lá voando com aquele som na cabeça para vocês verem. Os urubus estavam estressados".

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